Alta do QAV pode elevar custos da United Airlines em até US$ 11 bilhões, diz CEO
Guerra no Oriente Médio pressiona petróleo e passagens aéreas sobem, mas demanda por voos segue forte

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já provoca efeitos diretos na aviação global e pode levar a uma nova rodada de aumento nas tarifas aéreas. O CEO da United Airlines, Scott Kirby, por exemplo, trabalha com um cenário de petróleo chegando a US$ 175 por barril e permanecendo acima de US$ 100 até 2027.
Segundo ele, o preço do QAV (Combustível da Aviação), responsável por mais de 40% dos custos operacionais das companhias, praticamente dobrou nas últimas três semanas, o que pode adicionar cerca de US$ 11 bilhões às despesas anuais da empresa.
As companhias têm a capacidade de repassar parte dos custos aos passageiros. Segundo análise do Deutsche Bank, a tarifa média de voos transcontinentais nos Estados Unidos saltou de US$ 167 no fim de fevereiro para US$ 414 em meados de março.
Kirby reconhece que o cenário exige ajustes operacionais. Companhias já começam a reduzir frequências em horários de menor demanda e suspender rotas afetadas diretamente pela instabilidade no Oriente Médio. A United Airlines, por exemplo, interrompeu voos para Tel Aviv e Dubai e avalia cortes em voos noturnos.
Segundo especialistas, o impacto pode se intensificar caso o petróleo permaneça elevado por mais tempo. Nesse cenário, companhias aéreas tendem a revisar malhas, reduzir oferta em rotas menos rentáveis e concentrar operações em mercados com maior demanda.
Apesar disso, o momento atual difere da crise provocada pela pandemia. Embora a alta do combustível pressione custos e leve ao encarecimento das passagens, com projeções de aumentos de até 20% para equilibrar despesas, o apetite por viagens pelo menos ainda permanece resiliente.