Academia Flow Summit discute novas fronteiras da IA em Travel & Mice
Evento reuniu mais de 300 profissionais e 45 especialistas no Rio para discutir dados, carreira e mais

A inteligência artificial já começa a mudar a rotina de empresas de Travel & Mice, assumindo tarefas operacionais, analisando dados, respondendo dúvidas e ajudando a personalizar experiências. Ao mesmo tempo, o avanço da tecnologia traz uma discussão sobre o papel que sobra – e ganha importância – para os profissionais do setor. Esse foi um dos principais temas do Academia Flow Summit 2026, realizado na última sexta-feira (18), no Fairmont Rio de Janeiro, em Copacabana.
O evento reuniu mais de 300 profissionais de nove Estados e 45 especialistas para discutir os impactos da IA em viagens e eventos corporativos, além de temas como gestão, carreira, experiência, negócios e bem-estar.
“Quanto mais inteligência artificial, mais a gente vai precisar trabalhar a nossa inteligência emocional. É sobre presença e saber o que queremos para a nossa vida, o que me deixará feliz”
Vivi Martins, CEO da Academia de Viagens Corporativas
Na prática, alguns dos exemplos apresentados mostram que essa transformação já está acontecendo. Caio Machado, da TBG, apresentou a AmelIA, agente de inteligência artificial criada para ser o primeiro ponto de atendimento em dúvidas sobre políticas de viagens da companhia. Na Moderna, Jennifer Steinke, Travel Manager do Ano de 2026 pela Business Travel News, mostrou como a IA pode usar dados históricos e preferências para personalizar a jornada dos viajantes. Já a SAP Concur levou ao evento a Joule AI, com agentes voltados à redução de etapas operacionais.
A tendência apontada ao longo do encontro é de que tarefas repetitivas passem cada vez mais para a tecnologia, enquanto profissionais de Travel assumam funções mais ligadas a análise, tomada de decisão e estratégia.
Viagem como estratégia
O desafio, nesse cenário, é também provar o impacto que a gestão de viagens gera para as empresas. No painel sobre o futuro conectado de T&E, Fabiano Grottoli, vice-presidente de Corporate Solutions da Mastercard, apresentou um dado que chamou atenção: 74% dos gestores de viagens consideram as viagens essenciais para impulsionar o crescimento das empresas, mas apenas 20% dizem ter processos estabelecidos para medir o retorno desse investimento.
A discussão mostra como o setor vem deixando de ser visto apenas sob a ótica do controle de despesas. Dados, experiência do colaborador e sustentabilidade passam a fazer parte das decisões. Homero Carrazzoni, da Globo, mostrou como critérios ESG já são considerados na gestão de viagens da empresa, incluindo compensação de CO2 e previsão de consumo de carbono.
Nos eventos corporativos, a disputa passa por outro recurso cada vez mais escasso: a atenção. Mariana Rodrigues, coordenadora de Brand Experience da Localiza&Co, destacou que essa disputa começa antes mesmo da realização do evento. Já Renata Honorato, CEO da XR Live Marketing, defendeu o papel dos eventos como ferramentas de comunicação, relacionamento e geração de resultados.
A visão global veio de Miguel Neves, CEO da miguelseven.com, que abordou tendências que já pressionam o setor, entre elas IA, geopolítica, personalização, flexibilidade e a própria disputa pela atenção.
O que a IA não faz
Se a tecnologia assume parte das transações, situações de exceção e momentos que exigem julgamento continuam dependendo das pessoas. Essa foi uma das discussões do painel sobre atendimento ao viajante, com Nando Vasconcellos, CEO do Grupo Kontik, que destacou a tendência de automação das operações enquanto casos mais complexos seguem exigindo intervenção humana.

No Rio Galeão, Karin Karling apresentou iniciativas para reduzir filas e melhorar a jornada no aeroporto. No segmento de luxo, Netto Moreira, diretor-geral do Cluster Luxo RJ da Accor, mostrou aplicações de IA para conhecimento do cliente e treinamento de equipes, mas também reforçou a importância da presença e do cuidado no relacionamento.
A tecnologia também foi tema quando o assunto passou a ser carreira. Flavia Santos, Marcella Braga e Bernardo Martins discutiram mudanças em liderança e organização do trabalho no painel “Carreira nos tempos da IA”. Entre os exemplos apresentados esteve o de uma equipe que passou de 23 para três profissionais e, com uso de tecnologia, parceiros e redesenho de processos, manteve a capacidade de realizar eventos.
Realizada a partir dos eixos Future, Leadership, Opportunities e Wellbeing, o Academia Flow Summit 2026 colocou em discussão não apenas quais tecnologias estão chegando ao mercado, mas como empresas e profissionais de Travel & Mice precisarão se adaptar a elas.
O evento também teve uma frente social: 21% do valor de cada inscrição será destinado ao Pro Criança Cardíaca, que completa 30 anos em 2026. No sábado (19), a programação continuou com a Experiência Flow, no Parque Bondinho Pão de Açúcar.