Da Redação   |   08/06/2026 17:52

Scenic vê luxo e expedição como motores do crescimento dos cruzeiros; leia na entrevista

Revista PANROTAS entrevista Ken Muskat, presidente do Grupo Scenic para Estados Unidos e América Latina

O mercado global de cruzeiros vive um de seus ciclos de crescimento mais robustos, impulsionado por uma demanda recorde e por um passageiro cada vez mais exigente. Dentro desse cenário, os segmentos de luxo, ultra-luxo e expedição despontam como os grandes protagonistas da década.

Para entender como essa transformação impacta a oferta de produtos e a venda consultiva, conversamos com Ken Muskat, presidente do Grupo Scenic para Estados Unidos e América Latina.

Com um portfólio que abrange desde os iates de descoberta da Scenic Luxury Cruises & Tours até a crescente frota fluvial e oceânica da Emerald Cruises, o grupo se posiciona no centro das principais tendências do setor: navios menores, imersão profunda nos destinos e o modelo all-inclusive.

Na entrevista a seguir, Muskat detalha a evolução do perfil do cruzeirista, o papel fundamental do agente de viagens na distribuição de produtos premium e como a companhia está se preparando para os próximos anos, com a chegada de nove novos navios até 2028.

PANROTAS — Como você descreveria o momento atual da indústria de cruzeiros global e regionalmente?

KEN MUSKAT — A indústria de cruzeiros está em um de seus ciclos de crescimento mais fortes, mas também um dos mais complexos. Globalmente, a demanda não apenas se recuperou, mas atingiu níveis recordes, com a CLIA relatando 37,2 milhões de passageiros em 2025 e quase 90% dos cruzeiristas afirmando que pretendem navegar novamente. Não apenas a escolha por cruzeiros disparou, mas especificamente os navios de pequeno porte. Estamos no ponto ideal para fornecer a experiência de navios menores, tanto fluviais quanto iates, de uma forma elevada e luxuosa. A oportunidade é clara: os viajantes estão priorizando experiências, facilidade, valor e uma imersão mais profunda no destino. Para marcas como o Grupo Scenic, isso cria uma abertura poderosa, porque nossos produtos são desenhados em torno da intimidade, do acesso e de viagens altamente inclusivas.

PANROTAS — Quais são as principais tendências que estão redefinindo a indústria e quais segmentos apresentam maior crescimento?

MUSKAT — As maiores tendências são os cruzeiros em navios de pequeno porte, viagens de luxo e ultra-luxo, expedição, cruzeiros fluviais, bem-estar, viagens com foco em gastronomia e itinerários altamente personalizados. Os hóspedes querem menos multidões, destinos mais distintos e uma experiência mais fluida. Os cruzeiros de expedição e exploração estão especialmente fortes. A CLIA relatou um aumento de 22% nos passageiros de expedição/exploração de 2023 para 2024, enquanto o mercado de cruzeiros de luxo triplicou desde 2010 com base no número de navios. É exatamente aqui que o Grupo Scenic está bem posicionado, com o Scenic Eclipse e o Scenic Eclipse II no espaço de iates de descoberta, a crescente coleção de iates da Emerald e a contínua expansão fluvial pela Europa e além.

Divulgação
Scenic Eclipse I em Puerto Montt, no Chile
Scenic Eclipse I em Puerto Montt, no Chile

PANROTAS — Como o passageiro de cruzeiros evoluiu?

MUSKAT — O hóspede de cruzeiros de hoje é mais informado, mais exigente e mais movido por experiências. Eles não estão simplesmente procurando transporte de porto em porto. Eles querem acesso, autenticidade, personalização, bem-estar, descoberta culinária e a sensação de que a jornada foi cuidadosamente curada. Há também uma mudança geracional mais ampla. Viajantes de luxo mais jovens, viajantes ativos e famílias multigeracionais são cada vez mais atraídos por navios pequenos, iates, cruzeiros fluviais e itinerários de expedição porque combinam conforto com descoberta.

PANROTAS — Em um contexto de custos mais altos e tarifas elevadas, como a demanda está se comportando?

MUSKAT — A demanda permanece resiliente, especialmente nos segmentos premium, de luxo e de expedição. Os viajantes estão dispostos a investir quando entendem claramente o valor. A chave não é simplesmente o preço, mas o que está incluído e quão fluida a experiência parece. É aqui que o modelo all-inclusive é muito atraente. Quando os viajantes comparam o custo total de uma viagem terrestre com hotéis, refeições, transporte e passeios privados, o cruzeiro frequentemente representa um forte valor, particularmente no segmento de luxo. A Scenic é all-inclusive e a Emerald é muito generosa com as inclusões.

PANROTAS — Que impacto a geopolítica, os conflitos internacionais e as mudanças regulatórias estão tendo nas operações e no planejamento de itinerários?

MUSKAT — A geopolítica e as mudanças regulatórias agora fazem parte do planejamento diário de itinerários. As companhias de cruzeiros devem permanecer altamente ágeis, seja respondendo a conflitos regionais, restrições portuárias, regulamentações ambientais, requisitos de combustível ou mudanças no acesso a destinos. A segurança dos hóspedes é nossa preocupação e foco número um. Para operadores de navios pequenos, a flexibilidade é uma grande vantagem. Embarcações menores frequentemente podem acessar portos alternativos e destinos menos congestionados que navios maiores não conseguem.

PANROTAS — O overtourism está se tornando uma preocupação? Como as companhias de cruzeiros estão lidando com isso?

MUSKAT — Sim. A pressão social e ambiental em torno do overtourism é real, especialmente em destinos de alto volume. A indústria tem que ser parte da solução. O Grupo Scenic está em uma posição única devido ao nosso relacionamento com portos em todo o mundo, além da nossa capacidade de ir onde os grandes navios não podem e não têm permissão para ir. Os cruzeiros em navios pequenos oferecem um modelo diferente. Em vez de concentrar milhares de passageiros nos mesmos portos principais, iates e embarcações fluviais podem dispersar os hóspedes por comunidades menores, portos menos conhecidos e experiências culturais mais íntimas.

PANROTAS — A sustentabilidade se tornou um requisito comercial e operacional?

MUSKAT — Absolutamente. A sustentabilidade não é mais uma tendência de marketing. É um requisito operacional, regulatório e comercial. Hóspedes, agentes, portos e governos esperam um progresso significativo. Em toda a indústria, estamos vendo investimentos em navios mais eficientes, sistemas avançados de águas residuais, capacidade de energia em terra, combustíveis alternativos, redução de resíduos, gestão de destinos e planejamento de itinerários mais inteligente. Para marcas de luxo, a sustentabilidade também se conecta à qualidade do produto. Os hóspedes querem cada vez mais saber que suas escolhas de viagem são responsáveis e alinhadas com os destinos que estão visitando.

PANROTAS — Qual o papel da tecnologia e da inteligência artificial?

MUSKAT — A tecnologia está se tornando essencial em todo o ecossistema de cruzeiros. Para os hóspedes, ela apoia a personalização, o planejamento pré-cruzeiro, o serviço a bordo, a comunicação do itinerário e uma jornada mais fluida. Para as empresas, melhora o marketing, a previsão, a gestão de receitas, os insights dos hóspedes e a eficiência operacional. A IA não substituirá o elemento humano dos cruzeiros, especialmente no luxo. O melhor uso da IA é aprimorar o serviço, não removê-lo.

Benn Berkeley
Scenic Eclipse I navegando em Ushuaia, Argentina
Scenic Eclipse I navegando em Ushuaia, Argentina

PANROTAS — Qual a importância das agências de viagens nesse cenário?

MUSKAT — Os consultores de viagens continuam sendo extremamente importantes, particularmente à medida em que o produto se torna mais segmentado e sofisticado. Quanto mais complexo e premium o produto, mais valiosa se torna a orientação especializada. Cruzeiros fluviais, cruzeiros em iates, expedições e viagens de ultra-luxo exigem explicação.

PANROTAS — Como será o futuro dos cruzeiros nos próximos cinco anos?

MUSKAT — Os próximos cinco anos serão moldados pela demanda contínua por navios menores, destinos mais imersivos, experiências de luxo, sustentabilidade, personalização e crescimento impulsionado pelo portfólio. A indústria também precisará gerenciar a capacidade cuidadosamente, proteger os relacionamentos com os destinos e continuar investindo em operações mais limpas e eficientes. Para o Grupo Scenic, o futuro é sobre oferecer aos hóspedes mais opções sem sacrificar a intimidade ou a qualidade. Nos próximos três anos, teremos nove novos navios sendo lançados. Só isso já mostra nosso investimento neste espaço, para entregar um produto excepcional aos hóspedes e mostrar mais partes do mundo que estão prontas para serem vistas.

A expansão do Grupo Scenic até 2028

O Grupo Scenic confirmou a fase de crescimento mais significativa de sua história recente, com a chegada de nove novos navios nos próximos três anos, reforçando sua presença nos segmentos fluvial e de iates oceânicos.

Saída em português na França

Em abril de 2027, a Emerald Cruises realizará uma saída inédita dedicada ao mercado brasileiro a bordo do Emerald Liberté. O roteiro "Spring Sensations of Lyon & Provence" terá sete noites, com embarque em Marseille e desembarque em Lyon. A viagem contará com gerente de cruzeiro falando português, excursões com guias no idioma e cardápios traduzidos.

Novidades fluviais na Europa e Ásia

A frota fluvial ganhará reforços estratégicos.

  • Em maio de 2026, estreia o Emerald Astra, navegando pelos rios Reno, Meno e Danúbio.
  • Em 2027, o Rio Douro, em Portugal, receberá duas novas embarcações: o Emerald Nova (junho) e o ultra-luxuoso Scenic Aria (setembro), que dobrará a capacidade da marca na região. Ainda em 2027, a Emerald fará sua estreia no Rio Sena, na França, com o Emerald Lumi.
  • Para atender à demanda no Sudeste Asiático, o Scenic Spirit II está previsto para o início de 2028, navegando pelo Rio Mekong.

Expansão da frota em iates oceânicos

No segmento marítimo, a frota de super iates da Emerald Cruises será ampliada com o Emerald Kaia (2026), seguido pelo Emerald Raiya (2027) e Emerald Xara (2028), com foco em destinos de águas quentes como Seychelles e Caribe. A grande aposta para o ultra-luxo oceânico é o Scenic Ikon, previsto para 2028. O iate inaugurará uma nova classe de embarcações do grupo, com capacidade para 270 hóspedes e tecnologia de exploração de última geração.

*Por Adrian Bertini, especial para a Revista PANROTAS

Conteúdo acima é parte da Revista PANROTAS Guia de Cruzeiros 2026/2027. Confira na íntegra abaixo:


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