Agora que tem Cheta, Azul deve desvendar planos

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A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) emitiu o Certificado de Homologação de Empresa de Transporte Aéreo (Cheta) para a Azul Linhas Aéreas. Esta é a última etapa antes da assinatura do Contrato de Concessão, que torna uma empresa apta a iniciar as operações. A Anac informa que está finalizando as últimas análises sobre a companhia e o contrato será encaminhado para votação pela diretoria da agência nas próximas semanas.

Falta agora saber o que todo mercado ansiosamente aguarda: os planos de rota e comercialização da Azul. Até agora sabe-se muito pouco dos planos da empresa de David Neeleman, além das teorias de mercado que ele vem expondo desde o anúncio da companhia. Sabe-se que ela quer se diferenciar e a contratação de um presidente vindo do varejo, Pedro Janot, aponta para algo diferente e focado no público; por outro lado, o fato de ter Antonio Américo (ex-Varig) como gerente de Vendas mostra que não vai abandonar o lado tradicional, de venda via trade. Ao mesmo tempo que diz que vai criar novas rotas, a Azul também está de olho em Congonhas e outros aeroportos nobres, tendo pedido, inclusive, que as autoridades revejam as restrições em terminais como o Santos Dumont, que hoje só recebe a Ponte Aérea.

Em meio a uma crise internacional e com Tam e Gol com cerca de 95% de mercado, é com grande expectativa que o mercado aguarda a Azul. Já houve boatos de que Neeleman estaria interessado em comprar a Gol, que passou por momentos difíceis depois da compra da Varig, o que parece estar sendo resolvido só agora. Já houve outros tantos rumores, mas na próxima semana parte do mistério deve ser desvendado.

A Azul deu entrada no pedido de Autorização de Funcionamento Jurídico na Anac no dia 12/03/2008 e cumpriu a exigência no dia 18/06 (Decisão nº 240, publicada nesta data no Diário Oficial da União).

A obtenção do Cheta foi mais demorada. A empresa teve de passar, como é previsto, pela aprovação da Anac em todos os detalhes de sua operação: configuração das aeronaves utilizadas, treinamento da tripulação, treinamento da equipe em solo, plano de segurança, e até mesmo os uniformes da tripulação – para que atendam aos padrões internacionais de segurança. O processo culmina no vôo de avaliação, em que inspetores da Anac testam os procedimentos da companhia no embarque e em pleno vôo, simulando situações de emergência como uma necessidade de pousar em outro aeroporto por questões metereológicas, uma hipotética falha no motor ou ainda uma simulação de passageiro sentindo-se mal a bordo, tudo para verificar se a companhia está treinada e preparada para lidar com esses casos. O vôo de avaliação da Azul ocorreu no dia 6/11 e o Cheta foi emitido dia 7/11/2008 pela Anac.

O próximo passo será a assinatura do Contrato de Concessão, para que a empresa possa operar e explorar o serviço de transporte aéreo no Brasil. O documento deverá ser votado em reunião da diretoria colegiada nas próximas semanas. As reuniões ocorrem todas as terças-feiras. Publicada a decisão no Diário Oficial da União, a empresa terá 30 dias para assinar o contrato – somente após essa formalização é que uma companhia pode explorar comercialmente os serviços, ou seja, solicitar à ANAC as rotas que pretende operar e iniciar a venda de passagens aéreas ou transporte de carga.

A Azul havia anunciado planos de iniciar seus vôos em janeiro de 2009, mas no meio do ano David Neeleman disse que em dezembro isso já seria possível.

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