Pedro Menezes   |   12/08/2026 09:03
Atualizada em 12/08/2026 10:03

Paulo Biondo promete transformar área de Produtos e Operações da Agaxtur

Segundo novo head, operadora seguirá sendo uma referência na prestação de serviço ao agente de viagens


Arquivo/PANROTAS
Paulo Biondo, head de Produtos e Operações da Agaxtur
Paulo Biondo, head de Produtos e Operações da Agaxtur

A volta de Paulo Biondo à Agaxtur, anunciada em primeira mão pelo Portal PANROTAS agora no fim de julho, representa muito mais do que um retorno à empresa onde começou a carreira. Quase cinco anos depois de deixar a companhia, Biondo volta como head com a missão de liderar e transformar as áreas de Produtos e Operações para acompanhar as intensas mudanças no mercado de distribuição do Turismo.

Feliz de retornar à Agaxtur, Biondo encontrou uma empresa ainda mais evoluída em relação ao que vivia há cinco anos. Foi esse primeiro impacto que se tornou importante para a decisão de aceitar o convite para voltar. Mas o principal motivo mesmo está no momento vivido pelas operadoras.

Para Biondo, em entrevista exclusiva ao Portal PANROTAS, a intensa movimentação do mercado mostra que o modelo de distribuição do Turismo mudou profundamente na última década e exige uma atualização das empresas tradicionais do setor.

“Vivemos um momento de transformação das operadoras. O mercado está mostrando isso pelo tamanho da movimentação. A distribuição mudou muito nos últimos dez anos. Além de poder vender diretamente, hoje existem milhões de canais. Toda essa estrutura de operadora precisa ser modernizada e atualizada”

Paulo Biondo, head de Produtos e Operações da Agaxtur

É justamente nessa transformação que está concentrado o novo desafio do executivo. Ao lado dos times de Produtos e Operações, Biondo estabeleceu alguns pilares para orientar essa nova fase da Agaxtur. O primeiro deles, por exemplo, é investir cada vez mais em eficiência e agilidade.

Ampliação da oferta de conteúdo online

Paulo afirma que não há mais espaço para uma operação baseada em cotações manuais e processos offline, principalmente diante da velocidade exigida atualmente pelo mercado. “O passageiro está ali na frente do agente de viagens. Se não tem disponibilidade, ele vai para outro lugar”, afirmou o head.

A estratégia passa por ampliar a oferta de conteúdo online, melhorar a disponibilidade e garantir que o fornecedor receba a reserva de forma eficiente, inclusive em ações promocionais. Para isso, a Agaxtur deverá reforçar a estrutura de Produtos e reorganizar fluxos internos da Operação.

Divulgação
Jarbas Junior e Paulo Biondo, da Agaxtur
Jarbas Junior e Paulo Biondo, da Agaxtur

Para isso, a empresa não precisa, necessariamente, resolver tudo de uma única vez. A prioridade inicial, neste caso, estará justamente onde está concentrada a maior parte das vendas. “É muito difícil ser eficiente e ágil no mundo inteiro. Cerca de 70% da nossa venda está concentrada em 20 destinos. Se eu for eficiente, online e competitivo nesses destinos, já estou um passo à frente”, disse Biondo.

A ideia, portanto, é concentrar esforços nos principais mercados, garantindo produto, preço e disponibilidade para que o agente consiga concluir a venda com menos etapas e maior velocidade.

Pricing e Revenue entram no radar de prioridades

O segundo grande pilar da transformação será a competitividade aliada à rentabilidade. Segundo Biondo, esse é um dos pontos em que o modelo tradicional das operadoras precisa ser revisto. “Hoje os preços são diários e podem flutuar minuto a minuto. Não dá para precificar como era antes”, afirma.

Para isso, a Agaxtur vai criar uma estrutura dedicada a Pricing & Revenue Management, combinando tecnologia, inteligência artificial e análise de dados para tornar a precificação mais dinâmica.

“Vamos abrir essa frente de Pricing & Revenue para que, com tecnologia, IA e uma análise focada nisso, possamos entregar o produto certo, para a pessoa certa, no preço certo, e gerar mais rentabilidade para toda a cadeia que trabalha com a Agaxtur

Paulo Biondo, head de Produtos e Operações da Agaxtur

A competitividade deixa de ser apenas uma vantagem e passa a ser uma obrigação em um mercado no qual o agente de viagens tem cada vez mais alternativas de compra. “A Agaxtur tem 70 anos, ótimo atendimento, mas precisamos ser competitivos. Devemos avançar para ter essa estrutura e acelerar a competitividade e a rentabilidade muito em breve", complementou o head.

O que a Agaxtur quer ser?

Divulgação
Agaxtur quer ganhar competitividade sem perder a capacidade de atendimento
Agaxtur quer ganhar competitividade sem perder a capacidade de atendimento

Antes mesmo de discutir tecnologia, equipe ou processos, Biondo diz ter começado o trabalho por uma pergunta básica: “Quem a gente quer ser?”. A partir daí, a empresa passou por um exercício de posicionamento para definir de maneira mais clara o que pretende entregar ao mercado.

“Queremos ser um operador com preços extremamente competitivos, oferecer serviço de valor agregado, com atendimento e cuidado ao passageiro, e ser referência na prestação de serviços, característica historicamente associada à Agaxtur"

Paulo Biondo, head de Produtos e Operações da Agaxtur

Na prática, isso significa que preço e serviço não serão tratados como estratégias opostas. A Agaxtur quer ganhar competitividade sem perder a capacidade de atendimento que, segundo Biondo, é parte importante da relação construída pela empresa com agentes, fornecedores e passageiros.

Precisamos ser competitivos. Competitividade é obrigação. E, ao mesmo tempo, desenvolver isso com a confiança que temos no mercado, com nossos fornecedores e com a nossa referência de prestação de serviço. O nosso passageiro não dorme na rua, e isso segue. No geral, queremos uma operadora que cause ainda mais impacto no mercado para conseguirmos avançar”, complementou Biondo.

Estrutura será ampliada

A transformação também deverá mexer no tamanho e na organização das equipes. Atualmente, Biondo conta com 12 profissionais em Operações e cinco em Produtos. Algumas posições deverão ser abertas, embora o executivo ainda esteja fechando o orçamento destinado às novas contratações.

Entre as prioridades está justamente o fortalecimento do time de Produtos, a reorganização dos fluxos da Operação e a construção da estrutura de Pricing & Revenue Management. A lógica é crescer na medida necessária para sustentar a transformação, e não simplesmente aumentar a estrutura.

“O desafio é entender de que forma podemos ter um crescimento sustentável e assertivo para os nossos objetivos. Precisamos fortalecer o time de Produtos, reorganizar os fluxos da Operação e trazer o máximo possível de contexto online para a nossa operação"

Paulo Biondo, head de Produtos e Operações da Agaxtur

Mais do que uma mudança de sistemas ou de equipes, o Biondo enxerga o momento como uma oportunidade para repensar o próprio papel de uma operadora diante de uma distribuição cada vez mais fragmentada e digital. Meu propósito aqui é transformar o que a gente entende por operadora”, finalizou o executivo.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.