Queda de EUA e Europa e alta de Ásia marcam demanda por viagens no início de 2026
Demanda por viagens internacionais no 1º semestre do ano deve apresentar crescimento geral modesto

A demanda por viagens internacionais no primeiro semestre de 2026 deve apresentar um crescimento geral modesto, com os destinos asiáticos despontando como os principais impulsionadores da intenção global de viagens inspiracionais, de acordo com uma nova análise da Mabrian, empresa global de inteligência de viagens e consultoria em Turismo, parte da The Data Appeal Company.
Sustentada por um aumento geral da capacidade aérea internacional de 5,9% no próximo semestre em comparação com o ano passado, a demanda internacional por viagens inspiracionais apresenta um leve crescimento ano a ano no primeiro semestre de 2026. No entanto, segundo a Mabrian, os padrões de crescimento da intenção de viagem variam significativamente entre as regiões.
Assim como em 2025, o desempenho da Ásia confirma seu papel como o principal motor da inspiração para viagens internacionais, apoiado tanto por destinos consolidados quanto emergentes. O continente lidera o crescimento da demanda global, com o Leste Asiático e o Sudeste Asiático respondendo juntos por 31,7% da participação do mercado mundial de demanda por viagens internacionais.
O Leste Asiático, incluindo destinos como Japão, Coreia do Sul e China, representa 16,3% da demanda internacional inspiracional nos primeiros seis meses de 2026, tendo o Japão como principal impulsionador. Destaca-se que o Japão mantém um crescimento robusto, com a demanda se expandindo cada vez mais além dos portões de entrada tradicionais, alcançando cidades como Fukuoka e Sapporo.
O Sudeste Asiático responde por 15,4% da demanda inspiracional global, liderado pelo Vietnã, que continua sua forte trajetória de crescimento, consolidando sua posição como um destino global de “lista de desejos”, ao lado da Indonésia, Filipinas e Camboja.
Arábia Saudita e Catar ganham participação de mercado

A Ásia Ocidental fortalece sua posição relativa no início de 2026, ganhando participação na demanda mundial: captura 8,9% da demanda internacional total por viagens inspiracionais no primeiro semestre do ano e supera o desempenho do mesmo período de 2025. Destaca-se que os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês) devem aumentar a capacidade aérea internacional em +3,6% nos próximos seis meses, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A região apresenta a tendência de crescimento mais forte em participação relativa de mercado, com Jeddah e Riyadh (Arábia Saudita), assim como Doha (Catar), entre os 10 destinos com maior crescimento de intenção de viagem globalmente, ao lado de Jacarta (Indonésia), Hanói (Vietnã), Ho Chi Minh (Vietnã), Seul (Coreia do Sul), Moscou (Federação Russa), Manila (Filipinas) e Tóquio (Japão).
“Embora regiões tradicionalmente populares continuem a capturar a maior fatia da demanda global por viagens, estamos observando que destinos menos conhecidos e alternativos estão ampliando sua participação de mercado”
Carlos Cendra, diretor de Marketing e Comunicação da Mabrian
Essa evolução é impulsionada pelo crescimento da demanda de mercados emissores emergentes e por uma melhor relação custo-benefício, sinalizando que a demanda inspiracional está se diversificando como nunca antes.
Curiosamente, apesar dos protestos e da instabilidade recentes no Irã, a intenção global de viagens para a Ásia Ocidental e para os destinos do GCC permanece estável no primeiro trimestre de 2026. Uma leve queda na participação de mercado em fevereiro é seguida por uma recuperação em março, que supera marginalmente os níveis do ano passado, evidenciando a resiliência da demanda da região.
Queda em destinos tradicionais

Regiões onde se localizam alguns dos destinos mais visitados do mundo, como o Sul da Europa e a América do Norte, apresentam uma leve tendência de queda na intenção de viagens internacionais para os primeiros seis meses de 2026; declínios semelhantes também são observados no Sul da Ásia e no Norte da Europa.
“O desempenho dessas regiões deve ser analisado considerando que a intenção de viagem se refere ao primeiro semestre de 2026, que abrange as temporadas intermediárias e o início do verão, mas não inclui o pico máximo da temporada de verão, que normalmente impulsiona a demanda nessas regiões”, esclarece Cendra.
Efeito da instabilidade regional afeta o Caribe
Apesar da previsão promissora para o primeiro semestre de 2026, a instabilidade em sub-regiões-chave deve ser monitorada.
Os efeitos das tensões na região do Caribe no início de janeiro devem ser acompanhados no médio e longo prazo, já que os dados indicam que “a intenção de viagens internacionais para o Caribe apresenta um arrefecimento global, especialmente entre os mercados dos Estados Unidos e da Europa”, segundo um porta-voz da Mabrian.
O Índice de Participação de Buscas, baseado nas pesquisas por voos realizadas na primeira metade de janeiro de 2026 para viagens entre janeiro e março de 2026, mostra uma leve queda na participação de mercado global do Caribe em fevereiro e março.

A retração é mais acentuada no mercado dos Estados Unidos entre janeiro e março de 2026, período em que o Caribe perde participação na demanda por viagens emissivas, caindo de 9,1% para 7,6% em relação ao ano anterior, com a queda mais acentuada em janeiro e uma recuperação instável na sequência.
Esse enfraquecimento é impulsionado principalmente pela redução da demanda pelo Caribe mexicano, República Dominicana, Jamaica, Aruba e Caribe colombiano. De forma semelhante, os mercados europeus apresentam uma queda moderada em fevereiro, seguida por uma recuperação parcial que permanece abaixo dos níveis do ano passado.
“A resiliência dos destinos caribenhos será fundamental para recuperar rapidamente a confiança do mercado, especialmente se as condições na região se estabilizarem no curto prazo. Para isso, é essencial que os destinos monitorem a percepção dos mercados emissores e adaptem suas estratégias”, destaca o especialista da Mabrian.