Cavaleiros, Caravaggio e "Game of Thrones": o dia da Flot em Mdina e Valletta; fotos
Grupo visitou a antiga e a atual capital de Malta, e encerrou o dia com uma sessão de cinema sobre Malta

VALLETTA (MALTA) – A segunda-feira (2) do famtour da Flot foi dedicada à história de Malta. O dia amanheceu chuvoso, mas em Malta o tempo muda rápido: em poucas horas teve sol, calor e, no fim da tarde, muito frio. A chuva ficou em pancadas rápidas ao longo do dia e não atrapalhou o roteiro.
Mdina, a cidade silenciosa
A primeira parada foi Mdina, antiga capital da ilha, no alto de uma colina no centro de Malta. O nome vem do árabe medina, cidade. Cercada por muralhas, com ruas estreitas e quase sem carros, ela é conhecida como “a cidade silenciosa”. Do alto das muralhas, dá para ver boa parte da ilha. Atualmente 200 pessoas residem no local.
O grupo entrou pelo Portão Principal, construído em 1724. Os fãs de "Game of Thrones" vão reconhecer o portão: ele aparece na primeira temporada da série como uma das entradas de Porto Real. Lá dentro fica a Catedral de São Paulo, refeita em estilo barroco depois do terremoto de 1693, o mesmo que destruiu boa parte do sudeste da Sicília e que o grupo já tinha visto em Noto e Ragusa.
Valletta e a história contada no cinema
À tarde, o grupo seguiu para Valletta, a capital atual. A cidade é Patrimônio Mundial da Unesco e foi fundada em 1566 pelos Cavaleiros de São João, logo depois de a Ordem resistir ao Grande Cerco dos otomanos, em 1565. A entrada é marcada pela Fonte dos Tritões. Logo depois vem a Republic Street, a rua principal, sempre cheia de gente e com prédios que têm as gallerijas, as varandas de madeira coloridas que são a marca da arquitetura maltesa.
Para entender tudo isso, o grupo assistiu ao filme do The Malta Experience, cinema em Valletta que conta a trajetória de Malta em uma sessão só: dos templos pré-históricos aos fenícios, romanos e árabes, passando pelos Cavaleiros, por Napoleão e pelo domínio britânico, até a independência, em 1964, e a entrada na União Europeia, em 2004. É um bom ponto de partida para quem chega à ilha sem conhecer a história.
Caravaggio, de cavaleiro a fugitivo
O ponto alto do dia foi a Concatedral de São João, construída pelos Cavaleiros entre 1572 e 1577. Por fora, a igreja é simples. Por dentro, quase tudo é dourado: paredes de pedra esculpida e folheada a ouro, uma abóbada pintada pelo italiano Mattia Preti e um piso coberto por cerca de 400 lápides de mármore colorido, onde estão enterrados cavaleiros da Ordem.
No oratório ficam duas obras de Caravaggio: São Jerônimo Escrevendo e A Decapitação de São João Batista, de 1608. Com mais de 5 metros de largura, a Decapitação é considerada a obra-prima do pintor e é a única que ele assinou. A assinatura aparece no sangue que escorre do pescoço do santo.
A passagem de Caravaggio por Malta parece roteiro de filme. Em 1606, o pintor matou um homem em uma briga em Roma, foi condenado à morte e fugiu. Passou por Nápoles e chegou a Malta em 1607, em busca de proteção. Os Cavaleiros o receberam bem, e em 1608 ele foi aceito na Ordem. Poucas semanas depois, se envolveu em outra briga, feriu um cavaleiro e foi preso no Forte de Sant’Angelo. Conseguiu fugir descendo pelas muralhas e escapou de barco para a Sicília. A Ordem o expulsou meses depois.
Na Sicília, ele chegou primeiro a Siracusa, onde, segundo a tradição, deu o nome à Orelha de Dionísio, a gruta que o grupo visitou no quarto dia do famtour. Depois passou por Messina e Palermo, e morreu em 1610, aos 38 anos, a caminho de Roma, sem ter recebido o perdão que esperava.
Próxima parada: Palermo
Nesta terça-feira (3), o grupo deixa Malta e volta para a Sicília, onde vai conhecer Palermo, a capital da ilha e mais uma cidade por onde Caravaggio passou.
Veja o álbum de fotos abaixo
O Portal PANROTAS viaja a convite da Flot e da ITA Airways