Rodrigo Vieira   |   10/06/2026 12:35
Atualizada em 10/06/2026 12:36

"Aviação compete com bets e perdeu força com a classe C", diz CEO da Gol, Celso Ferrer

Líder da aérea também fala em década perdida para aviação e menciona três itens para destravar crescimento


PANROTAS / Emerson Souza
Celso Ferrer, CEO da Gol Linhas Aéreas
Celso Ferrer, CEO da Gol Linhas Aéreas

A aviação vive uma disputa pela atenção e pelo bolso do consumidor no Brasil e um dos embates inéditos nesta batalha é a concorrência com as bets, que enfraquecem o bolso do brasileiro. Esse é um dos apontamentos do CEO da Gol, Celso Ferrer.

Segundo sua apresentação no LIDE Turismo, a aviação não concorre mais com ônibus ou outros modais de transporte, mas com apostas on-line, e-commerce e outras formas de consumo que bombardeiam o brasileiro de menor renda diariamente pelas telas do celular.

"O brasileiro perdeu 19% da renda na última década, enquanto a tarifa aérea média se mantém na média histórica, em torno de US$ 40. Estamos disputando com bets, com o varejo on-line. O consumidor de até quatro salários mínimos passa muito tempo na tela sendo bombardeado por outras camadas de consumo"

Celso Ferrer, CEO da Gol

Década perdida: 2010 a 2020

Ferrer apresentou um panorama do setor mostrando que, após o salto de crescimento nos anos 2000, impulsionado pelas entradas de Gol e Azul no mercado, a aviação brasileira viveu uma "década perdida" entre 2010 e 2020, estagnada entre 95 e 100 milhões de passageiros por ano. Para ele, o efeito disso no Turismo é "brutal": hotéis parados no Nordeste, comunidades sem renda e um setor que funciona como motor tentacular da economia travado. "A aviação é realmente o motor de todo o setor. Essa estagnação é sinônimo de hotéis parados, de destinos que não se desenvolvem", ilustrou.

Três ondas para destravar o crescimento

O CEO da Gol elencou três fatores que podem fazer a aviação saltar de patamar novamente:

  • Infraestrutura: Ferrer reconheceu que, mesmo de maneira errática, a infraestrutura aeroportuária evoluiu nos últimos anos. "Agora você vê Brasília, Viracopos, Confins, Recife cheios de aviões e passageiros. As companhias estão voando como estão devido à infraestrutura", ponderou, ressaltando que o grande volume de passageiros e destinos depende de conectividade.
  • Comportamento do consumidor: apesar da concorrência com as bets, Ferrer apontou um legado positivo da pandemia: "Se tem uma coisa boa, uma herança boa da pandemia, é que as pessoas tomaram de fato a decisão de viajar, de voar." O desafio, segundo ele, é converter essa intenção em demanda efetiva diante da perda de renda.
  • Incentivos fiscais estaduais: Celso Ferrer defendeu a redução do ICMS sobre o querosene de aviação como política de fomento, citando casos bem-sucedidos. "Existem bons exemplos para colocarmos nesse debate, como o feito por João Doria quando governador de São Paulo. Nada vai gerar tanto recurso e emprego como o Turismo", afirmou, alertando que a reforma tributária, da forma como está posta, ignora as particularidades do setor.

Potencial de crescimento

Apesar do cenário desafiador, Ferrer se mostrou otimista com o potencial do mercado. Segundo ele, com uma política de desoneração coordenada entre União e Estados, o Brasil tem capacidade de ampliar em até 50% o número de passageiros. "A próxima onda de crescimento da aviação tem que vir com uma política de desoneração", concluiu.

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Sobre o autor

Rodrigo Vieira é jornalista com 12 anos de especialização na indústria de Turismo, todo esse tempo orgulhosamente na PANROTAS. Sua maior satisfação profissional é quando, por meio de seu trabalho, ajuda um agente de viagens a obter êxito. Conhece 30 países e ama viajar para o Exterior, mas jamais moraria fora do melhor destino de todos, o Brasilzão.