Fronteira entre TMCs e travel techs está cada vez mais estreita, afirma Voetur
Convergência dos modelos coloca no centro a capacidade de resolver as dores do cliente

A fronteira entre TMCs e travel techs torna-se cada vez mais estreita quando se trata de viagens corporativas. As empresas de gestão de viagens ampliam os investimentos em tecnologia, automação e inteligência de dados, enquanto as plataformas digitais expandem sua atuação e passam a oferecer soluções que, tradicionalmente, estavam concentradas nas TMCs.
O movimento acompanha a mudança nas expectativas dos próprios compradores. Uma pesquisa da GBTA mostra que 92% têm interesse em analytics preditivo para previsão de gastos e 89% querem automação para gerenciamento de imprevistos e remarcações. Ao mesmo tempo, 58% afirmam que a IA teve pouco ou nenhum impacto em seus programas de viagens até agora, indicando que ainda existe espaço para transformar tecnologia em soluções efetivamente úteis para a operação.
Para Humberto Cançado, sócio-diretor da Voetur Viagens, essa transformação revela uma convergência dos dois modelos. “As TMCs estão se tornando travel techs e as travel techs estão se tornando TMCs. Acho que isso é um caminho sem volta. O que passa a importar é como combinar tecnologia, conteúdo e atendimento para entregar uma experiência mais completa”, afirma.
Considerando esse cenário, a Voetur mantém sua atuação como TMC e também investe em tecnologias como a Payfly, travel tech voltada à gestão de viagens e despesas corporativas.
“O mais interessante foi perceber que uma solução pensada inicialmente para pequenas e médias empresas também despertou o interesse de grandes contas. Isso mostrou que a demanda por tecnologia e eficiência atravessa diferentes perfis de empresas”, diz Cançado.
Tecnologia não elimina o atendimento especializado

A evolução das plataformas também muda o papel das TMCs. Reservas, aprovações, pagamentos e relatórios podem ser automatizados, enquanto ferramentas de IA passam a apoiar previsão de gastos, análise de dados e gestão de imprevistos.
Mas a tecnologia não elimina a necessidade de atendimento especializado. Em pesquisa apresentada na convenção da GBTA em 2026, 58% dos compradores apontaram resposta e suporte humano contínuos como o elemento mais importante para a segurança do viajante.
“A tecnologia resolve muito do que é operacional e repetitivo. Mas existem situações de alteração, cancelamento, emergência ou necessidade específica em que o cliente precisa falar com alguém que conhece aquela operação. Não queremos escolher entre tecnologia e atendimento. Temos os dois e entendemos que eles são complementares”, afirma Humberto Cançado.
A estratégia também reflete uma transformação no próprio papel das TMCs. Com a digitalização, o atendimento humano tende a se concentrar menos em tarefas operacionais e mais em situações que exigem conhecimento, contexto e tomada de decisão.
“As travel techs estão fazendo muito do que as TMCs faziam e as TMCs estão fazendo muito do que as travel techs fazem. Então, vejo isso como uma evolução natural. O mercado precisa ser complementar na distribuição e também na forma de entregar o serviço”, conclui Cançado.
A convergência dos modelos coloca outra questão no centro da discussão: a capacidade de resolver as dores do cliente. Seja por meio de uma plataforma, de automação, de inteligência de dados ou de atendimento especializado, a tecnologia e os serviços precisam estar a serviço da operação. Para o gestor, a discussão não é necessariamente sobre qual modelo está por trás da solução, mas sobre a capacidade de simplificar processos, reduzir problemas, dar visibilidade aos gastos e oferecer suporte quando necessário.