Beatrice Teizen   |   06/11/2026 15:40

Empresas pagam R$ 1 mil a mais por passagens de última hora; veja outros dados da Paytrack

Levantamento também aponta alta nos custos de hospedagem e diferenças de preços conforme a antecedência

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viajante corporativo,viagens corporativas
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Empresas pagam, em média, R$ 1.080,42 a mais por passagem aérea quando compram perto do embarque, em comparação com aquisições feitas com cerca de 42 dias de antecedência. Segundo o Paytrack Index, levantamento da TMC sobre gastos com viagens corporativas, no terceiro trimestre de 2026, o tíquete médio foi de R$ 2.063,12 nas compras realizadas a 5,6 dias da viagem, valor 110% superior aos R$ 982,70 registrados nas emissões feitas com 41,9 dias de antecedência.

Na comparação anual, determinadas rotas registraram aumentos expressivos, mesmo com queda em relação ao trimestre anterior. No terceiro trimestre de 2026, o trecho entre Congonhas, em São Paulo, e Brasília registrou tíquete médio de R$ 1.578,92, aumento de 33,1% em um ano, mas recuo de 19,4% frente ao segundo trimestre de 2026. Segundo o presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Guilherme Dietze, a demanda relacionada ao período eleitoral e às discussões sobre a reforma tributária pode ter contribuído para o encarecimento das passagens nesse trecho em relação ao ano anterior.

Para acompanhar a evolução desses gastos, a Paytrack lança o indicador com base em transações registradas na plataforma. O levantamento acompanha passagens aéreas, hospedagem, alimentação e mobilidade.

Hospedagem

Na hospedagem, o custo médio das diárias de hotéis para viagens a trabalho acumula alta de 15% desde 2022. O valor chegou a R$ 404 no terceiro trimestre de 2026.

“A empresa conhece o próprio gasto, mas precisa de referências para entender se uma alta acompanha o comportamento de outros negócios ou merece uma investigação interna. O Paytrack Index amplia essa comparação por categoria, destino e antecedência. Isso ajuda o gestor a identificar quais despesas exigem uma revisão do orçamento e quais processos precisam ser examinados”

Pedro Góes, CEO da Paytrack

Passagens aéreas

No quesito passagens aéreas, o levantamento divide as compras em três perfis de antecedência. Entre os extremos apresentados, está a janela moderada: com média de 15,4 dias antes do embarque, o tíquete é de R$ 1.410,46. O valor fica 43,5% acima do perfil ótimo, de 41,9 dias, e sobe outros 46,3% até o perfil crítico, de 5,6 dias.

Na avaliação de Dietze, a pressão sobre as passagens compradas de última hora está relacionada a uma característica do mercado corporativo: a menor flexibilidade para alterar ou cancelar deslocamentos diante de preços elevados.

Divulgação
Pedro Góes, CEO da Paytrack
Pedro Góes, CEO da Paytrack

“Enquanto o viajante de lazer tende a evitar tarifas muito elevadas, a empresa muitas vezes precisa realizar o deslocamento independentemente do preço. Em determinadas situações, surge, por exemplo, a necessidade de um funcionário se deslocar para uma filial no dia seguinte. Essa característica ajuda a explicar a maior pressão sobre as passagens compradas com pouca antecedência”, afirma.

A análise do economista também alerta para a evolução anual das tarifas em cada perfil. “O que chama atenção é que o tíquete médio das passagens compradas na janela crítica subiu cerca de 20% na comparação anual, enquanto os demais perfis registraram variações de apenas um dígito. Quando descontamos a inflação, o valor das passagens adquiridas na ‘janela ótima’ fica praticamente no mesmo patamar do ano passado. Isso mostra que a alta real está concentrada nas compras de última hora”, analisa Dietze.

O comportamento das tarifas também varia conforme o destino. No terceiro trimestre de 2026, o tíquete médio nacional das passagens aéreas na base analisada chegou a R$ 1333,60.

Em outros trechos, Congonhas–Porto Alegre apresentou valor médio de R$ 1.338,41, avanço anual de 12,7%. Na direção oposta, a ligação entre Guarulhos e Recife teve queda de 15,9%, com tíquete de R$ 1.252,25, enquanto Congonhas–Curitiba registrou recuo de 0,7%, com média de R$ 1.045,14.

Cenário pós-eleitoral, câmbio e petróleo influenciam perspectivas para 2027

O cenário econômico brasileiro após as eleições também entra nas perspectivas para os custos das viagens corporativas em 2027. As definições sobre a composição da equipe econômica e as sinalizações sobre a condução da política fiscal estão entre os fatores acompanhados pelo mercado, segundo Dietze.

“Enquanto não houver uma sinalização mais clara de ajuste fiscal, o câmbio tende a continuar pressionado. Somado aos custos elevados do petróleo, esse cenário dificulta uma redução significativa das passagens aéreas. Como as companhias trabalham com precificação antecipada e mecanismos de proteção cambial e de combustível, parte dessas pressões já pode estar incorporada às tarifas de 2027”

Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP

Para Pedro Góes, a combinação desses fatores amplia a necessidade de decisões apoiadas em dados e de integração entre as diferentes etapas da gestão de viagens e despesas.

“Em um ambiente de custos mais elevados e de menor previsibilidade, as empresas precisam ter clareza sobre como, quando e onde estão gastando. O planejamento das viagens, a análise histórica dos preços e a integração das despesas permitem tomar decisões com mais consistência. Não se trata apenas de reduzir gastos, mas de utilizar melhor o orçamento disponível”, afirma.

Gasto médio com hospedagem corporativa sobe 4,6% em um ano

O gasto médio das empresas com hospedagem em viagens de trabalho chegou a R$ 404,14 no terceiro trimestre de 2026, alta de 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o segundo trimestre, quando o valor foi de R$ 416,48, houve recuo de 3%.

Pela primeira vez, o tíquete médio se manteve acima de R$ 400 por três trimestres seguidos. Antes, esse patamar só tinha sido atingido de forma pontual. Ainda assim, o avanço no ano é moderado: entre janeiro e setembro, o gasto médio está 1,5% acima do registrado no mesmo período de 2025.

No horizonte mais longo, a hospedagem sobe em ritmo mais lento que as passagens aéreas. Desde o início de 2022, o gasto médio por despesa de hospedagem acumula alta de 15%, menos da metade do avanço do transporte aéreo corporativo no mesmo período

“A hotelaria apresenta uma grande diferença de preços entre as cidades. Mesmo nos destinos que registraram queda, as tarifas continuam em patamares historicamente elevados. O que observamos é uma perda de fôlego em alguns mercados, mas não um cenário generalizado de redução dos preços”, avalia Dietze.

A diferença entre capitais é significativa. São Paulo registrou a diária corporativa mais cara no terceiro trimestre, de R$ 543,95, seguida por Brasília, com R$ 503,69. As duas foram as únicas capitais a superar R$ 500. Rio de Janeiro (R$ 434,73) e Vitória (R$ 389,60) também apareceram entre os destinos de maior custo, enquanto Porto Velho apresentou a menor diária, de R$ 241,21.

Ao todo, 21 das 27 capitais tiveram aumento na comparação com o segundo trimestre. As maiores altas ocorreram em Salvador (+17,7%), Manaus (+12,8%) e Fortaleza (+12%). Em São Paulo, a diária avançou 9,3% no período.

Na comparação anual, 19 capitais registraram encarecimento da hospedagem. Macapá liderou as altas, com 20,2%, seguida por Fortaleza (+15,7%), São Luís (+13,5%), João Pessoa (+12,2%) e Brasília (+11,4%), enquanto Belém registrou recuo de 14%.

PANROTAS / Emerson Souza
Guilherme Dietze, da FecomercioSP
Guilherme Dietze, da FecomercioSP

Alimentação apresenta maior estabilidade, mas pode perder valor real diante da inflação

Em comparação com passagens e hospedagem, os gastos com alimentação corporativa apresentam maior estabilidade na média, embora os dados revelem diferenças relevantes entre as capitais.

No terceiro trimestre de 2026, o tíquete médio de alimentação foi de R$ 74,48 com alta anual de 4,1%.

Nos recortes por capital, o tíquete médio foi de R$ 121,99 em Campo Grande, R$ 96 em São Paulo, R$ 94,34 em Curitiba e R$ 94,02 em Manaus.

“A variação do tíquete médio de alimentação ficou abaixo da inflação no período, o que representa uma queda em termos reais. Uma possível explicação é que as empresas mantenham limites de alimentação e reembolso por períodos prolongados, sem reajustá-los na mesma velocidade dos preços. Nesse caso, o colaborador pode precisar adaptar o consumo ao valor disponível ou complementar a diferença com recursos próprios”, explica Dietze.

Palavras bloqueadas em despesas corporativas apresentam pico no fim do ano

Outro recorte do Paytrack Index acompanha a evolução dos registros de palavras bloqueadas nas despesas corporativas. Entre os termos mais recorrentes estão “cerveja”, “dose” e “chocolate”, que registraram maior concentração de bloqueios no quarto trimestre de 2025.

O comportamento pode estar relacionado à sazonalidade do período, marcado por confraternizações de fim de ano e temperaturas mais elevadas com a chegada do verão. A análise considera a evolução dos registros ao longo dos trimestres.

“Identificar os tipos de despesas que aparecem com maior frequência entre os bloqueios e os períodos em que esses registros aumentam ajuda as empresas a entender o comportamento dos gastos. Com essas informações, é possível revisar políticas internas, orientar os colaboradores e melhorar o controle das despesas”, afirma Góes.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação