Custo extra com QAV chega a R$ 1,6 bilhão e reduz volume de voos em maio e junho
Carlos Cajado, presidente da Comissão de Viação e Transportes da Câmara, afirma que momento é gravíssimo

O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Juliano Noman, promoveu um almoço com deputados federais, nesta terça-feira (26), em Brasília, para reconhecer o momento “gravíssimo” vivido pela indústria da aviação em razão da guerra no Oriente Médio e da consequente alta do QAV.
Desde o início do conflito, o querosene de aviação (QAV) dobrou de preço e passou a representar 46% dos custos do transporte aéreo. “O setor aéreo passa por um problema gravíssimo”, afirmou Carlos Cajado, presidente da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados.
Presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, que organizou o encontro, o deputado Joaquim Passarinho comprometeu-se a solicitar uma audiência com o Ministério da Fazenda para discutir a prorrogação de benefícios como a isenção de PIS/Cofins incidente sobre o QAV, que só vai até 31 de maio.
Segundo o presidente da Abear, Juliano Noman, somente em maio o custo extra com combustível chegou a R$ 1,6 bilhão. “Isso equivale ao arrendamento mensal de 830 aeronaves, 300 aviões a mais do que a frota brasileira atual”, afirmou.
As discussões para mitigar o impacto da alta do combustível têm como objetivo preservar a malha aérea do País. Em maio, as empresas começaram a reduzir a oferta de voos. Neste mês, a média diária foi de 93 voos a menos. Para junho, a previsão é de 121 voos a menos por dia.

Estados das regiões Norte e Nordeste são os mais afetados. Apesar da redução, nenhuma das cidades atendidas antes do início da guerra, no fim de fevereiro, deixou de receber voos. “Temos que trabalhar para evitar novos cortes, mas, principalmente, para que nenhuma rota seja cancelada”, afirmou Zé Neto.
Desde abril, o governo federal anunciou um conjunto de medidas na tentativa de reduzir os impactos do aumento do QAV sobre a indústria da aviação. A única com resultados efetivos até o momento foi a isenção do PIS/Cofins sobre o combustível, que vence no próximo dia 31.
No dia 1º de junho, entra em vigor o diferimento das tarifas aeroportuárias, que permitirá o pagamento das taxas devidas entre junho e agosto apenas no fim do ano, sem cobrança de juros. Também foram anunciadas duas linhas de crédito, além do parcelamento do pagamento do QAV comercializado para as companhias.
Ainda segundo a Abear, medidas de contenção de danos semelhantes vêm sendo adotadas ao redor do mundo. Na Europa e na Ásia, empresas ainda enfrentam o desafio de garantir o abastecimento, um problema distante da realidade brasileira, já que a Petrobras produz praticamente todo o QAV consumido internamente. No Canadá e na Europa, o número de voos também está sendo reduzido.