IA nas viagens, eventos proprietários e tendências: veja temas debatidos no HSMAI Converge
Encontro reuniu buyers e gestores de viagens e eventos para um dia repleto de conteúdos e painéis

MOGI DAS CRUZES (SP) - A HSMAI Brasil realizou hoje, no Club Med Lake Paradise, em Mogi das Cruzes (SP), o HSMAI Converge, evento que trouxe debates sobre os principais desafios e as transformações das viagens e eventos corporativos.
Entre os destaques, estão o avanço da inteligência artificial, o uso estratégico de dados e a busca por experiências mais humanas. O encontro também abordou a força dos eventos proprietários e divulgou dados da GBTA que mostram a expansão dos gastos globais com viagens corporativas.
Confira, abaixo, alguns dos temas debatidos durante o evento:
De que forma a IA está transformando as viagens e os eventos?

Luana Nogueira, diretora executiva na Alagev, mediou painel com Bruno Montin, especialista em Eventos na Farmarcas, Anderson Arruda, head de Marketing & Comunicação na Inteegra, e Bruna Morsoleto, event manager na Pearson.
O tema do debate foi a IA e as transformações que ela gera nas viagens e eventos corporativos. Anderson Arruda destacou que quem trabalha com tecnologia deve analisar o que é importante e qual é a complexidade das soluções.
“As mais rotineiras, é possível gerenciar e organizar utilizando a tecnologia dentro da empresa, mas ter um bom parceiro de tecnologia é fundamental para as etapas críticas e processos mais complexos”, pontua.
Luana Nogueira comentou que a decisão humana não será substituída pela IA. Bruna Morsoleto concordou. “A IA nunca irá substituir o capital humano, o tratamento dado pelas pessoas. Não vejo a IA tendo a capacidade de receber um cliente, sorrir e analisar o problema. Será impossível substituir a entrega de experiência”, comenta.
Bruno Montin, por sua vez, lembra que nos últimos tempos as pessoas têm comprado tudo no e-commerce, mas agora há campanhas para elas voltarem às lojas físicas. “A questão é: como é possível ser mais humano neste momento?”.
Eventos proprietários e tendências para o setor

Bruno Carvalho, gerente de Eventos e Suprimentos de Marketing da SEM, e Raffaele Cecere, CEO do Grupo R1, falaram sobre eventos proprietários. Quando faz sentido ter o próprio evento?
“Os eventos proprietários são importantes para fortalecer o posicionamento da marca, construir uma identidade própria, criar relacionamento mais profundo e direcionado, entregar uma experiência proprietária e ter controle sobre os dados e a jornada”, explica Bruno Carvalho.
Segundo ele, é preciso entender o convidado a partir dos dados disponíveis antes de definir formatos e experiência. Afinal, a pesquisa define o que o público procura no evento. Sem dado, o formato vira preferência de quem organiza e não do convidado.
Raffaele Cecere, por sua vez, deu dicas sobre como inovar em eventos proprietários. “Inovar não tem, necessariamente, que ser por meio da tecnologia. Temos que desmistificar o que é a inovação. Dá para ser criativo sem usar muitos recursos tecnológicos. A inovação só existe se eu entendo, de fato, uma dor e proponho algo diferente”.
Da GBTA para o Converge: o que está mudando nas viagens corporativas?

Em painel mediado pela diretora de Vendas Corporativas da Omnibees, Patrícia Thomas, com a participação de Danila Buzinaro, superintendente de Pessoas, Cultura e Performance no Bradesco, e Daniel Duarte, Regional Manager, Content & Engagement, Latam - Brazil & Southern Markets na GBTA, foram divulgados relatórios da GBTA com dados relacionados às viagens corporativas no Brasil e no mundo.
O gasto global em viagens corporativas em 2025 foi de US$ 1,6 trilhão, alta de 8,4% no comparado com 2024. Patrícia Thomas mencionou a diversidade e divergência de dados provenientes de diferentes fontes. “O relatório da TMC traz uma informação, enquanto outra fonte apresenta um dado diferente. O cartão traz outro número. Como fazer os dados conviverem com essas diferenças?”
Danila Buzinaro disse que não há como ter um dado perfeito. “Essa é uma realidade com a qual convivemos todos os dias: há dados provenientes de fontes diferentes. É preciso desenvolver capacidade de ciência de dados para conseguir transformá-los em informação. É necessário saber interpretar os dados e entender como eles podem ajudar na tomada de decisão”
Patricia questionou a Daniel Duarte o que ele acha que que está em excesso e o que, de fato, tem feito a diferença quando se trata de IA.
“Existe um excesso de atenção sobre a IA e pouca atenção ao uso dela como ferramenta para eliminar fricção. É preciso ter agentes autônomos, dados confiáveis, integração, regras claras e governança. A evolução passa de uma IA que recomenda para uma IA que compra. Quanto maior a autonomia, maior precisa ser a precisão e o controle. Vale destacar que a IA não aprova a viagem por você; ela amplifica o contexto para ajudar na tomada de decisões”, comenta Duarte.