Karina Cedeño   |   21/09/2026 18:02

Gastos com viagens corporativas no Brasil devem alcançar R$ 205,6 bilhões em 2026

Avaliação foi apresentada nesta quinta-feira (17) pelo economista Guilherme Dietze, da FecomercioSP


Divulgação
Webinar “Index 2026 para Viagens e Eventos Corporativos” promovido pela Alagev com oeconomista Guilherme Dietze
Webinar “Index 2026 para Viagens e Eventos Corporativos” promovido pela Alagev com oeconomista Guilherme Dietze

Os gastos com viagens corporativas no Brasil devem alcançar R$ 205,6 bilhões em 2026, o que representa alta de 5% e novo recorde para o setor. Apesar do avanço, o ritmo de expansão vem desacelerando e deve permanecer moderado em 2027, diante de um ambiente marcado por juros elevados, baixo crescimento econômico e maior cautela das empresas.

Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (17) pelo economista Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, durante o webinar “Index 2026 para Viagens e Eventos Corporativos”, promovido pela Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev).

O levantamento reúne indicadores e tendências que podem influenciar a elaboração dos orçamentos de viagens corporativas para 2027. Em vez de estabelecer um percentual único de reajuste, a análise considera diferentes combinações de atividade econômica, inflação, câmbio, custos e demanda, em um cenário no qual essas variáveis podem produzir impactos distintos para cada empresa.

Para 2027, a expectativa apresentada é de crescimento de aproximadamente 2% da economia brasileira, abaixo da projeção de 3,2% para a economia mundial. Juros elevados e renda limitada devem continuar restringindo indústria e comércio, enquanto o desempenho recente de indústria, comércio e serviços aponta para uma atividade econômica com menor espaço para expansão. Nesse ambiente, a tendência é de maior cautela das empresas com investimentos e despesas.

A inflação também deverá permanecer no radar. A projeção apresentada aponta IPCA próximo de 5% em 2026 e de 4,3% em 2027. Para os principais serviços relacionados ao Turismo, os preços vêm avançando em ritmo semelhante ao da inflação geral, em torno de 5%, com exceção do aluguel de veículos, que registra queda acumulada em 12 meses. Para a elaboração dos orçamentos de 2027, a análise considera reajustes próximos à inflação como referência, respeitadas as particularidades de cada serviço e contrato.

PANROTAS / Emerson Souza
Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP
Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP

Entre os fatores de risco, estão os possíveis efeitos do Super El Niño sobre a safra e a permanência do petróleo acima de US$ 100 por um período prolongado, situações que podem aumentar a pressão sobre os preços. No câmbio, depois de oscilar principalmente entre R$ 5 e R$ 5,20 ao longo de 2026, a referência apresentada para 2027 é de R$ 5,30 por dólar. A análise, no entanto, ressalta que o câmbio permanece sensível ao cenário econômico e eleitoral e está entre as variáveis de maior dificuldade de projeção.

A despeito da desaceleração da economia, os gastos com viagens corporativas devem encerrar 2026 em R$ 205,6 bilhões, alta de 5% e novo recorde para o setor, segundo o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), elaborado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev.

O ritmo de expansão, porém, vem diminuindo em meio aos juros elevados, à inadimplência das empresas e ao baixo crescimento econômico, tendência que deve se estender para 2027.

“Essa desaceleração não significa retração das viagens corporativas. Pelo contrário, estamos falando de um mercado que continua crescendo e deve atingir um novo recorde em 2026, mesmo diante de uma economia com menor ritmo de expansão. Esse comportamento demonstra a resiliência do setor. Para 2027, a tendência é de um crescimento mais moderado, o que exige maior atenção das empresas ao planejamento dos orçamentos”

Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP

Aumento dos preços das passagens aéreas

Freepik
Para 2027, no entanto, a manutenção do petróleo em patamares elevados, somada aos possíveis custos decorrentes da Reforma Tributária, pode aumentar a pressão sobre as companhias e sobre os preços das passagens
Para 2027, no entanto, a manutenção do petróleo em patamares elevados, somada aos possíveis custos decorrentes da Reforma Tributária, pode aumentar a pressão sobre as companhias e sobre os preços das passagens

Na aviação, as tarifas registraram aumento ao longo do período analisado, mas em proporção inferior à alta do querosene de aviação (QAV), um dos principais componentes dos custos das companhias aéreas. O movimento indica que o aumento do combustível não foi integralmente repassado aos passageiros, com a tarifa média convertida em dólar permanecendo abaixo de US$ 150. Para 2027, no entanto, a manutenção do petróleo em patamares elevados, somada aos possíveis custos decorrentes da Reforma Tributária, pode aumentar a pressão sobre as companhias e sobre os preços das passagens.

A antecedência das compras, portanto, ganha peso no controle dos orçamentos corporativos. A recomendação apresentada durante o webinar é que as empresas reforcem suas políticas internas de viagens e busquem comprar as passagens com cerca de dois meses de antecedência, reduzindo a exposição às tarifas mais altas das emissões realizadas próximas à data do embarque.

Reforma Tributária

A Reforma Tributária também entra no planejamento para 2027, embora ainda existam dúvidas sobre alíquotas, créditos e os impactos efetivos das novas regras. Entre os pontos apresentados estão a previsão de alíquota em torno de 40% para a hotelaria e a possibilidade de empresas de serviços no Lucro Presumido passarem de uma carga próxima de 15% para cerca de 28%.

O aproveitamento de créditos também merece atenção, especialmente na contratação de fornecedores do Simples Nacional. Já o adiamento do split payment para 2028 reduz a pressão imediata sobre o fluxo de caixa. “Cada empresa precisará entender como as mudanças afetam a sua cadeia de contratação. Conversar desde já com contadores e fornecedores para mapear os créditos que poderão ser aproveitados é um passo importante para projetar os custos de 2027 com mais segurança”, orienta Dietze.

Para a Alagev, os indicadores apresentados mostram que a definição do orçamento de viagens para 2027 não deve se limitar à aplicação de um percentual de reajuste sobre os valores do ano anterior. O Index busca ampliar as referências utilizadas pelas empresas na tomada de decisão. “O planejamento para o próximo ano exige que o gestor identifique quais fatores podem pressionar os custos e, principalmente, onde existe espaço para agir.

Antecipar compras, revisar políticas de viagens e trabalhar com diferentes projeções permite fazer ajustes ao longo do ano, reduzir impactos no orçamento e planejar caminhos mais sólidos para a gestão das viagens corporativas. É esse olhar que queremos levar às empresas com o Index”, afirma a diretora executiva da Alagev, Luana Nogueira.

O Index 2026 para Viagens e Eventos Corporativos ficará disponível para os associados da Alagev como material de consulta e apoio ao planejamento de 2027. O conteúdo reúne os principais indicadores apresentados no webinar e referências para auxiliar os gestores na elaboração e revisão dos orçamentos de viagens e eventos corporativos.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero em 2011 e com mais de dez anos de experiência em reportagens no setor de Turismo.