Acidente com asa-delta no Rio reacende alerta sobre segurança no Turismo de aventura
Turista argentino e instrutor não sobreviveram à queda; atividades de voo livre foram suspensas

Um turista argentino e um instrutor de voo livre morreram após a queda de uma asa-delta na Praia de São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro, na manhã de segunda-feira (2). O acidente ocorreu durante o pouso, após a decolagem na Rampa da Pedra Bonita, um dos principais pontos de prática da atividade na cidade.
As vítimas foram identificadas como Adrian Guillermo Arismendi, de 26 anos, turista argentino que realizava seu primeiro voo, e Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos, instrutor responsável pela atividade.
Segundo informações divulgadas pelo G1, testemunhas relataram que a asa-delta fez uma curva abaixo do padrão durante a aproximação e atingiu o muro que separa o calçadão da faixa de areia. Os dois foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros e encaminhados de helicóptero ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiram aos ferimentos.
Após o acidente, os voos foram suspensos. O caso foi registrado na 15ª Delegacia de Polícia (Gávea), e o equipamento passará por perícia. As circunstâncias da ocorrência serão investigadas pelas autoridades.
Clube se manifesta
Em nota enviada ao G1, o Clube São Conrado de Voo Livre lamentou a morte das duas vítimas e afirmou que as circunstâncias do acidente deverão ser apuradas pelas autoridades competentes. A entidade também se colocou à disposição para colaborar com as investigações.
No comunicado, o clube destacou as exigências de segurança da modalidade e a importância de seu cumprimento:
"A prática do voo livre exige capacitação específica, experiência, responsabilidade e cumprimento das normas técnicas e de segurança estabelecidas pelos órgãos competentes e pelas entidades reguladoras da modalidade."
A entidade também ressaltou a relevância de São Conrado para a atividade:
"O Rio de Janeiro, particularmente São Conrado, é reconhecido internacionalmente como um dos principais cenários para a prática do voo livre, contando com uma estrutura que recebe pilotos e visitantes de diversas partes do mundo."
Segurança no Turismo de Aventura
O caso reacende o alerta sobre a importância da segurança no Turismo de aventura. A Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), por exemplo, recomenda que todas as atividades sejam realizadas por empresas formalizadas, registradas no Cadastur e em conformidade com as normas técnicas da ABNT.
Para operações consideradas de risco, a entidade destaca a necessidade de um Sistema de Gestão de Segurança (SGS), que inclui procedimentos operacionais, inspeção e manutenção de equipamentos e planos de atendimento a emergências.
A Abeta também alerta que "a informalidade no Turismo de aventura é um risco à vida" e defende a qualificação dos operadores e o cumprimento das normas como pilares para o desenvolvimento seguro do segmento.