Beatriz Contelli   |   25/03/2026 13:28

Alta do petróleo pressiona viagens corporativas e exige reação das empresas, analisa VOLL

Cofundador da TMC crê que momento exige revisão de políticas, cultura interna e adoção de tecnologia


PANROTAS / Filip Calixto
Luiz Moura, da VOLL
Luiz Moura, da VOLL

O conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, que chega à quarta semana, provocou um choque de oferta no mercado global de energia ainda em processo de absorção pelo setor aéreo.

Diante desse cenário, o CEO da United Airlines, Scott Kirby, enviou uma carta aos funcionários com um alerta direto: se os preços do combustível permanecerem nos níveis atuais, o impacto anual nos custos da companhia pode chegar a US$ 11 bilhões. O executivo projeta ainda um cenário em que o barril de petróleo alcance US$ 175 e se mantenha acima de US$ 100 até o fim de 2027.

A estimativa reflete a gravidade do momento. O querosene de aviação praticamente dobrou nas últimas três semanas, segundo a Argus Media. No mesmo período, as tarifas aéreas dispararam: passagens transcontinentais nos Estados Unidos subiram de US$ 167 em fevereiro para US$ 414 em março, de acordo com análise do Deutsche Bank. Em um exemplo específico, um voo da JetBlue entre Nova York e Santo Domingo passou de US$ 166 para US$ 566.

“É importante lembrar que esta é a primeira grande crise enfrentada pela indústria aérea desde que a maioria das companhias encerrou a prática de hedge de combustível, em 2024 e 2025. Sem esse mecanismo de proteção, não há amortecedor. O custo do combustível vai direto para o preço da passagem. Já está indo”, afirma o cofundador da VOLL, Luiz Moura.

Para Moura, que é também diretor de Negócios da empresa, o momento exige uma resposta concreta e imediata das companhias, principalmente das maiores, que chegam a ter até 100 mil colaboradores viajando a trabalho ao mês.

"Esse cenário não é uma surpresa para quem acompanha o mercado. O que precisa mudar agora é a velocidade de resposta das empresas. Quem ainda está tomando decisões de viagem baseado em planilhas enviadas por e-mail vai sentir esse impacto de forma muito mais intensa do que quem já tem visibilidade em tempo real sobre seus custos".

Na avaliação do executivo, as empresas precisam atuar de forma simultânea em três frentes, sem sequência de prioridade: política, cultura e tecnologia.

A primeira é a revisão da política de viagens. Não como exercício burocrático, mas como diagnóstico real do comportamento de compra: rotas mais utilizadas, antecedência média de reservas, companhias aéreas preferidas, padrões de gasto por área e por nível hierárquico. “Esse mapeamento é o ponto de partida para identificar onde estão as alavancas de eficiência que ainda não foram ativadas. Em muitos programas de viagens, as oportunidades de economia já existem. Falta visibilidade para enxergá-las”, diz.

A segunda frente é a cultura interna. “Sensibilizar lideranças, envolver gerentes responsáveis por aprovações e comunicar o contexto atual de forma clara para os viajantes faz diferença direta no comportamento de compra, enquanto planejamento ruim gera desperdício”, constata. Segundo o especialista, desperdício, num cenário de pressão sobre tarifas, tem custo muito mais alto do que tinha há dois meses. Nesse sentido, essa não é uma conversa exclusiva para a área de viagens, e sim uma conversa para toda a empresa.

JFK Photography/Píxabay
O querosene de aviação praticamente dobrou nas últimas três semanas
O querosene de aviação praticamente dobrou nas últimas três semanas

"O gestor de viagens não pode carregar esse peso sozinho. Ele precisa do respaldo das lideranças e de uma comunicação interna que coloque esse tema na agenda. Quando o contexto é compartilhado, o comportamento muda", diz Moura.

A terceira frente é a tecnologia. E aqui o executivo é direto: não dá tempo de esperar.

"A empresa que ainda depende de processos manuais para acompanhar seus gastos com viagens está trabalhando com um retrovisor. O mercado está se movendo em tempo real. A tomada de decisão precisa acompanhar esse ritmo. Não dá para esperar uma planilha chegar por e-mail para ajustar a rota. Qualquer segundo perdido pode representar um custo evitável ou uma economia não aproveitada"

Quer receber notícias como essa, além das mais lidas da semana e a Revista PANROTAS gratuitamente?
Entre em nosso grupo de WhatsApp.

Tópicos relacionados

Foto de Beatriz Contelli

Conteúdos por

Beatriz Contelli

Beatriz Contelli tem 5798 conteúdos publicados no Portal PANROTAS. Confira!

Sobre o autor

Jornalista formada pela Anhembi Morumbi com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FAAP. Entrou na PANROTAS em 2019, com foco especialmente em Branded Content, e, desde 2024, atua como repórter da redação.