Pedro Menezes   |   28/05/2026 16:21
Atualizada em 28/05/2026 16:24

QAV atinge maior valor da história e amplia pressão sobre tarifas aéreas

No Brasil, o peso do Querosene da Aviação é ainda mais sensível devido à combinação de fatores econômicos

Divulgação/Aena Brasil
Segundo levantamento do setor, o litro do combustível estava na casa de R$ 3,40 no início de 2026 e praticamente dobrou em poucos meses, alcançando R$ 5,40 em abril e mantendo trajetória de alta em maio
Segundo levantamento do setor, o litro do combustível estava na casa de R$ 3,40 no início de 2026 e praticamente dobrou em poucos meses, alcançando R$ 5,40 em abril e mantendo trajetória de alta em maio

O preço do querosene de aviação (QAV) atingiu o maior patamar da série histórica da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), elevando ainda mais a pressão sobre os custos das companhias aéreas e reacendendo o alerta sobre uma sequência de alta nas tarifas domésticas nos próximos meses.

Dados mais recentes do painel dinâmico da ANP mostram que o valor médio do QAV ultrapassou R$ 6,50 por litro neste mês de maio de 2026, o maior nível desde o início da série histórica, em 2002. Na ponta de comercialização, distribuidoras e aeroportos já operam próximos da faixa de R$ 7 por litro.

O avanço representa uma forte aceleração em relação aos últimos meses. Segundo levantamento do setor, o litro do combustível estava na casa de R$ 3,40 no início de 2026 e praticamente dobrou em poucos meses, alcançando R$ 5,40 em abril e mantendo trajetória de alta em maio.

Divulgação
O gráfico histórico da ANP evidencia o tamanho da disparada atual
O gráfico histórico da ANP evidencia o tamanho da disparada atual

O impacto financeiro para as companhias é bilionário e instantâneo. O Airbus A380, maior avião comercial do mundo, possui capacidade para aproximadamente 320 mil litros de combustível. Com o QAV na faixa de R$ 7 por litro no Brasil, um abastecimento completo da aeronave pode custar cerca de R$ 2,24 milhões.

O Querosene de Aviação (QAV) é atualmente um dos itens mais relevantes na estrutura de despesas das empresas aéreas, representando até mesmo 50% do custo operacional total de um voo, dependendo da rota, do câmbio e do tipo de aeronave utilizada.

A disparada recente ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e à volatilidade global do petróleo, cenário que vem pressionando refinarias e distribuidoras em todo o mundo. Neste caso, executivos do setor já vêm alertando que, caso o petróleo continue pressionado e o dólar siga em patamar elevado, o repasse ao consumidor tende a se tornar inevitável.

O gráfico histórico da ANP evidencia o tamanho da disparada atual. Em 2002, o litro do QAV custava menos de R$ 0,40. Ao longo de mais de duas décadas, o combustível sofreu oscilações ligadas a crises econômicas, pandemia e guerras, mas nunca havia alcançado o nível atual. Mesmo durante os períodos mais críticos da pandemia e da crise energética global de 2022, os preços ficaram abaixo dos valores registrados neste ano.

Cenário se agrava no Brasil

Divulgação
Setor aéreo brasileiro enfrenta um cenário considerado “gravíssimo”
Setor aéreo brasileiro enfrenta um cenário considerado “gravíssimo”

No Brasil, o peso do QAV é ainda mais sensível devido à combinação entre dólar valorizado, tributação estadual e dependência da política internacional de petróleo. Como o querosene acompanha as oscilações do barril no mercado externo, qualquer tensão geopolítica rapidamente se reflete no caixa das companhias.

"O Brasil já tem, historicamente, o QAV mais caro do mundo mesmo com a Petrobras produzindo 90% de todo o consumo desse combustível. O custo do QAV para as empresas aéreas brasileiras representava algo em torno de 35% do custo total. Com esse recorde histórico do preço do QAV, facilmente esse percentual chega aos 50%"

Dany de Oliveira, engenheiro industrial, especialista em aviação e ex-Country Manager da Iata no Brasil

Em outras palavras, o setor aéreo brasileiro enfrenta um cenário considerado “gravíssimo”. Somente em maio, o custo extra das companhias aéreas brasileiras com QAV chegou a R$ 1,6 bilhão, valor equivalente ao arrendamento mensal de 830 aeronaves, número superior à atual frota comercial brasileira.

A alta do combustível já começou a impactar diretamente a malha aérea nacional. As empresas reduziram, em média, 93 voos diários neste mês, enquanto para junho a previsão é de corte de 121 voos por dia.

A tarifa aérea real média doméstica, que vinha relativamente estabilizada entre R$ 600 e R$ 900 ao longo de 2025 e início de 2026, já avançou no mês de abril, um movimento que especialistas associam ao aumento do combustível e ao encarecimento operacional.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.