Da Redação   |   11/08/2026 14:57

Hospitalidade e organização são destaque na Ásia; veja artigo de Richard Alves

Richard Alves, da Lab Turismo, compartilhou os aspectos dos destinos que mais chamaram sua atenção


PANROTAS / Jhonatan Soares
Richard Alves, da Lab Turismo
Richard Alves, da Lab Turismo

Em uma viagem de quase três semanas pelo Japão e pela Coreia do Sul, Richard Alves, diretor da Lab Turismo, encontrou muito mais do que destinos marcados pela tradição, tecnologia e cultura.

A experiência, realizada em julho de 2026 ao lado da família e de amigos, tornou-se uma oportunidade para observar, sob a perspectiva de um profissional do Turismo, aspectos como hospitalidade, organização, gastronomia, inovação e o papel da cultura na construção da imagem de um destino.

Confira o artigo na íntegra:

Japão e Coreia do Sul, destinos verdadeiramente transformadores - Relatos de uma viagem em julho de 2026

"Uma viagem pessoal, em família e com amigos, acabou se transformando em uma das experiências turísticas mais marcantes que pude vivenciar ao longo da minha vida de andanças pelo mundo.

Apesar de viajar bastante, ainda falta muito por conhecer e, como sempre brinco nas conversas com as pessoas à minha volta, certamente precisarei viver mais umas três vidas para dar conta de ir a todos os lugares onde desejo estar neste fantástico planeta.

Tive a oportunidade de viver momentos incríveis em praticamente todos os estados brasileiros, em muitos países da América do Sul, da Europa, algumas vezes nos Estados Unidos e em lugares emblemáticos como África do Sul e Nova Zelândia.

Foram quase 20 países até aqui. Quero chegar a pelo menos 50, então ainda falta muito. Alguns deles visitados com bastante recorrência, como Argentina, Chile, Costa Rica, Colômbia, Portugal, Espanha, Itália e Estados Unidos.

Mas afirmo, com plena convicção, que poucos lugares me marcaram tanto quanto Japão e Coreia do Sul, vivenciados durante cerca de 20 dias no mês de julho de 2026.

Um pouco mais sobre o contexto da viagem. Minha filha Estela, como presente pelos seus 15 anos, nos pediu essa viagem em substituição a uma possível festa de aniversário.

A proposta foi prontamente aceita como uma grande viagem em família para celebrar esse momento. Mas, não satisfeita, ela convenceu mais duas amigas, que também conseguiram convencer seus pais. Assim surgiu uma jornada das três amigas, acompanhadas por pais e irmãos, para desvendar dois dos destinos mais emblemáticos que um viajante pode conhecer.

É verdade que, coincidentemente, esses países estão atualmente muito em evidência no mundo e também no Brasil. Muita gente enfrenta quase 30 horas de deslocamentos, cruzando mares e continentes, para chegar à longínqua Ásia.

Mas a escolha delas tinha motivações mais profundas. Havia uma forte identificação com a cultura desses países, expressa na música, na produção audiovisual, na gastronomia e nos próprios modos de vida.

Confesso que, apesar de o Japão sempre ter habitado meu imaginário como um lugar distante, diferente e capaz de despertar uma curiosidade muito singular, efetivamente não estava na lista dos meus dez próximos países a conhecer.

Muito menos a Coreia do Sul, apesar da boa imagem construída ao longo de muitos anos como referência em áreas como tecnologia e educação e, mais recentemente, dos impressionantes resultados de uma estratégia deliberada de posicionamento global através da cultura e das artes, notadamente pela música, com o K-pop, e pela produção audiovisual, com filmes, séries e os famosos doramas.

Mas, ao longo de pouco mais de um ano de preparação da viagem, fomos pesquisando, descobrindo e construindo uma expectativa muito forte em relação a tudo aquilo que sabíamos que estaria por vir.

Sou daqueles para quem preparar uma viagem gera uma satisfação quase tão importante quanto a própria viagem.

Pexels
Osaka
Osaka

Também sou um viajante que gosta de sair das programações óbvias e tradicionais. Contudo, uma primeira imersão nesses países, e sim, seguramente a primeira de muitas, demandava conhecer inicialmente aqueles lugares clássicos que servissem como porta de entrada para futuras incursões pelo interior e para novas descobertas.

Dessa forma, o planejamento contemplou o roteiro mais tradicional por Tóquio, Quioto e Osaka, no Japão, e Seul, na Coreia do Sul, distribuído em quase três semanas intensas, prazerosas e profundamente marcantes.

Vamos, então, ao que mais me marcou.

1. A hospitalidade japonesa que aparece nos detalhes

Talvez uma das coisas mais difíceis de explicar para quem ainda não esteve no Japão seja a sensação permanente de ser bem recebido.

Ela não está necessariamente em manifestações expansivas. Está nos gestos, na atenção, na educação e no cuidado. Da chegada à saída de hotéis, restaurantes, lojas, estações, atrações e pequenos estabelecimentos, existe quase sempre a percepção de que alguém pensou em como tornar aquela experiência melhor.

É uma hospitalidade silenciosa, extremamente respeitosa e, sobretudo, consistente.

O impressionante é perceber que não parece ser algo preparado especialmente para o turista. É parte de uma maneira de se relacionar e de prestar serviços.

2. Segurança, limpeza e organização em um nível impressionante

É impossível passar pelo Japão e pela Coreia do Sul sem refletir sobre segurança, limpeza e organização.

Grandes cidades, algumas entre as maiores e mais densamente povoadas do planeta, conseguem transmitir uma sensação de ordem difícil de encontrar em outras metrópoles dessa dimensão.

Ruas limpas, sistemas de transporte organizados, espaços públicos preservados e uma percepção de segurança que muda completamente a maneira como se vive uma cidade.

É interessante perceber que isso não depende apenas de infraestrutura. Existe um componente de comportamento coletivo, respeito às regras e consciência sobre o espaço compartilhado que talvez seja ainda mais importante.

3. A extraordinária capacidade de fazer as coisas funcionarem

Há lugares bonitos, lugares interessantes e lugares culturalmente fascinantes. Japão e Coreia do Sul possuem tudo isso, mas acrescentam algo que me chamou especialmente a atenção: as coisas funcionam.

Transporte, serviços, informações, sinalização, tecnologia, comércio, equipamentos turísticos e atividades do cotidiano parecem ter sido pensados para facilitar a vida das pessoas.

E quando se observa isso como profissional do turismo, o aprendizado é ainda maior.

Boa parte de uma experiência turística memorável não depende necessariamente de grandes atrações. Depende da soma de centenas de pequenos processos que simplesmente funcionam bem.

O horário é respeitado. A informação é encontrada. O serviço é prestado. O ambiente está preparado. A experiência acontece.

Parece simples, mas talvez seja uma das coisas mais difíceis de alcançar em qualquer destino.

4. Tradição e inovação convivendo de maneira absolutamente natural

Poucas imagens representam tão bem essa viagem quanto sair de um templo centenário e, poucos minutos depois, estar diante de uma das experiências tecnológicas mais avançadas do mundo.

Especialmente no Japão, existe uma capacidade fascinante de preservar tradições sem transformar o país em uma espécie de museu do passado.

Templos, cerimônias, gastronomia, arquitetura, costumes e práticas ancestrais continuam vivos enquanto convivem com trens de alta velocidade, robótica, experiências digitais e algumas das empresas mais inovadoras do planeta.

Na Coreia do Sul ocorre algo igualmente interessante. Uma sociedade profundamente ligada à sua história conseguiu construir uma imagem extremamente contemporânea, tecnológica e culturalmente influente.

São países que demonstram que tradição e inovação não precisam disputar espaço. Podem fortalecer uma à outra.

5. Uma gastronomia que é parte essencial da experiência

Comer no Japão e na Coreia do Sul não é apenas uma necessidade durante a viagem. É uma das principais maneiras de compreender esses lugares.

Dos mercados às pequenas casas especializadas, dos restaurantes mais elaborados às lojas de conveniência, existe uma diversidade extraordinária de sabores, ingredientes, técnicas e formas de apresentação.

No Japão, particularmente, impressiona a especialização. Pequenos estabelecimentos podem passar décadas aperfeiçoando praticamente um único prato.

Seul
Seul

Na Coreia, chamam atenção a intensidade dos sabores, a diversidade dos acompanhamentos e a dimensão social da alimentação.

São gastronomias muito diferentes entre si, mas igualmente capazes de demonstrar identidade, história e cultura.

6. O cuidado com os detalhes

Talvez esse seja um dos maiores aprendizados da viagem.

Os detalhes importam.

A embalagem importa. A apresentação importa. A sinalização importa. O atendimento importa. O banheiro importa. A fila importa. A estação importa. A forma como um produto é entregue importa.

Existe uma preocupação permanente com aquilo que muitas vezes consideramos secundário.

E justamente essa soma de pequenas coisas acaba produzindo uma percepção muito maior de qualidade.

Para quem trabalha com turismo e desenvolvimento de destinos, é impossível não voltar dessa viagem questionando quantas vezes buscamos grandes projetos enquanto deixamos escapar aquilo que está nos pequenos detalhes da experiência cotidiana do visitante.

7. A força da cultura como instrumento de identidade e posicionamento

A Coreia do Sul talvez seja atualmente um dos maiores exemplos mundiais da capacidade de uma cultura transformar a imagem de um país.

K-pop, cinema, séries, gastronomia, moda, cosméticos e comportamento conseguiram despertar o interesse de uma geração inteira que passou a desejar conhecer pessoalmente aquele território.

Eu estava viajando para a Coreia justamente porque adolescentes brasileiras haviam criado uma relação com o país milhares de quilômetros antes de chegar até ele.

Isso é absolutamente poderoso.

O Japão construiu algo semelhante ao longo de décadas por meio de sua gastronomia, design, tecnologia, games, mangás, animes e inúmeras manifestações culturais.

A viagem reforçou em mim uma convicção profissional: os destinos mais fortes são aqueles capazes de transformar cultura e identidade em desejo de viagem sem perder sua autenticidade.

8. Uma viagem capaz de aproximar gerações e transformar olhares

Por fim, talvez o ponto mais importante não esteja exatamente no Japão ou na Coreia do Sul.

Está no que esses lugares provocaram em nós.

Fizemos essa viagem porque adolescentes escolheram esses destinos. Foram inicialmente elas que nos conduziram até lá através de suas referências culturais, músicas, artistas, séries, interesses e curiosidades.

E, de alguma maneira, ao longo da jornada, todos passamos a descobrir juntos.

Pais aprenderam com filhos. Filhos descobriram coisas que não estavam nos vídeos e nas redes sociais. Amigos compartilharam experiências. Pessoas com interesses e idades diferentes encontraram algo capaz de surpreendê-las.

Talvez esteja justamente aí a principal diferença entre simplesmente visitar um lugar e viver uma experiência transformadora.

Voltamos diferentes.

Japão e Coreia do Sul me fizeram refletir sobre hospitalidade, cidades, serviços, cultura, turismo, tecnologia, comportamento coletivo e qualidade de vida. Mas também me fizeram pensar sobre família, convivência, curiosidade e sobre como viajar continua sendo uma das formas mais poderosas de ampliar nossa visão sobre o mundo.

Cheguei à Ásia movido muito mais pela escolha da minha filha do que por uma prioridade pessoal de viagem.

Voltei perguntando por que demorei tanto para ir.

E com uma certeza: essa primeira viagem ao Japão e à Coreia do Sul não encerrou uma descoberta.

Apenas começou".

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