IA no dia a dia: o que os gestores de viagens podem deixar para as máquinas? MOVE mostra
Alexandre Cordeiro, da Mobility e Travel Tech Hub, trouxe circuito de inteligência artificial na prática

“Menos hype, mais aplicação”. Foi a partir dessa provocação que Alexandre Cordeiro, fundador do Travel Tech Hub e CTO da Mobility Turismo, conduziu uma sessão prática sobre inteligência artificial no MOVE 2026, nesta segunda-feira (5).
Em vez de apresentar apenas conceitos e tendências, o especialista colocou os travel managers para testar ferramentas de IA e pensar em aplicações concretas para seus programas e gestões de viagens.
A proposta partiu de uma pergunta: se fosse possível recriar do zero os processos de viagens e despesas, com as ferramentas disponíveis hoje, o que seria mantido, substituído ou criado?
A partir daí, a apresentação foi dividida em cinco frentes:
1. Transformar viagem em investimento
O primeiro desafio proposto por Cordeiro foi mudar a forma como a empresa enxerga as viagens corporativas. Em vez de tratá-las apenas como despesa, a ideia é usar IA para cruzar informações de TMC, CRM e financeiro e demonstrar a relação entre viagens, aquisição de clientes e receita.
Os gestores foram convidados a criar indicadores como ROI por viagem, custo de aquisição via viagem e influência da viagem na conversão.
[ENTRA ASPA DO ALEXANDRE SOBRE VIAGEM COMO INVESTIMENTO]
2. Repensar as regras da política de viagens
A segunda provocação foi direcionada às políticas tradicionais. E se fosse possível deixar para trás a política de viagens em PDF?
A dinâmica propôs comparar as regras previstas na política com o que realmente acontece nas viagens. A partir dos dados, a IA pode ajudar a identificar quais regras funcionam, quais geram custos desnecessários e onde existe espaço para autoaprovação.
"A viagem que ajuda a criar o contrato, fica na linha de despesa. Por que isso acontece? Vamos dar luz à essa discussão. Viagem é estratégia, sim, mas, talvez, falta provar. Tem de fazer a pergunta certa e sustentar a conversa com a diretoria"
Alexandre Cordeiro, CTO da Mobility e fundador Travel Tech Hub
3. Criar uma política “viva”
A partir da análise dos dados, a proposta é ir além de uma política que passa por revisão de tempos em tempos. Cordeiro apresentou o conceito de uma política dinâmica, capaz de considerar contexto, rota, objetivo da viagem e perfil do viajante.
Na prática, uma regra poderia ser acompanhada por indicadores e gatilhos que determinem quando ela precisa ser revista. A IA também pode funcionar como uma espécie de tira-dúvidas, respondendo ao viajante de acordo com a política vigente.
"Como que uma dinâmica de mercado, que junta tecnologia e IA, e deixa a gente louco – quem desenvolve tecnologia sabe –, tem que conversar com um cenário um pouco mais estático, que é o ambiente interno das empresas, mais conversador? É complexo"
Alexandre Cordeiro, CTO da Mobility e fundador Travel Tech Hub
4. Fazer a IA trabalhar antes do problema aparecer
Outro exercício propôs trocar o tradicional relatório mensal por alertas capazes de antecipar decisões.
Em um dos exemplos apresentados, um agente de IA identifica que determinada área consumiu uma parcela relevante do orçamento de viagens, cruza essa informação com oportunidades abertas no CRM e prepara uma recomendação para o CFO. A decisão continua sendo humana, mas o trabalho de análise e preparação é automatizado.

5. Decidir o que deve continuar nas mãos do gestor
No último bloco, Cordeiro levou a discussão para o próprio papel do profissional de viagens. A provocação foi simples: para onde está indo o tempo do gestor?
Entre as atividades avaliadas estavam conferência de faturas, dúvidas sobre política, aprovações, relatórios, negociação com fornecedores, emergências de viajantes e reuniões com áreas internas. A proposta é classificar o que pode ser entregue à IA com supervisão, o que pode ser feito com apoio da tecnologia, o que deve continuar humano e até o que pode deixar de existir.
Menos tarefas, mais decisão
A mensagem central da apresentação é resumida pela própria tese de Cordeiro: “substituir com intenção, para não ser substituído”. Para ele, a chegada da IA abre espaço para que o gestor analise o que faz hoje, repense processos que perderam valor e recrie sua atuação dentro das empresas.
Ao final, a provocação deixada aos participantes foi justamente essa: qual papel o gestor, a TMC e a tecnologia parceira precisam ocupar daqui a 12 meses que ainda não ocupam hoje?