Pedro Menezes   |   07/08/2026 17:23
Atualizada em 07/08/2026 11:41

Turismo médico e expatriados abrem nova frente de negócios para TMCs em São Paulo; conheça

TMCs e agências especializadas já são responsáveis por uma parcela importante da demanda por hospedagem


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 JFL, empresa brasileira de multifamily fundada por Jorge Felipe Lemann, que opera hoje cerca de 600 apartamentos em cinco empreendimentos na capital paulista
JFL, empresa brasileira de multifamily fundada por Jorge Felipe Lemann, que opera hoje cerca de 600 apartamentos em cinco empreendimentos na capital paulista

Não é de hoje que a transformação de São Paulo em um dos principais polos de negócios da América Latina vem mudando o perfil da hospedagem na cidade. Se antes a hotelaria tradicional era a principal alternativa para quem desembarcava na capital a trabalho, seja para viagens de curta ou longa duração, hoje cresce um segmento voltado às estadias de média e longa duração, impulsionado por executivos expatriados, pacientes em tratamento médico e viajantes que combinam compromissos corporativos com períodos mais longos de permanência, indo muito além da proposta de curta duração do Airbnb.

Veja o álbum de fotos dos empreendimentos da JFL abaixo

Esse movimento acompanha a chegada de multinacionais ao País, especialmente asiáticas, o fortalecimento das viagens bleisure, que unem lazer e negócios, e a consolidação de São Paulo como principal centro médico da América Latina. No meio desse ecossistema, há uma série de empresas que já ocupam um espaço entre a hotelaria tradicional e a moradia convencional, oferecendo apartamentos mobiliados com serviços típicos de um hotel, mas voltados para permanências de meses, e não de dias.

É o caso da JFL, empresa brasileira de multifamily fundada por Jorge Felipe Lemann, que opera hoje cerca de 600 apartamentos em cinco empreendimentos na capital paulista. O Portal PANROTAS foi conhecer um dos empreendimentos, este localizado na Avenida Rebouças, e conversou com o COO da JFL, Lucas Cardozo.

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Lucas Cardozo, COO da JFL
Lucas Cardozo, COO da JFL

Segundo ele, o perfil da ocupação mudou muito nos últimos anos e hoje o público internacional já representa um dos principais pilares do negócio. "O público internacional é hoje um dos pilares mais importantes para nós. Em apenas um ano, a participação de moradores que vieram a São Paulo a trabalho saltou de 15% para quase 50% da ocupação. Atualmente, 33% dos nossos moradores são estrangeiros, com destaque para executivos vindos da China, Japão, Coreia do Sul e Índia", afirmou ele.

Hoje, o portfólio reúne aproximadamente 600 apartamentos de alto padrão totalmente mobiliados, equipados com internet, enxoval, academia, arrumação diária e café da manhã. Com a expansão das viagens bleisure e do long stay, a empresa acredita ocupar uma posição própria dentro do mercado de hospitalidade.

"Nós ocupamos um espaço próprio, que não se confunde com nenhuma das categorias atuais do mercado. Não somos uma rede hoteleira, nossa lógica é residencial, com pessoas que chegam para morar em São Paulo, por um período determinado. Também não somos uma plataforma de aluguel por temporada, que terceiriza a gestão e não garante consistência"

COO da JFL, Lucas Cardozo

Os contratos geralmente têm duração média de nove meses e atendem, principalmente, executivos expatriados entre 35 e 55 anos que chegam ao Brasil para assumir posições em multinacionais.

"Entregamos apartamentos 100% mobiliados com gestão profissional e comodidades integradas, como arrumação diária, enxoval de cama e banho, café da manhã e academia de última geração, além de localizações privilegiadas", disse COO da JFL, Lucas Cardozo.

Para quem está em viagem bleisure, combinando compromissos corporativos com exploração da cidade, a proposta acaba sendo atraente. "A estabilidade de uma moradia de alto padrão com a flexibilidade de um contrato que se adapta ao ritmo do trabalho e do lazer", acrescentou Lucas.

Espaço para o trade

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Sala de estar de um dos apartamentos
Sala de estar de um dos apartamentos

Embora o modelo ainda seja relativamente novo dentro do mercado brasileiro, a companhia afirma que o relacionamento com o trade turístico já faz parte da estratégia comercial. Segundo Cardozo, empresas de relocation, TMCs e agências especializadas são responsáveis por uma parcela importante da demanda, sobretudo quando as viagens deixam de ser pontuais e passam a envolver permanências de meses.

"O canal B2B já faz parte da nossa operação. Trabalhamos com empresas de relocation, agências de viagens e TMCs especializadas que apoiam executivos expatriados. A demanda muitas vezes chega por meio desses parceiros, que nos enxergam como uma solução de moradia temporária de alto padrão para períodos mais longos"

COO da JFL, Lucas Cardozo

Na avaliação do executivo, existe uma diferença clara entre as necessidades dos clientes. "Se a necessidade é acomodar um executivo por três ou quatro dias, uma hospedagem tradicional costuma atender bem. Mas, quando a permanência se estende por um ou mais meses, nosso modelo passa a fazer mais sentido, ao combinar o conforto e a privacidade de uma residência com conveniências integradas", disse.

Turismo médico amplia demanda

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Café da manhã está incluso no contrato
Café da manhã está incluso no contrato

Outro segmento que vem contribuindo para esse crescimento é o Turismo médico. São Paulo concentra alguns dos hospitais mais reconhecidos da América Latina e recebe pacientes brasileiros e estrangeiros em busca de tratamentos especializados.

Segundo a JFL, 5% da ocupação mensal já está relacionada a esse público. O perfil é formado não apenas pelos pacientes, mas também por familiares que acompanham tratamentos prolongados, recuperações cirúrgicas ou períodos de acompanhamento médico.

"Em geral, recebemos pacientes e familiares que precisam permanecer em São Paulo, seja para tratamentos prolongados, processos de recuperação ou acompanhamento médico contínuo. Também é comum recebermos mulheres e famílias que vêm à cidade para o nascimento dos filhos e buscam mais conforto e acolhimento durante esse período", afirma Cardozo.

Nesse contexto, apartamentos equipados e preparados para permanências mais longas acabam atendendo uma necessidade diferente daquela oferecida pela hotelaria convencional, especialmente para quem precisa transformar uma hospedagem temporária em uma rotina por semanas ou meses.

Cardozo lembra que São Paulo reúne praticamente todos os atributos necessários para disputar espaço entre os principais destinos mundiais voltados ao turismo médico e às estadias corporativas de longa permanência.

"São Paulo já tem os ativos. Conta com excelência clínica com médicos e hospitais de padrão internacional, eficiência de custo e um diferencial reconhecido no atendimento humanizado. A cidade ainda possui uma ampla rede hospitalar de referência e dispõe de uma malha aérea que conecta a cidade aos principais centros do mundo"

COO da JFL, Lucas Cardozo

Veja o álbum de fotos abaixo:


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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.