Laura Enchioglo   |   24/08/2026 17:50

Tecnologia para Turismo: TTH Day apresenta conteúdo para implementar IA nos negócios

Especialistas em tecnologia da Localiza, Blis AI, BRQ e Nuvia foram os palestrantes da trilha Build


PANROTAS / Emerson Souza
Especialistas em tecnologia da Localiza, Blis AI, BRQ e Nuvia foram os palestrantes da trilha mais técnica do evento
Especialistas em tecnologia da Localiza, Blis AI, BRQ e Nuvia foram os palestrantes da trilha mais técnica do evento

Para entender como fazer. Esse foi o mote da trilha Build neste Travel Tech Hub Day 2026, realizado hoje (24), no Tivoli Mofarrej, em São Paulo. Especialistas em tecnologia da Localiza, Blis AI, BRQ e Nuvia foram os palestrantes da trilha mais técnica do evento, com uma proposta de aprofundar o como fazer.

Apresentando um contexto histórico, Andre Petenussi, CTO da Localiza, destacou que a inteligência artificial não é algo novo. A diferença é que, nos últimos três anos, a IA generativa trouxe novas possibilidades de utilização da tecnologia.

"As IAs generativas são uma tecnologia de propósito geral e possuem três grandes características: capacidade de serem usadas amplamente, de se aperfeiçoarem tecnicamente de forma contínua e de gerarem inovações complementares. Outros exemplos são os computadores, celulares ou até a lâmpada. Tecnologias que chegaram e transformaram a sociedade"

Andre Petenussi, CTO da Localiza

Agora, Petenussi destacou que a GenAI vai impactar uma série de novas áreas da sociedade em uma velocidade muito maior do que outras tecnologias, da lâmpada à internet.

Pensando nesse contexto, a trilha Build apresentou diversas formas de se apossar da IA na empresa. Confira os destaques:

Inteligência Artificial: aprendizados e resultados

PANROTAS / Filip Calixto
Andre Petenussi, CTO da Localiza
Andre Petenussi, CTO da Localiza

É verdade que a sociedade está passando por um ponto de inflexão em inteligência artificial. Hoje, 79% das empresas utilizam IA em pelo menos uma função de negócio, mas apenas 7% das organizações introduziram a tecnologia amplamente em todo o negócio.

Os resultados na produtividade ou até em cifras são mais difíceis de identificar, mas conforme explicou Petenussi, essa é ainda uma realidade muito recente.

Por isso, quando se fala em grandes empresas, e em transformar a IA em uma musculatura robusta, o desafio é grande.

O executivo então apresentou os quatro pilares que sustentam a jornada de IA na Localiza, implementados não apenas no time de tecnologia como em todos os setores da companhia.

Como sustentar a jornada de IA em uma empresa

  • Agentic SDLC

O primeiro pilar está relacionado ao fluxo de desenvolvimento de software. O objetivo foi transformar o modelo operacional do Localiza Labs em AI-First de ponta a ponta, integrando a IA generativa ao ciclo completo de desenvolvimento de software. Nesse contexto foi criada a GAIA, plataforma agêntica de engenharia construída pela Localiza, que sincroniza stacks e skills e orquestra agentes ao longo do SDLC.

  • Process Reimaginations

Para o executivo, a IA permite que processos sejam reimaginados e reinventados. Com a proposta de oferecer experiências hiper personalizadas, impulsionar o crescimento, alcançar eficiência, produtividade e acelerar a tomada de decisão, a Localiza criou alguns agentes como a Liza, assistente virtual.

"O projeto começou com reservas e hoje já está presente em outros processos da empresa. Foi uma revolução dentro da companhia, sem abrir mão da qualidade e permitindo direcionar aos funcionários as situações em que são necessárias atuações mais complexas", apontou.

  • Modern Workplace

O terceiro pilar busca fazer com que todos os colaboradores sejam empoderados por uma série de ferramentas para trabalhar de uma forma diferente. Segundo Petenussi, a Localiza possui 24 mil funcionários e diferentes tecnologias de IA cruzando toda a organização.

"O objetivo não é apenas destravar aquilo que gera atrito, mas habilitar a companhia inteira para uma nova forma de trabalhar", disse.

  • New Distribution Channels

Novas tecnologias permitem novos canais de distribuição. Para Petenussi, esse movimento força as empresas a estarem presentes em diferentes espaços.

"A Localiza quis garantir que estivesse presente digitalmente nos lugares em que seus clientes estão. Por isso, habilitou o aplicativo da Localiza no ChatGPT e no Gemini. E mais recentemente introduziu anúncios no ChatGPT", finalizou.

Contratando um trabalhador digital: um guia prático

PANROTAS / Filip Calixto
Daniel Braz, CTO da BRQ
Daniel Braz, CTO da BRQ

Daniel Braz, CTO da BRQ, apresentou através de um guia prático com cinco passos como contratar (ou também construir) um trabalhador digital. A ideia, segundo o especialista, é que a empresa esteja, de fato, contratando um funcionário ao construir um trabalhador digital.

"Ele funciona muito para entregar um resultado que se repete, operando a função ao lado de um humano. Por isso, a construção não deve ser pensada simplesmente como o desenvolvimento de uma ferramenta, como a contratação de uma pessoa, que necessita também de integração"

Daniel Braz, CTO da BRQ

Para tanto, ele destacou como é importante deixar alguns elementos bem definidos, como quem será o chefe, quais os resultados esperados, como será o acompanhamento do agente e por aí vai. Como, de fato, um funcionário.

No exemplo dado por Braz, ele construiu de forma simples um trabalhador digital chamado Lia, que apresentava roteiros para um passeio de um dia na cidade de Lisboa.

Turismo Inteligente: IA para atrair, vender e reter

PANROTAS / Emerson Souza
Arthur Sorelli, CRO da Nuvia
Arthur Sorelli, CRO da Nuvia

A discussão apresentada por Arthur Sorelli, CRO da Nuvia, partiu de uma pergunta: quantos clientes foram perdidos na última semana porque não foi possível atender?

Sorelli destacou como o cliente mudou de canal nos últimos anos. Hoje, o Whatsapp é um canal importante, em que estão 147 milhões de brasileiros, sendo 97% usuários diários da plataforma. Ao mesmo tempo que é uma oportunidade, surge também um problema: respostas rápidas, informações em tempo real.

"Em uma sociedade ansiosa, ficar horas sem resposta é difícil. Responder em até cinco minutos aumenta em 21 vezes as chances de conversão da venda. Por isso, é preciso atender no momento em que o cliente quer, entender o que ele procura e guardar os dados dessa interação. É para isso que a IA pode ser uma opção para entregar escala, sem deixar de lado o empoderamento da equipe, que precisa sempre estar atenta e capacitada"

Arthur Sorelli, CRO da Nuvia

A IA chega, então, para trabalhar em três momentos: atração, vendas e retenção de clientes.

Onde usar a IA

  • Qualificação
    • A IA pode identificar quem quer viajar, entender datas e coletar as informações necessárias, com o objetivo de entregar um lead pronto de acordo com a especificidade de cada viagem.
    • "O processo não é fixo, mas contextual. Para entender melhor o que o cliente quer, a IA identifica quais informações são necessárias e conduz a conversa. Ela também entende que nem todo contato é de um cliente que deseja comprar. A IA pode ajudar a compreender quem está apenas 'olhando' e quem realmente tem intenção de compra. Neste segundo caso, pode aquecer o cliente para que depois o atendimento seja mais sofisticado", explicou.
  • Prospecção
    • Segundo Sorelli, a próxima venda pode estar na base que a empresa já possui.
    • Por isso, a IA pode reativar quem já viajou e desapareceu; oferecer novos destinos no momento certo; e prospectar novos viajantes sem aumentar o time.
  • Atendimento e suporte
    • É verdade que o viajante não escolhe a hora em que precisará de ajuda. Por isso, é uma ferramenta importante, segundo Sorelli, para responder dúvidas 24 horas por dia, sete dias por semana, sem depender exclusivamente de plantão.
    • "Também pode resolver alterações, fornecer informações e esclarecer dúvidas relacionadas às viagens, transferindo o atendimento para um humano somente quando necessário", apontou.

Como implementar IA na prática

O processo pode seguir algumas etapas:

  • Definir qual jornada se deseja operar;
  • Escolher um ou dois casos de uso;
  • Integrar WhatsApp, CRM e IA;
  • Dar contexto de negócio ao agente;
  • Testar, medir e escalar.

Mas Sorelli reforçou como é importante entender que a IA não arruma processos. "Ela apenas deixa mais claro aquilo que já existe. Todo processo precisa ser validado. É importante olhar para o próprio negócio, entender o fluxo existente e implementar a IA nos pontos em que há oportunidades dentro da empresa", disse.

IA nas viagens corporativas

PANROTAS / Emerson Souza
Rafael Cohen, CEO da Blis AI
Rafael Cohen, CEO da Blis AI

Rafael Cohen, CEO da Blis AI, iniciou sua fala apresentando um paradoxo pouco comentado no segmento de viagens corporativas: 90% dos gestores de viagens dizem que já utilizam IA, mas 58% afirmam que a tecnologia teve pouco ou nenhum impacto.

Para ele, isso não significa que escolheram a ferramenta errada, mas que o problema está no local em que ela foi aplicada. Neste sentido, ele apresentou como a IA pode ajudar na jornada do viajante, diminuindo gargalos comuns no setor de viagens corporativas.

IA aplicada antes da viagem

Um dos gargalos comuns nas viagens corporativas é a demora para a cotação via e-mail. A IA pode atuar neste momento da seguinte forma: lê o pedido > busca e monta opções reais > aplica a política > escreve > consultor assina e decide.

"Nesse cenário, o consultor muda de posição. Em vez de executar todo o processo, passa a analisar e decidir se aquela cotação faz sentido ou não"

Rafael Cohen, CEO da Blis AI

A inteligência artificial também pode ser utilizada para aplicar a política da empresa. Segundo Cohen, a aplicação aumenta quando existe uma IA no processo, passando de 76% para 93&.

IA aplicada durante a viagem

Com uma IA no processo, o imprevisto também pode passar a ser previsto. "Ela consegue analisar possíveis atrasos e oferecer alternativas, como remarcações, melhorando ainda mais a experiência do viajante", destacou.

Neste sentido, é importante contar com uma base multiagente, formada por agentes especialistas, um supervisor, conexão com a base da empresa e uma saída para o atendimento humano.

"Quando essa transferência acontece, da IA para a pessoa, é importante que o humano receba também o contexto da interação, já que a IA não será capaz de solucionar tudo", apontou.

IA depois da viagem

Um outro gargalo que a inteligência artificial pode atuar, dessa vez no pós-viagem, é compilar os bilhetes não voados e propor trocas.

Além disso, as fraudes hoje em dia também utilizam IA. Por isso, a tecnologia precisa estar presente no processo de prevenção, analisando comprovantes e recibos, por exemplo.

Confiança continua sendo fundamental

Apenas 24% dos viajantes confiam em recomendações feitas exclusivamente por IA. Este dado aponta, segundo Cohen, que a agência precisa ter a sua própria IA, mas os viajantes não necessariamente realizarão uma compra apenas por meio de uma inteligência artificial.

"A compra exige confiança e governança, algo encontrado nos sites de terceiros. Assim, a jornada pode começar no ChatGPT, por exemplo, mas a compra será realizada no Booking", finalizou.

Patrocinadores Travel Tech Hub Day 2026

Argo Solutions, Benner, Blimboo, Blis AI, Clara, Copastur, CVC Corp, Flash, Fynt, HotelDO, Itaipu Parquetec, Jeeves, Lemontech, Ligai, Mobility, PassHub, Rhino, Smartlink e Vale Pay. Apoio do Tivoli Mofarrej.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, Laura Enchioglo é repórter na PANROTAS, onde entrou como estagiária em 2023. Tem experiência em assessoria de imprensa e na cobertura de economia e finanças.