Luiz Felipe Simões   |   24/08/2026 18:51
Atualizada em 24/08/2026 18:52

Nove perguntas para navegar o futuro: Luiz Candreva encerra o TTH Day 2026

Evento reuniu mais de 500 participantes para um dia de aprendizado no Tivoli Mofarrej, em São Paulo


PANROTAS / Emerson Souza
Luiz Candreva, head de Inovação da Ayoo
Luiz Candreva, head de Inovação da Ayoo

Um dos principais futuristas brasileiros, Luiz Candreva, head de Inovação da Ayoo, realizou o keynote de encerramento do Travel Tech Hub Day 2026. Durante a apresentação, o professor da Fundação Dom Cabral e da HSM trouxe para discussão com os participantes perguntas para navegar o futuro.

O executivo destacou que a sociedade passa por uma quebra de paradigma com o avanço da inteligência artificial. Segundo ele, pela primeira vez, os seres humanos deixam de ter o que chamou de "monopólio do pensamento", já que as máquinas passaram a participar de processos que antes eram exclusivamente humanos.

"Até aqui, nós éramos os donos do amanhã. Mesmo com computador, eletricidade, vapor, escrita e papel, nós, humanos, éramos quem criava o amanhã. Agora, a gente começa a ganhar talvez não um copiloto, mas um piloto. Eu nem acho que nós seremos o copiloto. Nós seremos o passageiro"

Luiz Candreva, head de Inovação da Ayoo

As tecnologias que vão mudar o mundo

Em seguida, abordou três novas tecnologias:

  • CRISPR-CAS-P: ferramenta voltada para o design assistido por computador de RNA guia (sgRNA) para edição de genoma;
  • Gene Programming: técnica de inteligência artificial em que o computador cria programas de forma autônoma usando a evolução biológica simulada;
  • Digital Twin: cópia virtual exata de um objeto, máquina ou processo físico, que usa dados reais vindos de sensores para mostrar como o item funciona no dia a dia.

Gêmeos digitais na prática

Candreva voltou ao conceito de gêmeos digitais para mostrar como a tecnologia já pode ser utilizada para testar diferentes cenários antes de implementá-los no mundo físico. Ele citou o exemplo de um supermercado na Alemanha que criou uma representação digital da própria loja e instalou sensores para analisar diferentes configurações e comportamentos dos consumidores.

A tecnologia permitiu testar, virtualmente, diferentes possibilidades de organização do espaço, distribuição dos produtos, localização dos caixas e circulação dos clientes. Entre os testes, foi possível avaliar até mesmo se caixas automatizados ou atendidos por pessoas apresentavam melhor desempenho em determinados períodos.

"Você fez digitalmente, testou um monte de coisas e descobriu que ter mais caixas humanos era melhor em determinada situação"

Luiz Candreva, head de Inovação da Ayoo

Para Candreva, essa lógica pode ser aplicada a diversos segmentos, inclusive ao Turismo. Aeroportos, hotéis e outros equipamentos poderiam utilizar ambientes digitais para testar configurações, fluxos e experiências antes de realizar mudanças físicas.

"Imagina o custo que seria fazer isso em um aeroporto. Você pode testar qual é a melhor configuração, onde o check-in funciona melhor, onde colocar determinado serviço. Você experimenta cada cenário, testa tudo e os dados são comparáveis", afirmou ele.

Segundo o executivo, a possibilidade de realizar esses testes virtualmente representa uma mudança importante na forma como empresas tomam decisões, já que permite experimentar diferentes alternativas antes de investir recursos na implementação física.

Nove perguntas para navegar o futuro

PANROTAS / Emerson Souza
Luiz Candreva, head de Inovação da Ayoo
Luiz Candreva, head de Inovação da Ayoo

Nos últimos anos, Candreva tem se dedicado a adquirir experiências que transformam o olhar sobre o que torna os seres humanos ímpares. Diante disso, o executivo elencou Nove perguntas para navegar o futuro:

  1. Como fica o mundo quando vivermos 300 anos ou mais?
  2. Qual a nossa relação com o tempo?
  3. Qual a reconfiguração de valor quando a terra não valer mais o que valia?
  4. Qual o valor do ser humano em um mundo que não precisa dele para funcionar?
  5. O que faremos quando não formos mais úteis?
  6. Em que mundo viveremos amanhã?
  7. O que acontece quando tudo tem um custo marginal zero?
  8. O que acontece após o capitalismo?

Futuro e longevidade

Candreva destacou ainda que o futuro não deve ser encarado como um único cenário. "O futuro é heterogêneo. O que é futuro para mim pode não ser futuro para vocês. O futuro não é um lugar só."

Nesse contexto, ele defendeu que as empresas ampliem sua capacidade de identificar oportunidades que ainda não são óbvias. No caso de uma rede hoteleira, por exemplo, novas formas de transporte podem criar oportunidades para oferecer experiências diferentes e conectar destinos de maneira mais rápida.

Outro ponto abordado foi a longevidade e os impactos de uma eventual ampliação significativa da expectativa de vida. Para Candreva, essa transformação poderia afetar aspectos como relações pessoais, trabalho, família, consumo, viagens e até a exploração espacial, apresentada como uma possível nova fronteira para o Turismo.

O papel do ser humano diante das máquinas

A partir dessas transformações, Candreva levantou uma questão central para o futuro: qual será o papel dos seres humanos quando determinadas tarefas puderem ser executadas de maneira mais eficiente pelas tecnologias?

Para ele, a discussão não deve se limitar à possibilidade de substituição de profissionais, mas avançar para uma reflexão sobre quais atividades continuarão gerando valor para as pessoas e para as empresas.

"Qual é o nosso papel? Qual é o nosso valor?", questionou. Para Candreva, essa é uma das principais questões que precisam ser enfrentadas diante da velocidade das transformações tecnológicas.

"O futuro não comporta mais simplesmente a nossa opinião e o nosso comportamento. Precisamos olhar para os dados e entender para onde eles apontam"

Luiz Candreva, head de Inovação da Ayoo

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Sobre o autor

Formado em Jornalismo pela ESPM-SP, Luiz Felipe Simões já atuou em diversas áreas da comunicação, da assessoria de imprensa às agências de publicidade. Com passagem pelo Estadão Investidor, o jornalista tem experiência na cobertura de temas como finanças e investimentos. Atualmente, é responsável pela produção de branded contents, pelas redes sociais e por algumas funções de repórter