Karina Cedeño   |   26/12/2025 13:05
Atualizada em 26/12/2025 18:16

Turismo de Luxo: estudo revela mudanças nas preferências dos viajantes para 2026

Relatório da Hyatt revela um forte crescimento do setor e mudanças nas preferências dos viajantes

A Hyatt Inclusive Collection divulgou o Latin America's Luxury Tourism Landscape Research Report, novo relatório que traz um panorama do Turismo de Luxo em cinco mercados latino-americanos (Brasil, Colômbia, Costa Rica, México e República Dominicana).

O levantamento revela um forte crescimento do setor, mudanças nas preferências dos viajantes e a ampliação das oportunidades de investimento, especialmente no segmento de luxo em desenvolvimento no Brasil.

Novo perfil do viajante de luxo

Freepik
Turismo de luxo continua a evoluir no Brasil, com o viajante típico de alto padrão sendo identificado como uma mulher entre 30 e 49 anos que prioriza bem-estar, cultura e gastronomia
Turismo de luxo continua a evoluir no Brasil, com o viajante típico de alto padrão sendo identificado como uma mulher entre 30 e 49 anos que prioriza bem-estar, cultura e gastronomia

O estudo mostra que o setor de Turismo de luxo continua evoluindo no Brasil, com o viajante típico de alto padrão sendo identificado como uma mulher entre 30 e 49 anos que prioriza bem-estar, cultura e gastronomia. Esse público prefere acomodações quatro e cinco estrelas que ofereçam atendimento personalizado, conexão emocional e experiências exclusivas baseadas em narrativas.

Maturidade do mercado varia pela região

México, Costa Rica e República Dominicana se destacam por seus mercados de luxo maduros, padronizados e integrados internacionalmente. Em contraste, Brasil e Colômbia apresentam ambientes menos consolidados, porém com alto potencial — principalmente para marcas internacionais dispostas a investir em parcerias locais e experiências culturalmente relevantes. Nesses mercados emergentes, a vantagem de pioneirismo ainda é possível, sobretudo em destinos secundários com fortes atrativos ecológicos e culturais.

Apesar de ser a maior economia da região, o Brasil continua sendo o mercado de hospitalidade de luxo menos consolidado, com hotéis independentes representando 60% da oferta total e com investimentos fortemente concentrados nas regiões Sudeste e Sul. O modelo all inclusive, amplamente adotado em outras partes da região, é relativamente pouco desenvolvido no País.

No entanto, o clima de investimento no Brasil está cada vez mais favorável. O País ficou em segundo lugar entre os maiores destinos de IDE global no primeiro semestre de 2024, atraindo US$ 32 bilhões, segundo dados da OCDE. O investimento estrangeiro relacionado ao Turismo alcançou US$ 360 milhões em 2024, superando significativamente os números de 2023, de acordo com o Ministério do Turismo.

Recorde de visitantes internacionais no Brasil

Divulgação/iStock
De janeiro a outubro deste ano, o País somou 7.686.549 chegadas de estrangeiros, alta de 42,2% sobre o mesmo período de 2024
De janeiro a outubro deste ano, o País somou 7.686.549 chegadas de estrangeiros, alta de 42,2% sobre o mesmo período de 2024

A chegada de visitantes internacionais também está acelerando. De janeiro a outubro deste ano, o País somou 7.686.549 chegadas de estrangeiros, alta de 42,2% sobre o mesmo período de 2024.

Segundo o Ministério do Turismo, o setor gerou um recorde de R$ 207 bilhões (~US$ 37 bilhões) no Brasil em 2024, com os viajantes internacionais respondendo por um quinto desse total — o maior nível em 15 anos. Apesar desse crescimento, o Turismo doméstico continua dominante, representando 80% da receita total.

O segmento de luxo permanece particularmente promissor. Avaliado em R$ 80 bilhões (~US$ 14,4 bilhões) em 2023, ele deve atingir R$ 130 bilhões (~US$ 23,4 bilhões) até 2030, segundo a Bain & Company.

A tendência atual indica que o Turismo de luxo na América Latina vai além da infraestrutura, priorizando a capacidade dos destinos de atender às expectativas dos viajantes em termos de bem-estar, sustentabilidade e autenticidade.

“Hoje, os viajantes de alto padrão buscam mais do que conforto material; eles querem um valor emocional mais profundo baseado em bem-estar, conexão cultural e sustentabilidade. Preferem destinos que combinem exclusividade e sofisticação sem perder autenticidade ou conexão humana”

Antonio Fungairino, head de Desenvolvimento da Hyatt para a América Latina e Caribe

Oportunidades de investimento em hospitalidade de alto padrão

Unsplash/Augustin Diaz
Rio de Janeiro se destaca entre os principais destinos do Turismo de luxo no Brasil
Rio de Janeiro se destaca entre os principais destinos do Turismo de luxo no Brasil

A paisagem brasileira de hotéis de luxo abrange marcas internacionais, redes nacionais e propriedades independentes distintas. Destinos voltados para a natureza são particularmente fortes: segundo a Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), hotéis em áreas rurais e naturais registram taxas anuais de ocupação superiores às de seus equivalentes litorâneos ou urbanos.

Os principais destinos de luxo incluem Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Manaus, o Pantanal e o Maranhão, com hotspots já consolidados, como Fernando de Noronha, Pantanal e Gramado. Os períodos de maior demanda incluem Réveillon, Carnaval, casamentos e eventos corporativos.

A sustentabilidade também está moldando o comportamento do mercado: 64% dos hotéis de luxo e 80% dos operadores turísticos apoiam iniciativas comunitárias. As regiões Norte e Nordeste do Brasil apresentam fortes oportunidades para projetos de turismo climático e regenerativo — áreas com grande potencial, mas que exigem planejamento de longo prazo, relações governamentais sólidas e forte expertise jurídica.

Apoio governamental e desenvolvimento de infraestrutura

Shutterstock
Turismo agora representa 8% do PIB nacional, sinalizando forte potencial de médio prazo para o desenvolvimento de luxo e alto padrão
Turismo agora representa 8% do PIB nacional, sinalizando forte potencial de médio prazo para o desenvolvimento de luxo e alto padrão

Mecanismos governamentais como o Fungetur, juntamente com parcerias com o BID, a OMT e secretarias estaduais de Turismo, estão ampliando o acesso ao financiamento e promovendo o desenvolvimento sustentável. A nova iniciativa de branding nacional destaca a diversidade e a responsabilidade ambiental do País.

No entanto, persistem desafios. Investidores continuam a enfrentar burocracia excessiva, tributação complexa e incerteza jurídica - especialmente no que diz respeito aos procedimentos de licenciamento ambiental.

Apesar dessas barreiras, a posição do Brasil está se fortalecendo. Entre 2015 e outubro de 2024, o País ficou em terceiro lugar na América Latina e no Caribe em projetos greenfield anunciados para o Turismo, totalizando USD 1,49 bilhão em 50 empreendimentos. O Turismo agora representa 8% do PIB nacional, sinalizando forte potencial de médio prazo para o desenvolvimento de luxo e alto padrão.

A análise destaca Brasil e Colômbia como mercados emergentes no setor, com grande potencial devido à sua localização e ofertas culturalmente atrativas - um aspecto altamente valorizado pelos viajantes globais atualmente. Esse cenário tem se mostrado ideal para atrair investidores e empresários interessados em construir novos empreendimentos no país. A Hyatt Inclusive Collection é uma das marcas que planeja fazê-lo na região Nordeste nos próximos anos.

Quer receber notícias como essa, além das mais lidas da semana e a Revista PANROTAS gratuitamente?
Entre em nosso grupo de WhatsApp.

Tópicos relacionados

Foto de Karina Cedeño

Conteúdos por

Karina Cedeño

Karina Cedeño tem 7781 conteúdos publicados no Portal PANROTAS. Confira!

Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero em 2011 e com mais de dez anos de experiência em reportagens no setor de Turismo.