WTTC: crise no Oriente Médio pressiona aviação, mas Turismo seguirá resiliente
CEO Gloria Guevara acredita em recuperação rápida caso conflito seja estabilizado nos próximos meses

PORTO SAID (EGITO) – Apesar dos impactos causados pela crise no Oriente Médio sobre a conectividade aérea global, o WTTC acredita que o setor de Viagens e Turismo deve se recuperar rapidamente caso o conflito seja estabilizado nos próximos meses.
A avaliação é da presidente e CEO do órgão, Gloria Guevara, durante coletiva de imprensa no primeiro WTTC Leadership Cruise, realizado a bordo do Crystal Serenity, que fez uma travessia especial pelo Canal de Suez, no Egito.
Segundo Gloria, que apresentou números e fatos em sua abertura nesta quinta-feira (7), o Turismo é uma das indústrias mais resilientes do mundo e já demonstrou capacidade de recuperação em diferentes crises globais nas últimas décadas. Estudos do WTTC analisaram mais de 90 crises nos últimos 20 anos e mostram que o setor sempre conseguiu retomar crescimento. A diferença está na velocidade dessa recuperação.
Obstáculos na conectividade global
Para a executiva, o principal impacto atual da crise não está apenas na redução dos gastos internacionais no Oriente Médio, mas principalmente nos efeitos sobre a conectividade aérea global.
“O problema não é falta de demanda. A demanda continua forte. O problema é a oferta. Um em cada sete passageiros internacionais passa pelos hubs do Oriente Médio e hoje temos menos assentos disponíveis e custos operacionais muito maiores. Essa é uma combinação muito perigosa”
Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC
Gloria explicou que companhias aéreas europeias vêm sendo particularmente impactadas pela dificuldade de operar determinadas rotas na região, especialmente por questões relacionadas a seguros aeronáuticos e mudanças de trajetos entre Europa, Ásia e Oceania.
Outro fator de pressão apontado pela presidente e CEO do WTTC é o aumento do custo do combustível de aviação, que chegou a dobrar ou triplicar em determinados períodos recentes.
De acordo com a executiva, governos podem ajudar o setor reduzindo impostos, apoiando companhias aéreas e investindo em promoção turística para minimizar impactos sobre demanda e conectividade.
Apesar do cenário desafiador, Gloria demonstrou otimismo em relação à recuperação da indústria e reforçou o simbolismo do WTTC Leadership Cruise acontecer justamente durante uma travessia pelo Canal de Suez.
“Estamos aqui reunindo 300 líderes globais do Turismo em um momento complexo para a região porque acreditamos que o setor público e privado precisam trabalhar juntos para acelerar a recuperação. O Turismo sempre se recupera das crises”, conclui.

Resiliência do Brasil
Gloria Guevara também comentou o potencial turístico do Brasil e destacou a relevância do País dentro da indústria global de Viagens e Turismo. Segundo a dirigente, o mercado brasileiro segue sendo um dos mais fortes e resilientes da América Latina, tanto pelo tamanho da economia quanto pelo perfil dos viajantes brasileiros.
“Brasil é um mercado muito forte e muito resiliente. Os brasileiros viajam bastante e o potencial do País para o Turismo continua enorme”
Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC
A executiva lembrou ainda que o Brasil aparece entre as 12 principais economias globais do Turismo nos estudos realizados pelo WTTC e reforçou que o País ainda possui espaço significativo para ampliar sua competitividade internacional.
Para Gloria, um dos principais desafios históricos do Brasil continua sendo a construção de uma estratégia nacional capaz de aproveitar todo o potencial do setor. Apesar disso, ela destacou avanços recentes relacionados à promoção internacional do destino brasileiro.
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