Black Friday: mais de 66% dos brasileiros preferem o crédito parcelado
Frete grátis já tem o mesmo peso que descontos e promoções na escolha da loja; confira outros insights

Quando o assunto é Black Friday, o parcelamento se destaca como preferência entre brasileiros com diferentes faixas de renda, inclusive consumidores com maior poder aquisitivo.
É o que revela o “Raio-X da Black Friday”, estudo da Serasa Experian que identificou que mais de 66% dos brasileiros com maior propensão a comprar na data apresentam preferência pelo crédito parcelado.
Entre os que recebem até um salário-mínimo, o percentual chega a 62,8%, sobe para 67,7% na faixa de um a três salários-mínimos e permanece elevado (63,5%) entre quem ganha mais de dez salários-mínimos.
Embora a preferência pela modalidade de crédito parcelado seja semelhante entre diferentes perfis financeiros, as análises mostram que a jornada de consumo está longe de ser uniforme.
“Percebemos que a jornada da Black Friday se estendeu para além da sexta-feira, o que traz um novo cenário de comportamento tanto para o consumidor quanto para as empresas. Temos um consumidor mais exigente e com perfis diferentes em termos de interesses e condições financeiras. O parcelamento é um exemplo de comportamento que aparece em diversas faixas de renda, mas isso não significa que todos tenham a mesma jornada de compra. Ao conectar informações sobre hábitos de consumo, capacidade financeira, crédito e segurança é que conseguimos compreender essas diferenças e ajudar as empresas a identificar oportunidades mais aderentes a cada público”
Giovana Giroto, CMO da Serasa Experian
Jornada de compra começa antes das promoções
A jornada de compra na Black Friday começa antes da abertura das ofertas, com planejamento e pesquisa de preços. Segundo o levantamento:
- Planejamento: 62% dos consumidores se planejam com antecedência;
- Pesquisa de preços: 61% pesquisam e comparam preços, enquanto 74% acompanham os valores para avaliar se os descontos são reais;
- Lista de compras: 52% elaboram uma lista do que pretendem adquirir;
- Principais interesses: eletrônicos (45%) e eletrodomésticos (40%) lideram, seguidos pela negociação de dívidas (36%);
- Renda extra: 33% já planejam aproveitar o período para gerar renda extra, enquanto 20% ainda consideram essa possibilidade;
- Revenda de produtos: entre os que pretendem gerar renda extra, 32% apontam a compra de produtos em promoção para revenda como principal estratégia.
Usar mais o cartão não significa comprometer mais a renda

As diferenças entre os perfis ficam ainda mais evidentes quando a análise combina movimentação no cartão e comprometimento de renda. Segundo os dados proprietários da Serasa Experian, 78% dos consumidores mais propensos à Black Friday apresentam faturas acima de R$ 500, ante 56% entre os não propensos.
Ao mesmo tempo, o grupo mais propenso apresenta menor comprometimento de renda: 67%, contra 78% entre os não propensos. Ou seja, o que os dados mostram é que o grupo mais propenso apresenta um maior consumo no cartão de crédito, porém, possuem um menor comprometimento de renda.
“Os dados mostram que uma maior movimentação no cartão não significa, necessariamente, maior comprometimento financeiro. Para compreender a capacidade de compra de um consumidor, é preciso olhar para diferentes informações em conjunto – como renda, obrigações financeiras e comportamento de pagamento. É essa combinação que permite uma leitura mais completa sobre como diferentes públicos chegam à Black Friday”, explica Giovana.
Os respondentes da pesquisa de opinião declaram também a relevância das condições de pagamento. Entre os entrevistados, 38% pretendem utilizar Pix à vista nas compras da Black Friday, enquanto 31% mencionam o cartão de crédito parcelado. Já entre os respondentes que pretendem utilizar crédito, 22% consideram aumentar o limite do cartão para aproveitar as promoções e 13% apontam o parcelamento em boleto como uma possibilidade.
Por fim, a pesquisa de opinião acrescenta outra dimensão à análise ao mostrar como o planejamento financeiro influencia as decisões. Embora 81% dos entrevistados afirmem estabelecer um orçamento para a data, 33% admitem não conseguir segui-lo à risca e 43% costumam aproveitar ofertas de produtos que não estavam nos planos. Ao mesmo tempo, 55% preferem abrir mão de uma promoção a assumir uma dívida, enquanto 61% já desistiram de uma compra desejada por restrições financeiras. Já 30% relatam já ter comprometido o orçamento com compras realizadas na Black Friday.
Atratividade das ofertas vai além do preço

A atratividade das ofertas na Black Friday vai além do preço, envolvendo descontos, benefícios adicionais e custos de entrega. Dados da Serasa Experian e da pesquisa de opinião mostram que:
- Afinidade com descontos: 52,8% dos consumidores mais propensos à Black Friday têm afinidade com descontos, ante 29,5% dos menos propensos;
- Renda elevada: entre os mais propensos à data, a afinidade com promoções chega a 69,5% na faixa de cinco a dez salários mínimos e a 66,4% entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos;
- Cupons e cashback: 63% dos entrevistados afirmam que esses benefícios aumentam sua disposição para comprar;
- Escolha da loja: descontos e promoções e frete grátis são igualmente citados por 41% dos consumidores como fatores relevantes;
- Motivos para desistir da compra: frete elevado (30%), preço final acima do esperado (25%) e possibilidade de encontrar uma oferta mais barata em outra loja (24%) são os principais fatores apontados.
“Na Black Friday, o consumidor não está olhando apenas para o percentual de desconto, mas para o valor total que vai pagar no fim da jornada. O fato de frete grátis aparecer com o mesmo peso que descontos e promoções na escolha da loja mostra que não adianta oferecer uma vantagem na vitrine e compensá-la em outra etapa da compra. Custos que surgem no caminho, especialmente no frete, podem mudar a percepção de valor e até levar à desistência. Para o varejo, o recado é que uma boa oferta precisa se sustentar até o checkout, com transparência e uma proposta de valor consistente do início ao fim”, analisa Giovana.
Além da venda imediata, a Black Friday pode representar uma oportunidade de conquistar novos clientes e construir relacionamentos duradouros. Entre os entrevistados, 32% priorizam marcas conhecidas, mas demonstram abertura para experimentar outras opções diante de boas condições comerciais. Já 38% afirmam que voltariam a comprar com frequência de uma marca descoberta durante o período promocional após uma experiência positiva.
Segurança também influencia a decisão de compra
A confiança é outro fator que pode determinar se uma oportunidade se transforma em venda. Segundo a pesquisa de opinião do Raio-X da Black Friday, quase nove em cada dez consumidores (86%) afirmam já ter desistido de aproveitar uma promoção por medo de golpes digitais. Entre as principais preocupações estão os sites falsos, mencionados por 53% dos entrevistados, seguidos por golpes envolvendo Pix (42%) e anúncios fraudulentos em redes sociais (32%).
Os dados da Serasa Experian reforçam a dimensão desse cenário. Na semana da Black Friday de 2025, as ameaças digitais identificadas quase dobraram (+99%) em relação à média semanal das três semanas anteriores, com destaque para o aumento de 147% nos anúncios falsos e de 101% nos perfis falsos.
O risco também acompanha toda a jornada da Black Friday e não se concentra apenas na sexta-feira. Entre a quinta-feira anterior à data e a Cyber Monday de 2025, a Serasa Experian registrou 36.284 tentativas de fraude nas operações analisadas no e-commerce, associadas a aproximadamente R$ 37,4 milhões em valores financeiros. O dado que mais chama atenção é que 74% dessas tentativas aconteceram fora da própria sexta-feira, que concentrou 9.545 ocorrências. O resultado reforça que, assim como o consumidor pesquisa e compra ao longo de diferentes momentos da temporada, a prevenção também precisa acompanhar toda a janela promocional.
Sobre o estudo
O levantamento faz parte do ebook “Black Friday Insights” que traz o Raio-X da data, reunindo análises proprietárias da Serasa Experian sobre comportamento de consumo, propensão à compra, condição financeira, crédito e prevenção à fraude. O estudo utiliza informações da companhia, considerando uma base de 24 milhões de CPFs para análise em relação a Black Friday. O levantamento também contempla uma pesquisa de opinião realizada com 1.480 consumidores em setembro de 2026, oferecendo uma visão abrangente das diferentes dimensões da jornada de compra durante uma das principais datas do varejo brasileiro.
Para acessar o estudo completo, clique aqui.