Bruno Hazov   |   29/11/2023 12:40
Atualizada em 29/11/2023 12:41

Desafios da indústria de aluguel por temporada são tema de debate em SP

Especialista discutem o futuro do mercado de short-term rental no Brasil durante o Imobtur 23

Durante o painel "Oportunidades e desafios da indústria de Short-term Rental", Felipe Cavalcante, presidente de honra da Adit Brasil e fundador da Matx, mediou uma discussão sobre o segmento de aluguel por temporada.

PANROTAS / Bruno Hazov
Allan Sztokfisz, da Charlie, Eduardo Giestas, da Atlantica Hospitallity e Beto Caputo, da Átrio e Livá, discutiram o futuro do mercado de short-term rental no Brasil
Allan Sztokfisz, da Charlie, Eduardo Giestas, da Atlantica Hospitallity e Beto Caputo, da Átrio e Livá, discutiram o futuro do mercado de short-term rental no Brasil

Os palestrantes falaram das principais diferenças da hotelaria tradicional em detrimento do chamado Short-Term Rental (STR) e como o mercado de aluguel por temporada é mais atrativo na questão de custos operacionais.

"A ideia do short-term stay, ou STR, é não ter custos elevados na ponta. A parte de governança, como camareiras, faxineiras, é totalmente terceirizada e não requer funcionários próprios. Temos diversas operações que não requerem nenhum funcionário próprio e que desempenham muito bem. Nessas unidades, a contratação terceirizada de serviços cai ou cresce de acordo com o número de unidades habitadas, o que reduz drasticamente os custos. Isso não significa que nós não estamos preocupados com o bem estar do hóspede, mas é uma flexibilidade que o modelo proporciona", explica Allan Sztokfisz, CEO e co-fundador da Charlie.

Apesar da atratividade do baixo custo, os executivos apontaram para a dificuldade de canais de comercialização que não cobrem alto pelos anúncios, o que inviabiliza esse tipo de negócio.

"O Airbnb foi o precursor do mercado de short-term rental no Brasil. Apesar do pioneirismo, ele trouxe para esse mercado outros players que já atuavam no segmento de hotelaria tradicional, como o caso do Booking que, hoje, chega a ser ainda mais forte nesse setor. Esses canais são caros, daí a necessidade de empresas terem canais próprios para comercializar seus ativos, buscando não só competir com essas empresas, mas oferecer uma experiência mais econômica ao cliente, ao mesmo tempo em que corta custos na ponta"

Eduardo Giestas, CEO da Atlântica Hospitality International

Na visão dos executivos, há uma recuperação acelerada de área de ocupação hoteleria no pós-pandemia. Apesar disso, a diária do setor hoteleiro ainda está muito abaixo da praticada em 2013. O mercado de novos empreendimentos hoteleiros está baixo, por conta dos preços das diárias e os baixos custos do short-term rental tornam esse mercado ainda mais atrativo no momento atual.

"O desafio maior no short-term rental é entregar uma experiência de hotel, de qualidade, para o cliente, sendo que, na maioria das vezes, não há um agente nosso naquela operação, como acontece na hotelaria tradicional"

Allan Sztokfisz, CEO e co-fundador da Charlie

A falta de funcionários in loco requer soluções tecnológicas que possam suprir as necessidades do hóspede de se comunicar com o locatário e resolver problemas de operação. Nesse sentido, todos os executivos concordaram que, cada vez mais, a tecnologia serve como ponte entre locador e locatáo no modelo de STR.

"O mercado de Short-term Rental depende muito do uso exacerbado da tecnologia. Ela é a ponte que nos liga ao consumidor sem a necessidade de um agente físico no empreendimento. Isso faz com que os custos desse segmento seja muito menor que o da hotelaria tradicional. Nesse sentido, a tecnologia é a garantia de um bom serviço a um custo baixo"

Beto Caputo, CEO da Átrio Hotéis e Livá Hotéis de Diversã

A conclusão dos executivos é a de que o mercado de STR é muito promissor e que, apesar da dificuldade de canais de comercialização, o segmento vem desempenhando muito bem, com ótimas perspectivas para o ano de 2024.

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