Aporte na Azul não interfere na parceria American e Gol; destaques do painel com CEOs
Celso Ferrer, Jerome Cadier e John Rodgerson estiveram, novamente, cara a cara no palco do Fórum PANROTAS

O tradicional painel com os CEOs das três maiores companhias aéreas do Brasil voltou ao palco do Fórum PANROTAS 2026, reunindo John Rodgerson (Azul), Celso Ferrer (Gol) e Jerome Cadier (Latam). Além de guerra EUA versus Irã e Chapter 11, os executivos também abordaram temas estratégicos para cada empresa, como investimentos internacionais, parcerias globais, expansão de frota e ajustes de malha.
Entre os destaques estiveram o aporte das norte-americanas United Airlines e American Airlines na Azul por conta do Chapter 11, o fortalecimento da parceria entre Gol e American (mesmo com o investimento da AA na concorrente Azul) e os planos da Latam para ampliar sua capilaridade com novas aeronaves.
Veja os principais highlights:
Azul reforça apoio de United e American Airlines
John Rodgerson destacou o orgulho de contar com grandes companhias dos EUA como parceiras estratégicas da Azul. Segundo ele, a United Airlines já realizou seu aporte financeiro na empresa, enquanto o investimento da American Airlines ainda depende de aprovação do Cade.
“É muito bom tê-los do nosso lado olhando nosso plano de Chapter 11. A United acreditou no nosso plano e o dinheiro já entrou. Com a American Airlines ainda depende de aprovação do Cade, mas faz parte desse processo”
John Rodgerson, da Azul
Rodgerson reforçou que a parceria representa um voto de confiança na estratégia da empresa e no trabalho realizado pela companhia aérea. “Tenho muito orgulho dos 15 mil tripulantes da Azul e do que construímos. Hoje atendemos cerca de 130 cidades no Brasil, e ter esses parceiros ao nosso lado mostra que acreditam no nosso plano de médio e longo prazo.”
Gol reforça parceria com American Airlines
A parceria entre Gol e American Airlines também entrou no debate, especialmente após o anúncio do investimento da American na Azul. Para Celso Ferrer, CEO da Gol, a relação entre as empresas permanece sólida.
“Temos uma relação muito forte com a American Airlines e isso foi reafirmado durante nosso período de Chapter 11. Saímos desse processo com a parceria ainda mais forte”
Celso Ferrer, da Gol
Segundo ele, a cooperação se sustenta principalmente na complementaridade das malhas. “Hoje conectamos mais de 95% dos passageiros da American no Brasil, enquanto eles distribuem nossos clientes em Miami. A parceria comercial é o mais importante e isso não muda por questões estruturais.”
Ferrer também destacou que há diferentes camadas de relacionamento entre as companhias aéreas. A United Airlines, por exemplo, é acionista do grupo Abra, controlador da Gol.
“Hoje nosso foco é oferecer a melhor experiência possível para o cliente da American, especialmente em conexões, bagagens e pontualidade. Os times estão trabalhando mais do que nunca nisso”, disse.
Latam avalia parcerias, mas mantém foco em Delta e Qatar
Ao ser questionado sobre possíveis alianças com companhias europeias, Jerome Cadier afirmou que a Latam está satisfeita com suas atuais parcerias estratégicas.
“Hoje estamos muito satisfeitos com as parcerias com a Delta e com a Qatar Airways, que inclusive são acionistas da Latam. Elas vão muito bem, obrigado”
brincou Jerome Cadier
Segundo o executivo, embora exista sempre espaço para avaliar novos acordos, os atuais modelos de cooperação já atendem bem à estratégia da empresa. “Sempre existe a possibilidade de pensar em um parceiro europeu, mas trabalhamos muito bem com acordos de codeshare. Por enquanto, não há planos.”
Ajustes na malha da Azul e foco em rentabilidade
Rodgerson também comentou sobre ajustes recentes na malha da Azul, especialmente em rotas regionais, diante da reestruturação financeira nos EUA. Segundo ele, a companhia reduziu operações em algumas cidades para melhorar eficiência e rentabilidade.
“A gente terminou o ano transportando mais pessoas do que em 2024. 2025 foi nosso maior ano em ASK. Paramos de crescer no ritmo anterior e fechamos cerca de 15 cidades, sendo dez delas atendidas pela Azul Conecta, realocando aeronaves para mercados mais fortes”, explicou.

O executivo destacou que a empresa passou a reagir mais rapidamente quando uma rota não apresenta resultados. “Nossa paciência ficou menor. Se uma rota não está funcionando, podemos retirar a aeronave e colocá-la em outro mercado. Precisamos ganhar dinheiro.”
Ainda assim, ele reforçou que o segmento regional continua sendo importante, desde que conectado à estratégia da companhia. “Regional é importante, mas precisa alimentar nossos hubs.”
Latam aposta em aeronaves menores para ampliar capilaridade
A Latam também detalhou seus planos de expansão doméstica com a chegada de novas aeronaves da Embraer, plano anunciado em setembro. De acordo com o CEO Jerome Cadier, a decisão faz parte da estratégia de crescimento responsável da companhia.
Antes da pandemia, a Latam operava em 44 destinos domésticos. Hoje são cerca de 60 cidades atendidas com praticamente a mesma frota.
“Para continuar crescendo, precisávamos de aeronaves com características diferentes da família A320. A ideia é usar aviões mais eficientes para atender cidades menores, aumentar nossa capilaridade e abrir novos destinos”, explicou.
Cadier também destacou que os novos aviões permitirão melhorar a frequência de voos em rotas existentes. “Em vez de um voo diário com aeronave maior, podemos operar duas frequências com aviões menores, oferecendo mais opções de horário ao passageiro.”
Segundo ele, as aeronaves ajudarão a sustentar o crescimento da companhia a partir de 2027.
Gol estuda uso de aeronaves widebody no Brasil
A Gol também comentou os planos para aeronaves de grande porte dentro do grupo Abra. Ferrer explicou que a decisão sobre a utilização desses aviões ocorre em nível de grupo.
“O grupo Abra já tem uma operação consolidada de widebody. Quando aeronaves são disponibilizadas pelos lessors, elas são avaliadas dentro do grupo”
Celso Ferrer, da Gol
Segundo o executivo, a Gol trabalha para demonstrar que o mercado brasileiro pode operar esses aviões de forma rentável.
“O mercado de aeronaves de dois corredores ainda enfrenta grande escassez de aviões disponíveis. Isso cria oportunidades interessantes em termos de rentabilidade”, concluiu.