Guerra no Irã já faz preço das passagens aéreas internacionais disparar até 29,5%
Estudo analisou cerca de 400 mil buscas realizadas entre 18 de fevereiro e 15 de março

A guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz já começaram a pesar no bolso do viajante brasileiro. Um levantamento do buscador Viajala, compartilhado exclusivamente com o Portal PANROTAS, aponta que os preços das passagens aéreas internacionais subiram, em média, 13% nos últimos 10 dias em voos com saída de São Paulo.
O estudo analisou cerca de 400 mil buscas realizadas entre 18 de fevereiro e 15 de março, comparando os preços antes e depois do início do conflito, marcado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, e revelou que o impacto é direto e imediato.
“A guerra leva o mundo a uma crise global de energia e combustível, que responde por cerca de um terço da precificação das passagens aéreas. O efeito de um evento dessa magnitude é praticamente instantâneo”
Felipe Alarcón, diretor comercial da Viajala
Antes da guerra: tendência de queda
Nos 10 dias anteriores ao conflito (18 a 28 de fevereiro), as passagens internacionais partindo do Aeroporto de Guarulhos apresentavam queda em diversos destinos.
- Lisboa: R$ 4.616 (queda de 2,5%)
- Santiago: R$ 1.425 (queda de 13,5%)
- Madri: R$ 4.987 (estável)
- Orlando: R$ 3.235 (alta de 3,5%)
- Buenos Aires: R$ 1.332 (queda de 9%)
Depois do conflito: alta generalizada
Entre 5 e 15 de março, já com o fechamento do Estreito de Ormuz, o cenário mudou completamente, com aumento expressivo nos preços:
- Lisboa: R$ 5.337 (alta de 15,5%)
- Santiago: R$ 1.565 (alta de 10%)
- Madri: R$ 4.968 (estável)
- Orlando: R$ 3.562 (alta de 10%)
- Buenos Aires: R$ 1.726 (alta de 29,5%)
Companhias aéreas já repassam custos
O aumento também aparece nas tarifas das companhias que operam voos internacionais no Brasil. Entre 5 e 15 de março, na comparação com o fim de fevereiro:
- Tap Air Portugal: +3%
- Avianca: +24,5%
- Arajet: +7%
- Copa Airlines: +21,5%
- Iberia: +14%
- Azul: +8%
- Gol: +6%
- Latam Airlines foi a única a manter estabilidade nos preços.
Petróleo no centro da crise

O aumento é explicado pela importância do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito do mundo. Com o bloqueio, exportadores do Golfo Pérsico enfrentam dificuldades logísticas, pressionando o preço do petróleo, principal matéria-prima do QAV.
Diante desse cenário, companhias aéreas globais já começaram a adotar medidas. O grupo Air France-KLM anunciou um adicional de 50 euros em voos de longa distância. Outras empresas, como SAS e Qantas, também indicaram reajustes. Na América do Sul, a Aerolíneas Argentinas passou a cobrar uma taxa temporária que pode chegar a US$ 50 em voos internacionais para compensar o aumento do combustível.
Apesar de muitas dessas taxas serem anunciadas como temporárias, não há prazo definido para o fim dos reajustes. “A recomendação para quem tem viagem planejada é pesquisar e comprar o quanto antes, já que os desdobramentos da guerra ainda são incertos”, reforça Alarcón.
Situação das passagens aéreas domésticas

O mesmo levantamento aponta ainda um alta média de 15% nos preços das passagens aéreas nacionais nos últimos 10 dias nas principais rotas do País. O impacto acompanha o cenário global de energia. Entre 18 e 28 de fevereiro, logo após o Carnaval, as tarifas aéreas apresentavam tendência de queda.
- São Paulo: R$ 983 (queda de 5%)
- Recife: R$ 1.228 (queda de 3,5%)
- Rio de Janeiro: R$ 1.108 (queda de 4,5%)
- Fortaleza: R$ 1.500 (estável)
- Salvador: R$ 1.173 (queda de 12%)
Entre as companhias, o cenário era semelhante:
- Azul: -5,5%
- Latam Airlines: -4,5%
- Gol: estabilidade
Depois do conflito: alta expressiva nas rotas domésticas
Com o fechamento do Estreito de Ormuz, entre 5 e 15 de março, a tendência se inverteu e os preços dispararam:
- São Paulo: R$ 1.338 (alta de 36%)
- Recife: R$ 1.497 (alta de 22%)
- Rio de Janeiro: R$ 1.232 (alta de 11%)
- Fortaleza: R$ 1.710 (alta de 14%)
- Salvador: R$ 1.338 (alta de 14%)
Companhias nacionais também reajustam tarifas
O aumento também foi observado nas tarifas médias das companhias aéreas:
- Azul: +13,5%
- Latam Airlines: +15%
- Gol: +17%