Chile vê alta de brasileiros e aposta em viagens ao país ao longo de todo o ano
País já tem o Brasil como segundo maior emissor e busca ampliar estadas, gastos e destinos além da neve

A vice-ministra do Turismo do Chile, María Paz, que assumiu a função há um mês, está pela primeira vez no Brasil, participando da WTM Latin America 2026. Segundo ela, o país vive um bom momento na relação com o Brasil, que já se consolidou como o segundo maior emissor internacional de turistas para o destino, atrás apenas da Argentina.
Em 2025, cerca de 700 mil brasileiros visitaram o Chile. Até o final de sua gestão (quatro anos), María espera que esse número chegue a 1 milhão. De acordo com a executiva, há também um movimento recente de maior interesse dos brasileiros pelo país, impulsionado, entre outros fatores, pelo encarecimento de viagens à Argentina.
Em seu primeiro mês no cargo e na estreia em feiras internacionais, María Paz afirmou que um dos objetivos de sua gestão é ampliar a permanência e o gasto dos turistas brasileiros no país, além de posicionar o Chile como um destino para viagens ao longo de todo o ano – e não apenas na temporada de neve.
“Hoje, o brasileiro ainda vem muito pela neve, mas queremos mostrar outras experiências, como natureza, astroturismo, gastronomia e a Patagônia. Também queremos que vejam o Chile como opção para escapadas de fim de semana”
María Paz, vice-ministra do Turismo do Chile
A conectividade aérea é um dos pontos que favorecem esse movimento. Atualmente, o Chile conta com pelo menos 35 voos diretos a partir de diferentes cidades brasileiras, o que, segundo a vice-ministra, facilita tanto viagens curtas quanto roteiros mais completos.
Outro foco da gestão é a descentralização do turismo dentro do país. Com 16 regiões, o Chile busca diversificar sua oferta e incentivar a visitação a destinos além dos já consolidados, como neve e enoturismo.
Além disso, o governo chileno trabalha para ampliar a relevância econômica do setor, que hoje representa cerca de 3% do PIB nacional. A meta é chegar a 4%, quem sabe até mesmo 7%, segundo María Paz, com geração de empregos e fortalecimento da cadeia turística.
A agenda com o Brasil inclui ainda discussões sobre aumento da conectividade, especialmente com o norte chileno – María Paz se renuiu com Gustavo Feliciano, ministro do Turismo do Brasil –, e ações conjuntas de promoção em mercados de longa distância, como a Ásia.