MOVE 2026: como o gestor de viagens pode focar no bem-estar mesmo sob pressão?
Neuropsicóloga Maria Maia revela como o bem-estar pode ser uma prioridade no segmento corporativo

No primeiro conteúdo do MOVE, evento realizado nesta segunda-feira (5) pela PANROTAS para gestores de viagens, a neuropsicóloga Maria Maia destacou como o bem-estar pode ser uma prioridade dos gestores de viagens para conseguir cuidar mais de si e do cliente viajante.
Ela destacou como o cérebro funciona em momentos de muita sobrecarga. "Nosso cérebro tem que ser muito eficiente e econômico. Quando ele sente que está muito sobrecarregado, ele tira algumas funções, na memória, no planejamento, na flexibilidade", explicou.
A rede focal, por outro lado, pode ser ativada com feitos simples, como colocar, literalmente, os dois pés no chão. "Quando fazemos isso, o cérebro comunica o corpo que precisa desligar estímulos externos e foca mais nele. Com a rede de atenção focal, fica mais fácil de prestar atenção nas nossas tarefas", disse.
Além da atenção, é importante começar a priorizar de forma eficaz, entendendo o que está ou não fora do nosso controle.
"Quando a gente fala de gestão sob pressão, é importante entender e aprender a priorizar de uma forma eficaz e eficiente. Para isso, a gente precisa entender o que está no nosso controle"
Maria Maia, neuropsicóloga palestrante no Move
Rotina para proteger a atenção
Um dos pilares desse bem-estar individual passa pela rotina, uma vez que planejar antes reduz o esforço do cérebro de começar do zero. Mas não existe fórmula mágica para uma rotina.
"Cuidar de si é a capacidade de ter a ferramenta capaz de ser colocada na sua vida. O possível é muito melhor do que o ideal, e a vida não tem condições ideias nunca"
Maria Maia, neuropsicóloga palestrante no Move
Por isso, é importante olhar alguns pontos como: sono, exercício físico, treino atencional, relações e rituais. Cada um desses passos exercem uma grande diferença no bem-estar de uma pessoa quando colocados em uma rotina que cabe em cada realidade.
"O treino atencional, por exemplo, faz muita diferença para o cérebro. Quando focamos por algum tempo em uma única atividade, sem nos distrair com o Whatsapp ou o celular, o cérebro passa a ter mais energia", apontou a neuropsicóloga.
Cuidado com o viajante e a barreira do orçamento

Quando o foco é o cuidado do outro, Maria destacou que é essencial diferenciar o cuidar do controlar. "Quando o profissional acredita que precisa impedir qualquer desconforto, os problemas começam a parecer uma falha pessoal", apontou Maria Maia.
Isso passa, também, pelo orçamento, e como ele pode muitas vezes entrar em conflito com o cuidado. Ela aponta como o objetivo, ao final, é tornar comparáveis os custos, riscos e efeitos humanos em cada alternativa, preservando o bem-estar do viajante com as ferramentas possíveis.
Mas é verdade que o orçamento pode, muitas vezes, ser restrito. Neste caso, Maria Maia aponta:
"Uma das maiores frustrações é quando a gente sabe que pode fazer melhor, mas não conseguimos por limitações externas. Para mitigar os efeitos, em nós e no outro, nomeie esse impacto, em você e no viajante, defina o mínimo de proteção, diferencia desconforto de risco relevante, apresente alternativas graduais e registre a decisão"
Maria Maia, neuropsicóloga palestrante no Move
No Move Paper: Proposta estruturada para colocar o bem-estar nas viagens corporativas
A palestra de Maria Maia ainda apresentou uma proposta de como adicionar o bem-estar no processo corporativo, do gestor de viagem ao viajante, passando, inclusive, pelo orçamento. P
ara tanto, compartilha o Move Paper "Em defesa do bem-estar nas viagens corporativas", que aponta, inclusive, como apresentar uma proposta estruturada para a empresa, destacando cinco pontos essenciais para 'convencer' a escolha pelo bem-estar. Confira aqui.