Rio lança política de Tolerância Zero após avanço do comércio irregular na orla
Fiscalização permanente começa no dia 16 para conter desordem entre o Leme e o Leblon

O avanço do comércio ambulante irregular, da poluição sonora, da circulação de ciclomotores em áreas proibidas e das queixas sobre insegurança na orla da Zona Sul levou a Prefeitura do Rio a criar uma política permanente de Tolerância Zero para ordenar as praias entre o Leme e o Leblon. A fiscalização mais intensa começa no próximo dia 16 e prevê atuação 24 horas por dia, controle dos acessos, apreensão de mercadorias irregulares e combate a depósitos clandestinos.
O cenário que antecede a medida já vinha sendo marcado pela ocupação irregular do espaço público em Copacabana e, mais recentemente, também em Ipanema. Denúncias da população já mostraram a proliferação de camelôs, caixas de som em alto volume durante a madrugada, venda irregular de bebidas, circulação de ciclomotores em áreas proibidas e reclamações de moradores e comerciantes sobre a perda de ordenamento da orla.
Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, a iniciativa implementada não será uma operação pontual, mas uma política continuada de ordenamento. O plano contará com 138 agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), distribuídos em 69 pontos de controle ao longo da orla.
A prefeitura também desapropriou dois imóveis, em Copacabana e Ipanema, que serão transformados em depósitos para ambulantes regularizados, numa tentativa de enfraquecer a estrutura logística do comércio clandestino.
Durante o anúncio, a prefeitura informou ter identificado uma estrutura organizada por trás da atividade irregular, formada por 22 depósitos clandestinos, cerca de mil pontos de venda ilegais e um faturamento estimado em R$ 100 milhões por ano com aluguel de equipamentos, depósitos e pontos de comércio. Segundo o município, aproximadamente 20% dos ambulantes irregulares são estrangeiros.
Desordem se espalhou pela orla
Reportagens de O Globo registraram, em Copacabana, vendedores ocupando o calçadão com bebidas e alimentos sem fiscalização sanitária, caixas de som em alto volume durante a madrugada, comércio de drogas, circulação de ciclomotores em áreas proibidas e furtos. Também foi constatada a presença de ambulantes que iniciaram as atividades antes da regularização e o aluguel de carrocinhas para exploração comercial da orla.
O cenário passou a se repetir em Ipanema, onde camelôs ocuparam o calçadão e a areia, principalmente entre o Arpoador e a Rua Garcia D'Ávila. A Associação de Moradores e Amigos de Ipanema (Amai) afirmou em nota que há preocupação com a expansão do problema.