Artigo: sua profissão existirá daqui a 10 anos?

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Com os avanços tecnológicos, é muito difícil determinar se o que temos hoje será da mesma forma daqui a dez anos. Dentre algumas das dúvidas, as atividades profissionais são as que mais preocupam. Não se trata somente dos trabalhadores industriais, que nos últimos anos estão sendo gradativamente substituídos pela automação, pois mesmo as profissões especializadas, que requerem muito estudo, passarão por mudanças profundas nas próximas décadas. O que já se observa, e tendem a aumentar, são que muitas delas estão fadadas a ficar cada vez mais restritas a um menor número de profissionais – ou mesmo a se extinguirem.

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Enquanto na década passada o iPhone, primeiro smartphone do mercado, não existia, atualmente é possível fazer praticamente tudo a partir de simples aplicativos de celulares. Fundamentado em tal panorama, foi possível perceber a criação de carreiras por conta de tal mudança – como também o fim de outras. De compras on-line a transações bancárias, tudo se tornou possível apenas em alguns cliques.

Embora para a sociedade em si tais mudanças sejam muito boas – visto que melhores serviços e produtos a preços mais competitivos serão oferecidos –, quem hoje desempenha tais funções deverão se reinventar e buscar novos caminhos profissionais. E, obviamente, o processo não será simples. A cada dia, os exemplos destas mudanças e impactos nas atividades profissionais se tornam mais abundantes.

De acordo com pesquisas realizadas pela Universidade de Oxford, metade dos atuais empregos corre o risco de ser automatizado por máquinas. Ainda segundo o levantamento, o “aprendizado de máquina” permite que as novas tecnologias assimilem e coloquem em prática coisas que seres humanos fazem – e muitas vezes levaram anos para aprenderem. Algoritmos são capazes de emitir relatórios financeiros, corrigir redações de estudantes do ensino médio e até mesmo diagnosticar doenças. É praticamente impossível para o ser humano competir com a inteligência artificial, que é capaz de realizar tarefas frequentes e volumosas em poucos minutos.

No entanto, o que nos diferencia das máquinas, e também é capaz de tornar no nosso trabalho mais qualificado, é a habilidade de conectar ideias aparentemente díspares para resolver problemas nunca antes enfrentados. Um exemplo interessante foi a criação do forno micro-ondas, quando um físico que trabalhava com radares durante a Segunda Guerra Mundial, a partir da observação de que o magnetron era capaz de derreter sua barra de chocolate, foi capaz de associar conhecimentos totalmente distintos como radiação eletromagnética e culinária.

São nítidos os benefícios que as inovações tecnológicas trarão à sociedade, embora o ambiente profissional será afetado de maneiras diferentes. Mesmo hoje já é visível que tarefas repetidas, mesmo as relacionadas a conhecimentos específicos profundos, poderão ser trabalhadas por máquinas e algoritmos, com alta qualidade e custos mais baixos. Entretanto, a criatividade, inovação e instinto de sobrevivência poderão reinventar carreiras e novas atividades profissionais.

*Ney Silva é consultor e sócio da Corall


*Fonte: Exame

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