ECONOMIA E POLÍTICA

CNC analisa impacto da economia colaborativa em estudo

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Marluce Balbino
A Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC) realizou no ano passado uma série de debates sobre as consequências da economia colaborativa para o setor de viagens.

O resultado disso pode ser visto no estudo Impactos da Economia Colaborativa, lançado hoje pela entidade. Apresentado em primeira mão no Fórum PANROTAS, o material reúne um compilado de opiniões de especialistas do setor, com foco em hospedagem.

Representante do setor privado, o presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), Manuel Gama, assinala que modelos como o Airbnb atuam diretamente como concorrentes da hotelaria tradicional.

Segundo ele, a distribuição digital da empresa de hospedagem alternativa no Rio de Janeiro se divide em: shared room (3,1%), private room (26%) e entire room (70,9%). Em São Paulo, a porcentagem se divide, na ordem apresentada, em 4,5%, 48% e 47,5%, respectivamente.

O dirigente endossa a voz de entidades e empresários do setor, que clamam pela regulamentação desse tipo de serviço. “A localização da oferta do Airbnb não está fora das áreas hoteleiras [...] Se os impostos que a hotelaria carrega são diferentes, é lógico que os preços do Airbnb também se apresentem mais vantajosos”, declarou.

A TECNOLOGIA
As transformações tecnológicas impactam diretamente a hotelaria mundial. Quem comprovou tal afirmação foi o repórter do Skift, Dan Peltier. Ele apontou os destinos serão mais valorizados por meio de plataformas de compartilhamento. Empresas como a Booking e a já citada Airbnb são referências nesse segmento.

De acordo com o portal norte-americano, o consumidor passa em média dois meses para pesquisar viagens, geralmente em smartphones. O conteúdo compartilhado em redes sociais como Facebook (83%), Instagram (55%) e vídeos on-line (42%) têm poder de decisão na escolha de um destino.

"Vejo o Brasil com grandes oportunidades para marcas da economia compartilhada. Na verdade, existe uma correlação muito forte entre viagens de negócios e o sucesso de algumas dessas plataformas. Então, esse também é um grande nicho."

O Rio de Janeiro, segundo estudo apresentado, é o quarto maior mercado global do Airbnb, atrás apenas de Paris, Londres e Nova York.

UM CLIQUE, UM PRATO
A violência no Rio de Janeiro tem influência direta no setor de alimentação, como apresentado em painel no último ano. Os consumidores têm deixado de ir a restaurantes à noite e optam, por exemplo, por aplicativos de entrega de comida, como o Ifood.

Os empreendimentos sofrem com a baixa e com aluguel mensal, mas essas facilidades geram uma contribuição positiva para o setor. O vice-presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (Sind Rio), Pedro de Lamare, vê com bons olhos o pedido de uma refeição em poucos cliques.

“O aplicativo Ifood alavanca em 40% o movimento de um restaurante, sem aumentar o custo de mão de obra, o que sempre geralmente um impacto muito alto para qualquer empresa”, declarou ele, que inscreveu seu restaurante, o Gula Gula, no serviço e se disse surpreso com o resultado.

Por outro lado, o desemprego que assola o Brasil abre oportunidades para o crescimento do comércio informal nas ruas, como as barracas de comida, segundo a CNC. A associação pede maior fiscalização para que seu setor não seja tão prejudicado.
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