Pedro Menezes   |   13/05/2026 10:19

Conflito no Oriente Médio derruba capacidade aérea global entre os meses de maio e junho

Atual situação na região também força companhias aéreas a rever malha para o verão no hemisfério norte

Divulgação
Na América do Sul, os efeitos também aparecem, mas com menor intensidade
Na América do Sul, os efeitos também aparecem, mas com menor intensidade

O agravamento do conflito no Oriente Médio já provoca impactos profundos na aviação mundial às vésperas da alta temporada de verão no Hemisfério Norte. Dados da consultoria OAG mostram que companhias aéreas reduziram drasticamente sua oferta de assentos em diversas regiões do planeta.

A análise compara a capacidade divulgada pelas companhias aéreas em abril com planejamentos originais registrados em fevereiro, revelando uma reconfiguração significativa das operações para os meses de maio, junho e julho, plena alta temporada do verão boreal.

Oriente Médio lidera cortes globais

A região mais impactada é, naturalmente, o Oriente Médio. Em maio, a capacidade internacional está 34,7% abaixo do planejado originalmente, o equivalente a mais de um terço dos assentos fora do mercado. Apesar do forte recuo imediato, as companhias demonstram cautela moderada para os meses seguintes. Em junho, a redução cai para 9,9%, enquanto julho registra retração de 5%.

O efeito cascata, porém, ultrapassa as fronteiras da região e afeta mercados conectados às grandes companhias do Golfo. O Leste Europeu, por exemplo, aparece como a segunda região mais impactada, com retração de 18,3% na capacidade em maio. O motivo principal é a forte redução de voos operados por empresas do Oriente Médio para destinos europeus.

Na América do Sul, os efeitos também aparecem, mas com menor intensidade. A América do Sul Superior registra uma queda de 5,1% no número de assentos, enquanto a América do Sul Inferior recua 4,8%.

A única região do mundo com crescimento expressivo em maio é a Ásia Central, que apresenta alta de 9,7% na capacidade internacional. Grande parte desse avanço vem da expansão da IndiGo, que adicionou cerca de 85 mil assentos ao mercado enquanto amplia sua presença regional.

Mercado regional
Maio de 2026
Junho de 2026
Julho de 2026
01. Oriente Médio
-34,7%
-9,9%
-5,0%
02. Europa Oriental
-18,3%
-0,7%
+2,2%
03. Sul da Ásia
-9,3%
0,0%
+1,0%
04. Sudeste Asiático
-8,3%
-3,5%
+1,0%
05. África Oriental
-5,1%
-0,9%
+0,8%
06. Norte da América do Sul
-5,1%
-3,8%
-1,8%
07. Sul da América do Sul
-4,8%
-4,4%
-0,7%
08. América Central
-4,5%
-3,3%
-2,7%
09. Caribe
-4,1%
-5,0%
-3,1%
10. Europa Ocidental
-3,7%
-0,4%
+0,9%
11. Pacífico Sudoeste
-3,5%
-3,5%
+1,3%
12. África Austral
-2,2%
-0,3%
+1,8%
13. América do Norte
-2,1%
-2,8%
-1,3%
14. África Central/Ocidental
-1,7%
-1,2%
0,0%
15. Nordeste Asiático
-0,9%
+1,4%
+4,0%
16. Norte da África
-0,1%
+3,0%
+2,9%
17. Ásia Central
+9,7%
+14,8%
+16,1%

Companhias do Golfo lideram reduções

Agora entre as empresas aéreas mais afetadas, predominam transportadoras do Oriente Médio. Ainda assim, o levantamento mostra que todas pretendem manter ao menos dois terços da capacidade originalmente programada, sinalizando esforço para preservar conectividade e participação de mercado.

Neste caso, a Qatar Airways continua entre as mais pressionadas também em junho, quando ainda prevê capacidade 18,4% abaixo do originalmente programado, considerado um impacto relevante para um período tradicionalmente forte para a empresa.

As maiores reduções previstas são:

Companhia aérea
Maio de 2026
Junho de 2026
Julho de 2026
01. Air Arabia
-34,3%
-6,1%
-3,8%
02. Qatar Airways
-32,4%
-18,4%
-10,4%
03. Flydubai
-28,2%
+1,0%
+1,6%
04. Etihad Airways
-18,2%
-5,0%
+3,7%
05. Saudi Arabian Airlines
-17,7%
-1,3%
-0,6%
06. IndiGo
-17,0%
+1,1%
+1,8%
07. Pegasus Airlines
-13,7%
+2,7%
+13,1%
08. Emirates
-13,6%
-2,0%
-1,7%
09. Thai Airways International
-9,3%
+0,1%
+0,2%
10. AirAsia
-8,6%
-12,7%
+1,0%

Janela de planejamento ficou mais curta

Segundo a OAG, os dados mostram que as aéreas estão trabalhando atualmente com uma janela operacional de cerca de seis semanas. Na prática, isso significa que as empresas ajustam suas malhas quase em tempo real, ampliando ou reduzindo capacidade conforme evoluem as condições geopolíticas e operacionais.

Em junho, apenas três regiões ainda apresentam expectativa de crescimento sobre o plano original:

  • Norte da África (+3%);
  • Ásia Central (+14,8%);
  • Nordeste Asiático (+1,4%).

Já em julho, dez regiões devem voltar a apresentar crescimento de capacidade, reforçando a percepção de que o setor aposta em uma recuperação gradual caso o cenário permaneça estável.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.