Artur Luiz Andrade   |   15/04/2010 11:23

Presidente da Abav declara guerra à Iata e pede que agências se desfiliem , pois Iata "é intransigente com os agentes"

"Por que as agências de viagens devem continuar filiadas a uma associação que só representa o interesse unilateral das companhias aéreas e que só tama medidas contra os agentes de viagens?", pergunta o presidente da Abav Nacional, Carlos Alberto Amorim Ferreira

"Por que as agências de viagens devem continuar filiadas a uma associação que só representa o interesse unilateral das companhias aéreas e que só toma medidas contra os agentes de viagens?", pergunta o presidente da Abav Nacional, Carlos Alberto Amorim Ferreira, referindo-se à Iata, associação que representa empresas aéreas de todo o mundo. Segundo ele, pagar US$ 120 por ano à Iata, para não ter seus interesses sequer analisados, não faz sentido.

Esse é mais um capítulo na difícil relação das agências de viagens com as empresas aéreas. A Abav, que negocia com as aéreas uma nova forma para a taxa DU, que ainda depende de parecer da Anac sobre sua legalidade, quer mostrar que as agências e as entidades estão unidas e agora decidiu partir para uma ação mais concreta em relação à Iata.

Em artigo para o Portal PANROTAS (leia abaixo), Kaká pergunta: "nós, agentes de viagens, podemos esperar alguma ação em nosso favor da Iata, uma associação de empresas aéreas?" "Imagino que todos concordem que a resposta é não. Para constatarmos isto, basta analisarmos o resultado de todos os pleitos feitos à entidade ao longo dos anos", conclui.

"A intransigência e incompreensão da Iata para com os agentes de viagens reinam absolutas. Sinto que ainda vivemos na era da ditadura", continua ele. "Paralelamente a isso, as companhias aéreas criam inúmeras taxas a seu bel prazer, como taxas de segurança, combustível etc. E também multas e penalidades para trocas de reservas ou reembolsos, mas não preservam nossa comissão no reembolso do cartão de crédito".

A Abav estima que cerca de duas mil agências de viagens sejam filiadas à Iata. A Abav quer liderar esse movimento nos próximos meses, para que as agências não renovem sua licença com a Iata. A emissão do aéreo seria feita, por exemplo, via consolidadores.

Leia e comente artigo abaixo:

"Por que ser Iata?

Antes de dissertar sobre a pergunta acima, faço outra: nós, agentes de viagens, podemos esperar alguma ação em nosso favor da Iata, uma associação de empresas aéreas? Imagino que todos concordem que a resposta é não. Para constatarmos isto, basta analisarmos o resultado de todos os pleitos feitos à entidade ao longo dos anos.

Criaram o BSP a fim de padronizar todos os procedimentos de recolhimentos, pagamentos e reembolsos, dentre outros, de todas as companhias aéreas, alegando simplificação do processo e benefícios para ambos os lados. Entretanto, o cumprimento das regras só foi exigido das agências de viagens. As companhias aéreas continuaram seguindo o procedimento padrão de suas matrizes, contrariando, em favor de seus próprios interesses, a decisão da associação que as representa.

Depois, decidiram que o pagamento do relatório deveria ser semanal, ao invés de decendial, defendendo que a medida iria padronizar toda a região das Américas, com exceção dos Estados Unidos, que traria melhorias no fluxo de caixa e que diminuiria o risco de inadimplência.

Não posso falar pelas companhias aéreas, mas garanto que, para as agências de viagens, essa medida imposta só gerou aumento no custo operacional. A tão desejada unificação das Américas não aconteceu, uma vez que muitos Estados brasileiros conseguiram manter o prazo de dez dias com ações na justiça. O volume de emissão por meio de cartão de crédito, que corresponde a aproximadamente 50% do faturamento, tem prazo para recebimento de 30 dias e um custo adicional de quase 3% pagos às administradoras. Além disso, o próprio BSP declara que a inadimplência é mínima. Contraditório, não?

Evidenciamos esse raciocínio lógico à Iata no ano passado, durante a reunião da APJC com representantes das empresas aéreas, que, pela primeira vez, concordaram em submeter o assunto a suas matrizes durante a Conferência (PaCong) para deliberação. Mas bastou um voto contrário para que o assunto fosse novamente engavetado, o que, para as empresas aéreas, é uma posição muito cômoda.

Agora, mais uma novidade: alegando ser prática comum e prevista nas resoluções, a Iata está exigindo carta fiança durante o processo de revisão financeira para todas as agências de viagens credenciadas. Não fazem nenhuma distinção entre as agências que existem há anos e sempre estiveram em dia com seus pagamentos e aquelas que apresentaram atrasos ou estiveram em débito.

A cobrança da fiança como garantia de possíveis problemas futuros não é legítima e acaba por penalizar aquelas que sempre honraram com seus contratos. Além disso, que garantia recebemos das empresas aéreas, que também têm riscos de quebra ou falência? Nenhuma. E seria ingenuidade nossa esperar algo do gênero de uma associação de empresas aéreas. A intransigência e incompreensão da Iata para com os agentes de viagens reinam absolutas. Sinto que ainda vivemos na era da ditadura.

Paralelamente a isso, as companhias aéreas criam inúmeras taxas a seu bel prazer, como taxas de segurança, combustível etc. E também multas e penalidades para trocas de reservas ou reembolsos, mas não preservam nossa comissão no reembolso do cartão de crédito.

Então, por que ser Iata? Para nós, para que serve a Iata? Para que pagamos uma anuidade de US$ 120 (cento e vinte dólares)?

Se alguém alegar que ser associado à Iata é importante para garantir nosso comissionamento, rebato dizendo que, se a questão for essa, temos inúmeras alternativas. Não entendam aqui que estou favorecendo ou defendendo os “grandes”, como alguns podem dizer. É apenas uma questão de lógica matemática.

Se duas mil agências deixarem de pagar a anuidade, serão menos US$ 240 mil nos cofres da Iata. E quando começar a sentir no bolso os efeitos de não respeitar os agentes de viagens, de não se importar com a classe, talvez mude seu ponto de vista e seu modo intransigente de ser. Com isto, estaríamos aumentando, de quebra, o custo comercial das companhias aéreas, uma vez que teriam que pagar também comissionamento aos consolidadores.

Podemos ainda fazer o máximo para que a emissão dos bilhetes aéreos seja feita via cartões de crédito. Assim, as empresas aéreas teriam de pagar taxas às administradoras e ainda demorariam 30 dias para receber o valor devido.

Não acredito ou apoio boicotes junto às companhias aéreas, até porque não podemos deixar de atender o cliente e oferecer a ele a melhor opção e a melhor relação custo/benefício. Mas, se fizermos o que proponho acima, estaríamos atingindo a Iata e, de antemão, suas associadas. Não são elas que tentam nos massacrar o tempo todo, reduzindo nossa comissão com vistas à diminuição dos custos financeiros?

O que sugiro é um movimento simples, mas abraçar essa causa e deixar de contribuir com uma associação que defende apenas e tão somente as empresas aéreas é uma decisão comercial de cada empresa.

Sempre escuto que ninguém imagina a força de nossa classe. Mas será que nós mesmos conhecemos o poder de nossa união? É chegada a hora de testarmos. Eu estou na luta. Quem me acompanha?

Carlos Alberto Amorim Ferreira é presidente da Abav Nacional, entidade que congrega 3,4 mil agências de viagens em todo o País.

E-mail: presidencia@abav.com.br.

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Sobre o autor

Artur Luiz Andrade é editor-chefe da PANROTAS, jornalista formado pela UFRJ e especializado em Turismo há mais de 30 anos.