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Da Redação   |   15/01/2016 17:14

Artigo: especialista analisa pontualidade das aéreas; leia

Apesar do cenário econômico desafiador, o Brasil vive um momento muito especial em matéria de desempenho operacional na indústria aérea. Considerando os atrasos de até 15 minutos, 85% dos voos domésticos no país decolaram no horário em 2014, superando o já satisfatório índice de 84% alcançado no ano

PANROTAS / Emerson Souza
Um Brasil pontual

Apesar do cenário econômico desafiador, o Brasil vive um momento muito especial em matéria de desempenho operacional na indústria aérea. Considerando os atrasos de até 15 minutos, 85% dos voos domésticos no país decolaram no horário em 2014, superando o já satisfatório índice de 84% alcançado no ano de 2013, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Os números de 2015 vão apontar nova evolução.

É notável que esses resultados foram alcançados no terceiro maior mercado aéreo doméstico do mundo, uma posição que o Brasil conquistou depois de criar um novo patamar de consumo interno e reduzir consistentemente o preço das passagens. A política de liberdade tarifária foi decisiva para triplicar a quantidade de viagens aéreas domésticas e fazer crescer em 170% o número de passageiros nos aeroportos do país nos últimos 12 anos.

No mercado global, os Estados Unidos ainda são o exemplo para ilustrar uma indústria madura e consolidada. Enquanto lá operam 220 mil aeronaves, 660 mil pilotos, 15 mil aeroportos e 832 milhões de passageiros, segundo dados do DOT (Department of Transportation), no Brasil as operações somam 19 mil aeronaves, 22 mil pilotos, 4 mil aeroportos e 100 milhões de passageiros.

Apesar de realidades tão distantes, a pontualidade no Brasil teve um resultado superior até mesmo ao dos Estados Unidos, o maior mercado aéreo do mundo, que registrou pontualidade média de 78% em 2014.

Essa excelência em pontualidade no Brasil tem suas motivações. Algumas concessões à iniciativa privada nos últimos dois anos garantiram investimentos em infraestrutura, sobretudo no período pré-Copa, que ajudaram a melhorar as condições gerais de alguns aeroportos importantes.

Outro trunfo de toda a indústria aérea nacional tem sido o trabalho coordenado e estrategicamente mais próximo de todas as companhias aéreas com o CGNA (Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea), órgão subordinado ao DECEA (Departamento do Controle do Espaço Aéreo), do Comando da Aeronáutica, que tem como missão a harmonização do gerenciamento do fluxo de tráfego aéreo, do espaço aéreo e das demais atividades relacionadas com a aeronavegação, por uma gestão operacional das ações correntes do SISCEAB (Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro).

O passageiro brasileiro mais frequente conviveu recentemente com aeroportos em obras para construção de novos terminais, novas pontes de embarque, pátios para mais aeronaves, sinalização mais eficiente e simplificada, mais vagas para estacionamento de carros, entre outras. No entanto, os primeiros investimentos

advindos dessas concessões repercutiram apenas em abril de 2015, na Pesquisa de Satisfação do Passageiro, coordenada pela Secretaria da Aviação Civil (SAC). Pela primeira vez, a pesquisa apontou que, dos 15 aeroportos avaliados, dez foram classificados com nota acima de quatro (em uma escala de um a cinco). Nunca antes a média dos aeroportos brasileiros havia ultrapassado a nota 4 na opinião dos próprios usuários do modal aéreo.

Na mesma velocidade do mercado, é preciso observar como aplicativos mobile e ferramentas de check-in antecipado ou automático, que dispensam a impressão de cartões de embarque, estão permitindo que os clientes de todo o país economizem até 50% do tempo gasto nos saguões dos aeroportos. No Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, onde prevalece um público viajante corporativo, o percentual de utilização do autoatendimento já é de 60%.

Para os próximos anos, o caminho para manter altos índices de pontualidade deve consistir em aprofundar o investimento prioritário em infraestrutura e tecnologia, e manter o trabalho coordenado entre todos os agentes do setor. Investir em infraestrutura aeroportuária e em novas tecnologias de aeronavegabilidade vai permitir ao Brasil manter a excelência em pontualidade e alcançar patamares ainda superiores de eficiência operacional.

Em 2015, o país somou cerca de 1,8 mil horas de fechamento de aeroportos por razões meteorológicas que provocam atrasos, cancelamentos e voos alternados (aqueles que pousam em aeroportos diferentes do destino original) e que geram um efeito cascata em todo o sistema, congestionando aeroportos e o tráfego aéreo, e consequente insatisfação dos passageiros. Além deste impacto, as empresas aéreas também incorrem em gastos adicionais com combustível de aviação, horas extras de funcionários, hospedagem, alimentação e transporte.

Outro desafio para o futuro consiste em encontrar uma metodologia confiável para medir de forma uniforme a eficiência da indústria aérea brasileira. Hoje, a Anac mede a pontualidade das empresas nacionais considerando os atrasos de decolagem acima de 15 minutos, aplicando um mesmo peso para operações domésticas e internacionais. A Infraero utiliza inspetores nos pátios para medir os atrasos superiores a 30 minutos nas decolagens, mas não considera no cálculo os dados de aeroportos como Guarulhos, Viracopos e Natal, já concedidos à inciativa privada. No exterior, a consultoria FlightStats publica relatórios mensais, considerando atrasos acima de 15 minutos no pouso e diferentes pesos para avaliar o desempenho de companhias de alcance global e regional.

Um setor aéreo ainda mais pontual e eficiente tem o poder de beneficiar todos – passageiros, companhias aéreas, concessionárias e setor público. Longe do glamour do passado, o que pode fazer a diferença na vida dos viajantes no Brasil

de hoje é, além da segurança em todos os momentos, a confiança absoluta em um sistema que funciona sempre e com os mais altos níveis de excelência.

Samuel Di Pietro é diretor do Centro de Controle de Operações Aéreas da Tam Linhas Aéreas

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