Beatriz Contelli   |   03/11/2026 18:05

Turismo deve registrar recorde de 1,57 bilhão de chegadas internacionais em 2026

WTM London, que ocorre nesta semana, aponta cinco tendências que vão moldar as viagens nos próximos anos

A busca por experiências em meio à natureza e oportunidades de se desconectar da rotina está entre as principais motivações dos viajantes em 2026
A busca por experiências em meio à natureza e oportunidades de se desconectar da rotina está entre as principais motivações dos viajantes em 2026

Os viajantes estão mais ativos do que nunca em 2026, e as viagens de lazer continuam entre as prioridades dos orçamentos dos consumidores. Segundo relatório apresentado durante a WTM London, que ocorre nesta semana, apesar das instabilidades globais e da pressão sobre o custo de vida, os turistas seguem viajando, mas adaptam seus hábitos e a escolha dos destinos.

De acordo com a entidade, há cinco pontos que resumem as principais tendências que devem moldar a demanda de viagens nos próximos anos:

1. A demanda permanece resiliente

Apesar das interrupções provocadas pelos conflitos entre Oriente Médio e Estados Unidos e da pressão sobre os orçamentos domésticos, o Turismo global está a caminho de registrar novos recordes em 2026. A expectativa é que o crescimento acelere entre 2027 e 2032. O setor agora se recupera de crises em aproximadamente metade do tempo que levava duas décadas atrás.

A WTM London estima que as viagens globais atinjam um recorde de 1,57 bilhões de chegadas internacionais em 2026, alta de 2% em relação ao ano passado. O total de pernoites de visitantes, considerando viagens domésticas e internacionais, deve alcançar 23,9 bilhões, crescimento inferior a 1%. Já os gastos nos destinos devem somar US$ 7,8 trilhões, avanço de 9% na comparação anual.

2. Viagens de curta distância

As viagens de longa distância, mais expostas ao aumento das tarifas e às preocupações com segurança, estão perdendo espaço em 2026, à medida que os viajantes optam por destinos mais próximos. A Europa se destaca nesse movimento. A expectativa é que as viagens de longa distância voltem a crescer em 2027.

Em comparação com 2025, as viagens dentro da mesma região devem crescer 3% em 2026, enquanto os deslocamentos entre diferentes regiões devem registrar uma queda de 3%.

3. Viajantes querem descobrir e recarregar as energias

A busca por descobertas, conexões locais, experiências em meio à natureza e oportunidades de se desconectar da rotina está entre as principais motivações dos viajantes em 2026. Esses interesses podem ser combinados, permitindo que os destinos desenvolvam ofertas capazes de atrair diferentes perfis de público.

Segundo a entidade, 37% dos turistas viajaram para relaxar, ante 31% em 2025.

Wang Xi/Unsplash
Um terço dos viajantes realizou recentemente uma viagem de luxo
Um terço dos viajantes realizou recentemente uma viagem de luxo

4. Viagens de luxo e foco em custo-benefício

A busca por bom custo-benefício ganha cada vez mais importância para muitos consumidores. Ao mesmo tempo, um terço dos viajantes realizou recentemente uma viagem de luxo. Produtos com valor agregado em diferentes faixas de preço e experiências premium podem atender aos dois extremos do mercado.

5. A inteligência artificial está transformando o planejamento de viagens

Quatro em cada cinco viajantes utilizam ferramentas digitais para planejar suas viagens e o uso da inteligência artificial cresce a cada ano. Embora a maioria confie na IA para pesquisar e recomendar destinos e itinerários, menos pessoas (36%) se sentem confortáveis em utilizar ferramentas autônomas de IA para realizar reservas e pagamentos.

O levantamento também aponta que três em cada quatro consumidores consideram as viagens de lazer uma prioridade importante todos os anos, apesar da pressão sobre o custo de vida. Do total de pernoites globais, 69% correspondem a viagens domésticas e 31% a internacionais. Entre as chegadas internacionais, 88% têm finalidade de lazer, enquanto 12% são motivadas por negócios.

Sete regiões, sete cenários diferentes

O crescimento do Turismo apresenta diferenças entre as regiões, à medida que os viajantes de lazer priorizam destinos mais próximos de casa.

América do Norte

A demanda internacional por viagens de lazer permanece moderada após um 2025 fraco. A Copa do Mundo Fifa de 2026 e os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 representam oportunidades para impulsionar o crescimento futuro, à medida que a confiança dos viajantes melhora.

  • 2025–2026: -1%
  • 2026–2027: +5%
  • Média anual de 2027 a 2032: +5%

Europa

A maior região de destino do mundo deve apresentar crescimento mais lento, à medida que a demanda por viagens dentro do próprio continente se normaliza.

  • 2025–2026: +4%
  • 2026–2027: +5%
  • Média anual de 2027 a 2032: +4%
Divulgação/Governo do Estado do RJ
A América Central lidera o crescimento regional
A América Central lidera o crescimento regional

América Latina

A América Central lidera o crescimento regional, impulsionada pela ampliação da conectividade e pela oferta de experiências com melhor custo-benefício para os visitantes.

  • 2025–2026: +5%
  • 2026–2027: +7%
  • Média anual de 2027 a 2032: +5%

Oriente Médio

A região deve passar por um período de retração seguido de recuperação. A queda prevista para 2026 dará lugar a uma trajetória de crescimento robusto e resiliente no longo prazo.

  • 2025–2026: -33%
  • 2026–2027: +48%
  • Média anual de 2027 a 2032: +14%

Ásia

A região será o principal motor do crescimento das viagens internacionais com origem em seus mercados emissores nos próximos cinco anos. Esse movimento será impulsionado, em grande parte, pela normalização das viagens internacionais de chineses e pela expansão dos viajantes da Índia.

  • 2025–2026: +4%
  • 2026–2027: +10%
  • Média anual de 2027 a 2032: +6%

Oceania

A dependência contínua das viagens de longa distância representa, ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade e uma oportunidade de crescimento para a região.

  • 2025–2026: +4%
  • 2026–2027: +11%
  • Média anual de 2027 a 2032: +5%

África

A região desponta como um mercado de alto crescimento a partir de uma base ainda pequena. A expansão futura dependerá da melhoria da conectividade e de maior flexibilidade nas políticas de concessão de vistos.

  • 2025–2026: +8%
  • 2026–2027: +6%
  • Média anual de 2027 a 2032: +4%

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Anhembi Morumbi com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FAAP. Entrou na PANROTAS em 2019, com foco especialmente em Branded Content, e, desde 2024, atua como repórter da redação.