Beatrice Teizen   |   28/04/2026 15:34
Atualizada em 28/04/2026 15:36

Cofundador da VOLL analisa avanço do Brasil e vê protagonismo em viagens corporativas

Para Luiz Moura, País combina escala consolidada e transformação tecnológica para avançar no setor

Shutterstock
Brasil vive momento promissor que une escala consolidada e uma transformação tecnológica que está redefinindo a gestão de viagens corporativas
Brasil vive momento promissor que une escala consolidada e uma transformação tecnológica que está redefinindo a gestão de viagens corporativas

O Brasil ocupa, hoje, a 10ª posição entre os maiores mercados de viagens corporativas do mundo, com um volume estimado em US$ 30 bilhões anuais, segundo dados da Visa e da GBTA. O País é também o 7º maior de origem de viajantes corporativos para os Estados Unidos, à frente de economias como França e Itália, de acordo com levantamento recente da Booking.com.

Para o cofundador da VOLL, Luiz Moura, essa posição não tem a ver com um ciclo econômico pontual, mas com décadas de construção de uma base corporativa sofisticada.

“Estamos falando de multinacionais que fizeram do País um hub regional estratégico e empresas brasileiras que expandiram sua presença para os cinco continentes”

Luiz Moura, cofundador da VOLL

Segundo o executivo, o Brasil vive hoje um momento promissor que une escala consolidada e uma transformação tecnológica que está redefinindo a gestão de viagens corporativas no mundo inteiro. E ele destaca: “ao contrário do que se imagina quando se fala em inovação empresarial, o Brasil não está observando essa transformação de longe. Pelo contrário, está participando dela como protagonista”.

Pressão de custos

Luiz Moura lembra que, em um contexto macroeconômico que pressiona os custos do setor, tratar a gestão de viagens corporativas como função estratégica é urgente.

O conflito no Oriente Médio pressionou o preço do petróleo acima de US$ 100, e o querosene de aviação praticamente dobrou nas últimas semanas. Nos Estados Unidos, passagens transcontinentais subiram de US$ 167 em fevereiro para US$ 414 em março de 2026. No Brasil, com o acordo de céus abertos vigente desde 2021 e quase 800 voos semanais diretos para os EUA, a exposição é significativa.

“Em cenários de pressão sobre custos, a diferença entre empresas que crescem e empresas que apenas reagem está na capacidade de gerenciar despesas em tempo real. Quem tem visibilidade sobre o comportamento de compra, sobre a aderência à política e sobre as alavancas de eficiência ainda não ativadas, toma decisões antes que o impacto financeiro se consolide. Quem depende de processos manuais e planilhas consolidadas ao final do mês, absorve o impacto sem conseguir reagir”

Luiz Moura
Divulgação/Kleber Galvão
Luiz Moura é cofundador da VOLL e membro do Conselho de Turismo da FecomercioSP
Luiz Moura é cofundador da VOLL e membro do Conselho de Turismo da FecomercioSP

O Boston Consulting Group, em parceria com a New York University, identificou que menos de 10% das empresas de hospitalidade globalmente podem ser consideradas verdadeiramente "future built", com capacidades avançadas de tecnologia gerando valor real. Para Moura, o dado não deve soar como crítica, mas ser lido como oportunidade.

“O Brasil está bem posicionado para essa corrida. Temos o volume, temos as empresas, temos a tecnologia disponível localmente. O que decidimos fazer com esse conjunto de ativos nos próximos anos definirá se seremos apenas o 10º maior mercado do mundo em volume, ou se construiremos também uma posição de liderança em inteligência, eficiência e inovação aplicada à gestão de viagens corporativas. Ainda há espaço para um número significativo de empresas, brasileiras e globais, ingressarem nesse grupo e construírem vantagens competitivas”, conclui.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação