Rodrigo Vieira   |   17/03/2026 16:59
Atualizada em 17/03/2026 17:00

Uma "lista suja" de fornecedores daria certo no Turismo do Brasil? Abav responde

Entidade avalia a iniciativa da ASTA nos Estados Unidos e pondera sobre os desafios de implementar aqui


Divulgação
Ana Carolina Medeiros, presidente da Abav Nacional
Ana Carolina Medeiros, presidente da Abav Nacional

Recentemente, a American Society of Travel Advisors (ASTA), entidade equivalente à Abav nos Estados Unidos, tornou pública a sua Hotel Watch List, expondo hotéis que atrasam ou não pagam comissões aos agentes de viagens nos Estados Unidos. Segundo ASTA, a iniciativa tem o intuito de pressionar fornecedores a honrar pagamentos devidos ou de passar a comissionar justamente e já ajudou a recuperar cerca de US$ 15 mil em comissões.

E se uma medida semelhante acontecesse no Brasil? Diante desse cenário, o Portal PANROTAS buscou a Abav Nacional para entender se uma "lista suja" de fornecedores faria sentido em nossa realidade. A presidente Ana Carolina Medeiros primeiramente ponderou sobre as peculiaridades de cada mercado.

Segundo ela, o mercado norte-americano tem características próprias e uma dinâmica bastante estruturada em torno do agenciamento de viagens, o que naturalmente influencia o tipo de mecanismos adotados para lidar com questões comerciais. Já no caso brasileiro, é importante analisar essas experiências com atenção e compreender como elas se inserem dentro da realidade local.

"O Turismo no Brasil envolve um ecossistema amplo de fornecedores, redes hoteleiras, meios de hospedagem independentes, operadoras e agências, com diferentes modelos de relacionamento comercial. Por isso, iniciativas desse tipo precisam sempre ser analisadas de forma cuidadosa, considerando o contexto do mercado, os aspectos institucionais e os impactos que podem gerar para toda a cadeia do Turismo", afirma.

Sobre a possibilidade de aplicar algo similar no Brasil, a presidente da Abav Nacional enfatiza a necessidade de um diálogo amplo entre os diferentes atores do setor, incluindo associações do setor hoteleiro e federações. Segundo ela, caso um debate dessa natureza avançasse, o ideal seria uma construção coletiva, com transparência e alinhamento entre as entidades representativas, uma vez que o Turismo é um setor essencialmente colaborativo e soluções estruturais são mais eficazes quando surgem a partir do consenso.

Ambiente jurídico desafiador

A presidente da Abav Nacional acrescenta que a implementação de uma lista pública de inadimplentes no Brasil esbarra em entraves significativos, especialmente no âmbito jurídico. Ana Carolina aponta que o ambiente legal brasileiro envolve aspectos complexos relacionados ao direito do consumidor, à legislação civil e à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

"A divulgação pública de eventuais situações comerciais exige critérios muito claros, processos de verificação robustos e segurança jurídica para todas as partes envolvidas. É fundamental evitar interpretações precipitadas ou a exposição de fornecedores sem que haja uma confirmação adequada dos fatos. Por isso, qualquer iniciativa nessa direção exigiria uma análise jurídica cuidadosa e um modelo que assegure equilíbrio e responsabilidade na forma como essas informações seriam tratadas", explica a presidente.

Maior a transparência, maior a confiança

Apesar dos desafios, a Abav Nacional aponta que a busca por maior transparência e boas práticas comerciais é fundamental para o Turismo, fortalecendo o setor e gerando confiança. Contudo, a entidade reforça que as iniciativas voltadas à melhoria do ambiente de negócios devem ser conduzidas com responsabilidade para preservar o equilíbrio da rede de parcerias que sustenta a cadeia turística.

"O mais importante é que o setor continue avançando no fortalecimento das boas práticas e na valorização do papel de cada elo da cadeia do turismo. As agências de viagens exercem uma função estratégica na orientação dos viajantes e na organização das experiências de viagem, e essa atuação depende de relações comerciais transparentes e bem estruturadas. A Abav acompanha com atenção as discussões internacionais e está sempre aberta ao diálogo com os diferentes segmentos do setor para avaliar iniciativas que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável e responsável do turismo no Brasil", conclui Ana Carolina Medeiros.

A PANROTAS também pediu posicionamento da Braztoa, que todavia não enviou.

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Sobre o autor

Rodrigo Vieira é jornalista com 12 anos de especialização na indústria de Turismo, todo esse tempo orgulhosamente na PANROTAS. Sua maior satisfação profissional é quando, por meio de seu trabalho, ajuda um agente de viagens a obter êxito. Conhece 30 países e ama viajar para o Exterior, mas jamais moraria fora do melhor destino de todos, o Brasilzão.