Pedro Menezes   |   10/03/2026 11:46
Atualizada em 10/03/2026 13:11

Guerra no Oriente Médio já provoca o maior impacto na aviação global desde a pandemia

Os CEOs de Azul, Gol e Latam já afirmaram, no Fórum PANROTAS 2026, que o preço das passagens vai subir

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Consequentemente, a mudança nas rotas tem impacto direto no preço das passagens, especialmente em voos que conectam a Ásia à Europa
Consequentemente, a mudança nas rotas tem impacto direto no preço das passagens, especialmente em voos que conectam a Ásia à Europa

O conflito no Oriente Médio já provoca a maior turbulência para o setor aéreo desde a pandemia de Covid-19. Desde o início da guerra, pelo menos 37 mil voos foram cancelados em todo o mundo, afetando diretamente rotas internacionais e gerando atrasos e incertezas para passageiros.

O cenário de risco na região tem levado companhias aéreas a evitar o espaço aéreo de diversos países do Oriente Médio. Consequentemente, a mudança nas rotas tem impacto direto no preço das passagens, especialmente em voos que conectam a Ásia à Europa.

Os CEOs de Azul, Gol e Latam já afirmaram que o preço das passagens vai subir. Isto porque, o aumento do preço do petróleo é outro fator que pressiona o setor. Desde o início do conflito, o valor do querosene de aviação subiu mais de 50%, elevando significativamente os custos operacionais das empresas aéreas.

Especialistas apontam que, em períodos de instabilidade geopolítica, a alta do barril de petróleo costuma se refletir rapidamente no preço do combustível utilizado pelas aeronaves. Como resultado, as companhias enfrentam despesas maiores para manter suas operações.

Além disso, o Oriente Médio ocupa um papel estratégico na malha aérea global, funcionando como um grande ponto de conexão entre diferentes continentes. Grandes aeroportos da região, como o de Dubai, ligam passageiros a mais de cem países, facilitando a conexão entre América, Europa, Ásia e Oceania. Com a guerra, parte desse fluxo foi interrompido ou redirecionado.

Enquanto o conflito continua, especialistas afirmam que ainda é difícil calcular o tamanho total dos impactos para a aviação mundial. A duração da crise e a evolução da situação no Oriente Médio devem determinar o nível de pressão que o setor aéreo enfrentará nos próximos meses.

Mais consequências do conflito

  • O setor de Turismo, que representa uma fatia vital do PIB da região, enfrenta uma perda estimada em até US$ 56 bilhões. É bom frisar que antes da escalada de 2026, o Turismo no Oriente Médio estava avaliado em cerca de US$ 367 bilhões anuais. Operadoras como a TUI, viram suas ações caírem 8,5% em um único dia, enquanto grandes redes hoteleiras como Accor enfrentam quedas severas nas reservas.
  • Em Israel, embora o país tenha tentado uma recuperação com 1,3 milhão de chegadas em 2025, o novo surto de hostilidades em 2026 derrubou o fluxo turístico em 80% em relação aos níveis normais. O custo total do conflito para a economia israelense já ultrapassa os US$ 89 bilhões.
  • Países vizinhos que dependem do Turismo religioso e histórico também sofrem: na Arábia Saudita, mais de 58 mil peregrinos ficaram retidos sem conseguir deixar o país devido ao bloqueio aéreo, enquanto na Jordânia, locais icônicos como Petra registraram quedas na visitação estrangeira.
  • Relatórios da AP News indicam que cerca de 30 mil turistas alemães ficaram retidos em navios de cruzeiro e hotéis na região apenas na primeira semana de março de 2026. Em Bali, um destino distante do conflito, mas dependente das conexões do Golfo, milhares de passageiros também tiveram suas viagens de volta canceladas

Com informações de Reuters, AP News e Jornal Nacional.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.