Como o Turismo pode gerar novas oportunidades de desenvolvimento regional? Leia artigo
Para Toni Sando, a diversidade de experiências nos destinos pode ser o caminho para descentralizar o setor

O Turismo brasileiro vive um momento de expansão, impulsionado tanto pelo crescimento da chegada de visitantes internacionais quanto pelo interesse dos próprios brasileiros em viajar pelo País. Mas é preciso fazer com que esse crescimento alcance um número cada vez maior de destinos e se converta em oportunidades de desenvolvimento para diferentes regiões.
A diversidade de experiências oferecidas pelo Brasil pode ser um importante caminho para descentralizar o Turismo e gerar novas oportunidades de desenvolvimento regional, de acordo com Toni Sando, presidente da União Nacional de CVBs e Entidades de Destinos (Unedestinos).
No artigo abaixo, ele afirma que levar essa diversidade ao mercado exige estruturação do produto turístico, promoção contínua, conectividade e informação. Confira, abaixo, o artigo na íntegra:
"A força do Turismo brasileiro está na diversidade dos destinos
Por Toni Sando, presidente da União Nacional de CVBs e Entidades de Destinos (Unedestinos)
O Dia Mundial do Turismo, celebrado no último domingo, 27 de setembro, chega em um momento importante para o Brasil. O País vem ampliando sua presença no mercado internacional, enquanto os próprios brasileiros demonstram interesse crescente em conhecer destinos nacionais. Mais do que celebrar números, a data nos convida a discutir como transformar esse movimento em desenvolvimento para cidades, regiões e comunidades.
O interesse crescente pelo Brasil já se reflete no fluxo de visitantes internacionais. Entre janeiro e agosto, o Brasil recebeu cerca de 6,5 milhões de visitantes estrangeiros, segundo dados da Embratur, Polícia Federal e Ministério do Turismo (MTur). O Turismo doméstico também sustenta uma parcela importante dessa atividade. Em 2025, foram registrados 103 milhões de passageiros em viagens domésticas pelo modal aéreo, segundo o Ministério do Turismo e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Para 2026, o planejamento estratégico do MTur estabelece como meta 133,1 milhões de viagens nacionais pelo Brasil.
Os números mostram que existe demanda. O desafio agora é fazer com que esse fluxo alcance mais destinos, que os turistas permaneçam por mais tempo nos territórios e gerem renda para quem vive neles.
O Brasil tem uma oferta que vai muito além dos destinos que historicamente concentram a atenção dos visitantes. Temos Turismo de natureza, cultura, gastronomia, eventos, negócios, sol e praia, wellness, aventura e experiências ligadas às identidades de cada território. Levar essa diversidade ao mercado exige estruturação do produto turístico, promoção contínua, conectividade e informação.
É nesse ponto que o trabalho conjunto dos destinos se torna fundamental. Turismo não se desenvolve de maneira isolada. A articulação entre municípios e regiões, com o compartilhamento de estratégias, dados, experiências e ações de promoção, amplia a capacidade de atrair visitantes e investimentos. Afinal, o viajante não enxerga fronteiras administrativas, mas experiências, rotas e possibilidades de viagem.
Esse movimento precisa caminhar ao lado das políticas públicas. Infraestrutura, mobilidade, conectividade aérea e terrestre, segurança, qualificação profissional, sustentabilidade e promoção são questões que interferem diretamente na decisão de viajar e na experiência de quem chega a um destino.
Conhecer melhor quem viaja pelo Brasil também é fundamental. Neste mês, o Ministério do Turismo iniciou a primeira Pesquisa Nacional de Demanda Turística, que ouvirá cerca de 22,5 mil turistas em 50 municípios das cinco regiões do País. O levantamento permitirá entender quanto tempo o visitante permanece em cada local, quanto gasta, como se desloca, onde se hospeda e como avalia os serviços oferecidos.
Para os destinos, essas informações têm aplicação direta no planejamento. Saber quem é o visitante e como ele se comporta ajuda a identificar oportunidades, orientar investimentos em infraestrutura e qualificação, aprimorar produtos e experiências e tornar a promoção mais direcionada aos públicos com maior potencial de interesse.
Valorizar o Turismo brasileiro passa, portanto, por fortalecer cada destino e, ao mesmo tempo, compreender que todos fazem parte de uma cadeia que se complementa. Em um país de dimensões continentais, ampliar a circulação de brasileiros pelo próprio território e apresentar essa diversidade a um número cada vez maior de visitantes estrangeiros significa distribuir melhor os fluxos turísticos, estimular novas rotas e criar oportunidades para diferentes regiões. Para avançar nesse caminho, é preciso continuidade no planejamento, conhecimento sobre o perfil dos viajantes e articulação entre destinos, iniciativa privada e poder público."