CEO da Latam diz querer igualar salários a Gol e Azul

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Emerson Souza
Jerome Cadier, presidente da Latam Brasil
Jerome Cadier, presidente da Latam Brasil
Sem acordo com os funcionários na proposta de redução de salários, a Latam Brasil indica para a demissão de cerca de 2,7 mil colaboradores a partir da próxima semana. O presidente da empresa, Jerome Cadier, gravou um vídeo nesta quinta-feira, 6 de agosto, fazendo um último apelo pela redução de custos, afirmando que não quer uma companhia menor que as demais e que não pode continuar com um custo maior que as concorrentes Gol e Azul.

“A gente não vai desistir. Essa companhia vai continuar forte, viva e vai sair dessa crise. Ela vai sair diferente, mas vai sair. Se eu pagar mais, eu serei menor, e isso eu não quero”, afirmou Cadier.

Ontem, funcionários da companhia fizeram protesto contra as demissões no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Eles pedem que as reduções de salário sejam temporárias, mas o presidente da empresa diz no vídeo de ontem que elas (as reduções) precisam ser permanentes, porque a crise vai ser demorada e porque a Latam não pode mais ter um custo maior, como sempre teve, em relação às concorrentes. Ou seria uma empresa menor, o que ele não quer.

No vídeo, ele cita o exemplo da Avianca Brasil, que “gastava mais do que recebia, expandiu internacionalmente e foi à falência”. “A Avianca tinha um produto ruim? Não”, responde ele, mas durante muito tempo gastou mais que recebia e a operação não se sustentou.

ASSISTA A VÍDEO ABAIXO



De acordo com Cadier, há pessoas que não entenderam os movimentos que a companhia está fazendo ou têm dúvidas, mas a regra de “não gastar mais do que recebe” vale das finanças em casa às empresas aéreas.

“A Latam tinha custos maiores que seus concorrentes quando a crise começou. Somos uma empresa mais antiga, maior, com legado, é natural. A crise eliminou 80% dos nossos passageiros, a tarifa está 30% a 40% menor, e quanto a crise acabar, a situação vai ser de tarifas menores e menos passageiros. Então é importante estarmos prontos para isso. A questão de custos virou questão de sustentabilidade para a companhia. Se a gente não fizer isso não vai sobreviver”, continuou na sua explicação.

A proposta aos funcionários, segundo Jerome Cadier, é para igualar os custos da Latam aos da Gol e da Azul. Ou seja, os colaboradores ganhariam o mesmo que os das concorrentes.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Ele lembrou que a companhia, em Chapter 11 (recuperação judicial), está renegociando dívidas financeiras, repensando suas frotas em diversos países, inclusive no Brasil, com relação a modelo e quantidade de aviões, e revendo todos os contratos com terceiros. “Revimos de forma brutal os custos administrativos, finanças, RH, TI, aeroportos... Aí tem gente que olha e diz que estamos fazendo errado, pois a quantidade de voos da Latam é menor que os concorrentes”.

De acordo com ele, a quantidade é sim menor, pois os custos da Latam são maiores. “Azul e Gol também estão perdendo dinheiro todos os dias. Fala-se em R$ 3 milhões a R$ 5 milhões de caixa negativo por dia. O custo de operação da Latam é maior e para cada dia operando no vermelho o buraco é maior. Então estou voando menos, é uma lógica muito clara”, explicou ele, citando ainda a operação internacional, onde os passageiros sumiram. “Então temos um excedente muito maior de tripulação, aviões, aeroportos, administrativo...”, exemplificou, para enfatizar de novo a necessidade de cortes definitivos de salários.

“É duro, e eu não me orgulho de fazer isso. Mas meu papel como líder da companhia no Brasil é fazer com que ela seja sustentável. Objetivo é preservar operação da Latam e com custo maior, a operação será menor. A crise vai levar anos para ir embora e não podemos falar em mudanças temporárias. Elas precisam ser permanentes”.

“Não posso ter um custo maior de operação que meus concorrentes e o que a gente propôs é igualar esse custo (ao dos concorrentes). Quero continuar dando oportunidades de trabalho, contratando gente como fizemos nos últimos três anos. Mas para isso temos que mudar. Não vamos lutar contra a mudança. Uma hora, de uma forma ou de outra, ela tem que vir”, finalizou o presidente da Latam.
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