Beatrice Teizen   |   28/07/2026 16:30
Atualizada em 28/07/2026 16:40

GBTA aponta para alívio nos custos das viagens corporativas apenas em 2027; veja insights

Levantamento analisa tarifas aéreas, hotéis, eventos e os fatores que seguem pressionando o setor


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Estudo da GBTA e Altour aponta que tarifas aéreas, diárias de hotéis, transporte terrestre e custos com reuniões e eventos continuarão pressionados até o fim deste ano
Estudo da GBTA e Altour aponta que tarifas aéreas, diárias de hotéis, transporte terrestre e custos com reuniões e eventos continuarão pressionados até o fim deste ano

Em um ano marcado por uma disrupção sem precedentes no setor de energia e pelo aumento dos custos operacionais, os preços das viagens corporativas em todo o mundo devem permanecer elevados até o fim de 2026. A expectativa é que os preços comecem a desacelerar apenas em 2027, com impactos diferentes entre as regiões.

Segundo o novo Global Business Travel Forecast 2027, divulgado hoje (28) pela GBTA em parceria com a Altour, as pressões sobre os preços devem diminuir gradualmente no próximo ano. Ainda assim, os custos dificilmente voltarão aos níveis anteriores, já que muitos dos fatores responsáveis pela alta passaram a fazer parte da estrutura do setor.

O estudo aponta que tarifas aéreas, diárias de hotéis, transporte terrestre e custos com reuniões e eventos continuarão pressionados até o fim deste ano, impulsionados principalmente pelo aumento dos preços da energia, pela alta dos custos trabalhistas, pela demanda global resiliente e pelas restrições na oferta de aeronaves.

O relatório analisa os principais fatores econômicos que vêm remodelando os custos das viagens corporativas em todo o mundo, incluindo preços da energia, custos de mão de obra, limitações na cadeia de fornecimento de aeronaves, flutuações cambiais e outros indicadores.

"As viagens corporativas continuam sendo um importante indicador da confiança das empresas. Mesmo diante de custos mais altos e de um cenário mais complexo, as organizações seguem investindo em encontros presenciais, relacionamento com clientes e crescimento. Em um ambiente de incertezas, programas de viagens bem gerenciados, apoiados por dados, planejamento e decisões estratégicas, serão fundamentais para capturar o valor das viagens de negócios"

Suzanne Neufang, CEO da GBTA


PANROTAS / Artur Luiz Andrade
Suzanne Neufang, CEO da GBTA
Suzanne Neufang, CEO da GBTA

Energia e mão de obra seguem como principais fatores de pressão

O estudo aponta que os preços da energia e os custos de mão de obra continuam sendo os dois principais fatores por trás do aumento dos gastos das viagens corporativas.

Segundo o relatório, o fechamento do Estreito de Ormuz em 2026 provocou a maior interrupção já registrada no fornecimento global de petróleo, elevando significativamente os preços do petróleo bruto e do combustível de aviação e pressionando os custos operacionais das companhias aéreas em todo o mundo.

Embora os preços dos combustíveis tenham recuado em relação aos picos registrados após a crise, os custos com mão de obra continuam em alta em segmentos como aviação, hotelaria, transporte terrestre e eventos, impulsionados por acordos trabalhistas de longo prazo, inflação salarial e escassez de profissionais.

Passagens aéreas seguem como categoria mais pressionada

As viagens aéreas continuam sendo a categoria mais volátil do levantamento, refletindo o impacto dos custos com combustíveis, da escassez de aeronaves, do aumento das despesas com mão de obra e da oferta limitada de assentos em cabines premium.

Principais destaques:

  • A tarifa aérea global média deve atingir US$ 756 em 2026, alta de 4,7% em relação a 2025;
    • As passagens em classe econômica devem subir 8,7%, alcançando uma média de US$ 536;
  • As tarifas de cabines premium (premium economy, executiva e primeira classe) devem registrar aumento de 9,5%, chegando a US$ 4.488;
  • Para 2027, a expectativa é de desaceleração: alta de 1,5% nas tarifas aéreas em geral, 1,1% na classe econômica e 2,2% nas cabines premium;
  • América do Norte e Europa, Oriente Médio e África (EMEA) devem registrar alguns dos maiores aumentos nas tarifas aéreas em 2026, impulsionados por restrições de capacidade, custos operacionais mais elevados e atrasos na entrega de aeronaves;
  • Na América Latina, a expansão da capacidade acompanha o crescimento da demanda, o que deve contribuir para uma alta mais moderada nas tarifas em comparação com outras regiões.


Hotéis registram alta global moderada, mas América Latina lidera avanço das tarifas

As diárias médias de hotéis devem continuar em alta em 2026, embora o crescimento da oferta ajude a conter aumentos mais expressivos. Segundo o estudo, o pipeline global de novos empreendimentos hoteleiros atingiu um nível recorde, contribuindo para equilibrar a relação entre oferta e demanda.

Principais destaques:

  • A diária média global (ADR) deve subir 3,7% em 2026, alcançando US$ 168;
    • Em 2027, a expectativa é de uma alta mais moderada, de 1,8%, elevando a ADR média para US$ 171;
  • A América Latina deve registrar o maior aumento nas tarifas hoteleiras em 2026 (9,5%), impulsionado por uma demanda que cresce mais rapidamente do que a oferta de novos hotéis;
    • A região da Ásia-Pacífico (APAC) aparece em seguida, com expectativa de alta de 5%, refletindo a recuperação da demanda em mercados estratégicos;
    • Na América do Norte (NORAM), as diárias devem avançar 3,2%;
    • Já a região de Europa, Oriente Médio e África (EMEA) deve registrar o crescimento mais modesto (0,6%), em um cenário de demanda mais fraca.
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Diárias médias de hotéis devem continuar em alta em 2026, segundo a pesquisa
Diárias médias de hotéis devem continuar em alta em 2026, segundo a pesquisa

Transporte terrestre dá sinais de estabilização

O transporte terrestre apresenta um cenário mais estável em comparação com outros segmentos das viagens corporativas. Principal componente desse mercado, o aluguel de carros registrou queda nas tarifas em 2025, mas deve voltar a subir 3,6% em 2026, alcançando uma diária média global de US$ 46,50. Para 2027, a previsão é de uma leve retração de 0,9%, para US$ 46,10.

Na região da Ásia-Pacífico (APAC), as tarifas de locação de veículos devem atingir a média de US$ 57,70 por dia em 2026, alta de 4%, o maior valor entre as regiões analisadas. Segundo o estudo, a maior disponibilidade de frotas e veículos tem contribuído para reduzir a pressão sobre os preços na maior

Reuniões e eventos seguem pressionados pelos custos

Os orçamentos destinados a reuniões e eventos devem continuar crescendo em 2026 e 2027. Embora as tarifas negociadas para hospedagem de grupos permaneçam relativamente estáveis, os custos com alimentos e bebidas, produção e mão de obra continuam pressionando os gastos com esses programas.

O custo médio por participante por dia deve subir cerca de 3% em 2026, alcançando US$ 263, e avançar mais 1,5% em 2027, para US$ 267. Segundo o estudo, as despesas com alimentação e bebidas e produção seguem sendo os principais fatores por trás da inflação dos custos de eventos.

Planejamento será fundamental diante do novo cenário

Embora o crescimento dos custos das viagens corporativas deva desacelerar em 2027, o estudo da GBTA destaca que os preços dificilmente voltarão aos patamares de 2025. Fatores estruturais, como os atrasos na entrega de aeronaves, as exigências relacionadas ao combustível sustentável de aviação (SAF), a escassez de mão de obra e as incertezas geopolíticas devem manter o ambiente de viagens mais caro nos próximos anos.

O relatório também aponta diferenças significativas entre regiões e categorias de despesas, reforçando a necessidade de um planejamento mais direcionado por parte das empresas. Em vez de se basearem em médias globais, os gestores de viagens devem considerar as particularidades de cada mercado e categoria, já que os fatores que influenciam os preços variam significativamente ao redor do mundo.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação