São Paulo lança cartilha de boas práticas para bem receber o turista LGBTI+; acesse
Material traz dicas de atendimento, exemplos práticos e comunicação inclusiva

O Turismo LGBT+ tem conquistado cada vez mais espaço no setor de viagens. Do total de R$ 8,25 trilhões consumidos pelas famílias brasileiras em 2025, R$ 140,2 bilhões foram destinados a viagens esporádicas de lazer, equivalentes a 1,7% do consumo anual.
Entre a população LGBTQIA+, os gastos com esse tipo de viagem alcançaram cerca de R$ 33,4 bilhões, correspondendo a 3,7% de seu consumo total estimado. É o que revela a Pesquisa de Perfil e Comportamento do Consumo e do Turismo da População LGBTQIA+ do Brasil, do IEMI – Inteligência de Mercado.
Diante desse potencial e a fim de promover um Turismo cada vez mais inclusivo, plural e acolhedor, a Setur-SP lançou o Mapeamento do Desenvolvimento do Turismo LGBT+ no Estado de São Paulo e a Cartilha de Boas Práticas para Bem Receber o Turista LGBT+.
As publicações têm como objetivo subsidiar políticas públicas, orientar a qualificação do setor e fortalecer o Turismo LGBT+ nos municípios paulistas, promovendo destinos cada vez mais inclusivos, acolhedores e preparados para receber a diversidade.
Trinta municípios de SP já têm atividade relacionada ao Turismo LGBT+
O Mapeamento do Desenvolvimento do Turismo LGBT+ no Estado de São Paulo trouxe dados relevantes sobre o segmento: dos 72 municípios que participaram do levantamento, 30 municípios (41,7%) já apresentam alguma atividade relacionada ao Turismo LGBT+.
Outros 16 municípios (22,2%) ainda não possuem ações efetivamente implantadas, mas informaram que estão em fase de planejamento. Isso significa que, somando esses dois grupos, 46 municípios (63,9% do total pesquisado) já estão envolvidos de alguma forma com o desenvolvimento do segmento LGBT+, seja por meio de ações existentes, seja pela preparação de futuras iniciativas.
Entre as ações identificadas no mapeamento, estão:
- Paradas do Orgulho LGBTI+ e eventos de diversidade;
- semanas e meses da diversidade;
- apoio institucional do poder público;
- conselhos e coordenadorias LGBT+;
- campanhas de sensibilização e enfrentamento à LGBTfobia;
- capacitação e qualificação;
- acolhimento e promoção de direitos;
- atividades culturais;
- mostras de cinema;
- rodas de conversa;
- conferências;
- articulação com coletivos e sociedade civil;
- iniciativas específicas relacionadas ao Turismo e ao trade turístico.
Alguns destinos paulistas se destacam, como Santos, que tem o Selo Santos da Diversidade, a Semana Municipal da Diversidade Sexual e atividades do Mês do Orgulho. Além disso, também no litoral, há Praia Grande, com a Semana da Diversidade, apoio à Parada e ações intersetoriais; e São Sebastião apoia o evento Orgulhe-se, além de realizar atividades culturais, formação e conferência municipal.
No interior do Estado, Campinas conta com guias temáticos, Mês do Orgulho LGBTI+ e estrutura institucional de políticas para diversidade sexual. Em Araraquara, tem a Parada, o Centro de Referência e Resistência LGBTQIA+ e a Casa de Acolhimento. Também aparecem experiências diretamente relacionadas ao Turismo, como capacitação dos profissionais e do mercado de Turismo (trade), acolhimento em meios de hospedagem, sensibilização de estabelecimentos e articulação de equipamentos turísticos.
Potencial para desenvolver o segmento em mais destinos
26 municípios entrevistados (36,1%) ainda não apresentam atividade identificada. Porém, dentro desse grupo, 24 dos 26 municípios (92,3%) responderam que possuem interesse em desenvolver o Turismo LGBT+ agora ou futuramente. Apenas dois municípios responderam não ter interesse em desenvolver o segmento.

Considerando todos os 72 municípios pesquisados, 69 municípios (95,8%) manifestaram interesse em participar de futuras capacitações, encontros ou projetos relacionados ao Turismo LGBT+. Portanto, o mapeamento mostra que, embora o desenvolvimento do Turismo LGBT+ ainda esteja em diferentes estágios entre os municípios paulistas, existe uma ampla disposição para avançar no tema.
“Os resultados indicam que há espaço para criação de políticas públicas estaduais que contribuam com capacitação dos profissionais do Turismo, além de promover a sensibilização sobre acolhimento e diversidade e prestar apoio técnico aos municípios. Também pensamos no mapeamento e estruturação de produtos e roteiros turísticos para comercialização, além do fortalecimento da cooperação entre Estado, municípios, iniciativa privada e sociedade civil”,
Ana Biselli, secretária estadual de Turismo e Viagens de São Paulo.
Em cada 10 municípios pesquisados, aproximadamente 6 já realizam alguma atividade ou estão planejando fazer, e, entre aqueles que ainda não desenvolvem ações, 9 em cada 10 demonstram interesse em começar. Esse é um dos principais resultados positivos revelados pelo mapeamento.
Cartilha para orientar o setor
A segunda publicação dedicada ao segmento LGBT+ foi lançada pela Setur-SP durante a 10ª Conferência Internacional da Diversidade, em setembro, na capital paulista. A Cartilha de Boas Práticas para Bem Receber o Turista LGBT+ contém dicas e orientações importantes para que destinos e empreendimentos turísticos paulistas recebam bem viajantes LGBT+, com acolhimento e respeito.
A cartilha explica desde o significado de cada letra da sigla LGBTQIA+, passando por sugestões de ações que os municípios podem implementar, como envolver Conselhos Municipais de Turismo – COMTURs. Além disso, os municípios podem estabelecer diálogo com a população LGBTI+ local e integrar Turismo, direitos humanos, cultura, segurança, desenvolvimento econômico e demais áreas relacionadas, entre outras ações.
A publicação ainda traz dicas de atendimento, como tratar todos da mesma maneira, respeitar o nome social, os pronomes e evitar olhares ou comentários desnecessários e constrangedores.
No caso dos meios de hospedagem, o material traz exemplos práticos para que atendam e recebam cada vez melhor os viajantes. Por exemplo: se um casal do mesmo sexo reservar um quarto de hotel com uma cama de casal, o(a) atendente não deve questioná-los sobre a acomodação ou oferecer mais uma cama, mas tratá-los com cordialidade e confirmar a reserva.
Além disso, há orientações para bares, restaurantes e atrativos turísticos, além de explicar sobre os eventos LGBTI+, que não se resumem somente às paradas e vida noturna. Outro ponto de destaque é a importância de capacitar os profissionais do setor turístico, manter uma comunicação inclusiva, e a importância da segurança e do acolhimento aos viajantes LGBT+.
Ao final, a cartilha traz um checklist para que gestores públicos verifiquem como estão as políticas de diversidade no seu município e como otimizá-las, além dos dez compromissos de um destino acolhedor. Por fim, atrativos como o Museu da Diversidade Sexual do Estado de São Paulo (MDS) e informações sobre o Conselho Estadual LGBT+ e dos Conselhos Municipais LGBT+ também compõem a cartilha.
“É importante lembrar sempre que o Turismo é uma atividade para todos. É um direito do cidadão, além de ser uma atividade que deve ser benéfica, acolhedora, respeitosa e agradável para os viajantes e para os profissionais do setor. Por isso, o mapeamento e a cartilha são materiais que vão nos ajudar a desenvolver, em conjunto com os municípios e os empreendimentos, políticas públicas ainda mais eficazes e um atendimento ainda mais humano e acolhedor para receber os turistas LGBT+. O Turismo é plural e São Paulo é para todos”, disse Ana Biselli.
A cartilha pode ser baixada no link.
R$ 911 bilhões
Conforme a pesquisa Pesquisa de Perfil e Comportamento do Consumo e do Turismo da População LGBTQIA+ do Brasil, do IEMI – Inteligência de Mercado, em 2025, as famílias brasileiras destinaram R$ 8,25 trilhões ao consumo de bens e serviços ao longo do ano. A estimativa do IEMI aponta que a comunidade LGBTQIA+ respondeu por cerca de 11% desse montante, movimentando aproximadamente R$ 911 bilhões. O número dimensiona a relevância desse público para diferentes segmentos da economia