Low costs enfrentam dificuldades no Brasil; veja análise

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Divulgação/Viajala
Luísa Dalcin, do Viajala, Gustavo Murad, da Amadeus, Josian Chevallier, do Viajala, e Ivan Sakr, da Sky Airline
Luísa Dalcin, do Viajala, Gustavo Murad, da Amadeus, Josian Chevallier, do Viajala, e Ivan Sakr, da Sky Airline
Nos últimos 12 meses, cinco novas companhias aéreas chegaram ao Brasil, sendo todas de baixo custo, as low costs, e quatro já estão em operação: Sky e Jetsmart, do Chile, a Norwegian, da Noruega, e Flybondi, da Argentina. O tema foi destaque na edição Barômetro Viajala 2019, evento anual da startup Viajala sobre as tendências do Turismo no Brasil e na América Latina.

Esse novo modelo de negócio tem impactado o preço médio em rotas específicas para fora do Brasil. No entanto, o tema é pouco conhecido entre os viajantes brasileiros. Em pesquisa feita com usuários do Viajala, apenas 9,5% dos participantes informaram já terem viajado com empresas low costs, enquanto 50,2% desconhecem o conceito, que trata de empresas que enxugam seus custos e cobram à parte por serviços adicionais, como marcação de assento e refeições para oferecer tarifas mais baratas.

Para o sócio-fundador do Viajala, Josian Chevallier, “esse processo demanda um tempo de adaptação. O mesmo aconteceu em outros países latinos quando começaram a oferecer voos low costs, há anos, e hoje a população viajante desses locais já sabe o que esperar dessas companhias e está ciente dos prós e contras”.

Para o diretor financeiro da Sky no Brasil, Ivan Sakr, esse estranhamento da população não é novidade. “Sempre que a empresa começa em um novo mercado, as pessoas reclamam das cobranças extras, como bagagem e alimentação”, afirma. “Educar para esse novo padrão de viagem é um trabalho de formiguinha.”

Também convidado da mesa de debate, Gustavo Murad, diretor de Companhias Aéreas da Amadeus, ressaltou a diferença entre low cost de low fare, ou seja, “baixo custo” e “baixa tarifa”, que também são pouco percebidas pelo público viajante. “Empresas podem operar enxugando os custos ao máximo e não necessariamente ter preços low fare, assim como nem toda empresa barata vai deixar a desejar no serviço”, aponta.

CONCORRÊNCIA
Apesar dos preços mais baixos ofertados pelas low cost, os executivos acreditam que há espaço para todos os tipos de companhias aéreas, desde as que têm operação mais enxuta às tradicionais ou de luxo. É possível que a competição entre as companhias fique para um segundo momento, já que, inicialmente, o turista que compra um serviço low cost pode ser aquele que faria essa viagem de ônibus ou nem pensava, até então, em fazê-la.

Divulgação/Viajala
Eduardo Martins e Josian Chevallier, do Viajala, com Gustavo Murad, da Amadeus, e Ivan Sakr, da Sky Airline
Eduardo Martins e Josian Chevallier, do Viajala, com Gustavo Murad, da Amadeus, e Ivan Sakr, da Sky Airline
“Acredito que as viagens por impulso se tornam mais comuns nesses casos. O viajante vai decidir viajar porque encontrou bons preços, em vez de decidir o destino primeiro e procurar bons preços depois”, reforça Chevallier. Para o VP de Vendas do Viajala, as redes sociais impulsionam esse tipo de decisão. “Com a comunicação direta que temos com a comunidade, avisamos os bons preços em tempo real, com mais proximidade.”

INFRAESTRUTURA
Este ano, o congresso aprovou medida provisória que autoriza a participação de 100% de capital estrangeiro em companhias aéreas e o governo vetou a gratuidade na franquia de bagagens em voos domésticos. Esses aspectos foram apontados pelos executivos como determinantes para que o mercado brasileiro atraísse as companhias aéreas de baixo custo. A redução do ICMS sobre o querosene para aviação também foi destacada.

Para Sakr, a questão aeroportuária é um dos entraves. “Uma empresa que quer voar para São Paulo tem dificuldades. O aeroporto de Congonhas, por exemplo, já opera na máxima capacidade, não há mais slots disponíveis. Optar pelo aeroporto de Guarulhos significa pagar taxas altas, o que aumenta o custo da companhia e encarece a passagem”, justifica. “A saída são novos aeroportos regionais, para que possam existir novas rotas.”

Segundo Murad, da Amadeus, para que o negócio seja sustentável é preciso mais investimento em infraestrutura. “Em um mercado maduro como Estados Unidos ou Europa, cidades grandes, de 500 mil habitantes, possuem um serviço aéreo de qualidade. Aqui ainda estamos em processo, existe um plano de investimento, mas estamos longe de chegar lá.”
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