Fôlego para a aviação crescer: CEOs de Latam e Azul comentam crédito do Fnac
Jerome Cadier e John Rodgerson comentam a formalização do pedido de R$ 5,5 bi e as contrapartidas exigidas

Horas após Azul, Gol, Latam Brasil e Abaeté formalizarem o pedido para acessar a linha de crédito de R$ 5,5 bilhões do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), os CEOs da Azul e da Latam Brasil comentaram a medida durante o coletiva de imprensa no LIDE Turismo, nesta quarta-feira (10). O tom foi de otimismo, mas quando se trata de aviação no Brasil, é sempre cauteloso. John Rodgerson, da Azul, e Jerome Cadier, da Latam, concordam que o recurso é bem-vindo, mas não resolve os problemas estruturais do setor.
A linha de crédito do Fnac, operada pelo BNDES, permite que empresas com mais de 5% de participação no mercado doméstico contratem até R$ 1,8 bilhão cada, com taxas a partir de 4% ao ano para capital de giro. As metas de ampliação regional deverão ser cumpridas em até 24 meses e mantidas por, no mínimo, um ano.
Fôlego para continuar crescendo
O CEO da Azul, diz que está "muito animado" com a chegada do Fnac. Nem poderia ser diferente, visto que o americano, há 20 anos no Brasil, é, na aviação, o maior defensor da conectividade doméstica do País.
"Estamos trabalhando no Fnac há alguns anos e acredito que o processo está chegando ao fim. O grande problema do setor é falta de dívida de longo prazo e falta de capital de giro em momentos como esse. Isso vai dar um fôlego para o setor continuar crescendo, ainda com as turbulências que o mercado tem, como guerra, como as enchentes enfrentadas por Porto Alegre e essas coisas que sempre continuarão aparecendo. O fundo é uma maneira de termos confiança para continuar investindo"
John Rodgerson, CEO da Azul

Rodgerson estimou que o impacto do aumento do combustível representa mais de R$ 3 bilhões em custos adicionais para a Azul neste ano. "O Brasil é um país abençoado porque tem combustível no chão e tem refinaria aqui. Isso deveria ter sido um ano de muito crescimento para a aviação, mas é um passo para trás por causa da guerra", lamentou.
Fnac nunca foi usado para o que foi criado, diz CEO da Latam

Por sua vez, o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, também diz que a Latam está otimista com o Fnac, mas faz ressalvas em relação ao contexto histórico do fundo. "Quando o Fnac foi criado, há muitos anos, a intenção sempre foi que o fundo osse utilizado para o desenvolvimento da aviação. O fato é que ele nunca foi. Nem aeroportos, nem companhias aéreas, nem o setor de Turismo como um todo tiveram acesso", ponderou.
Cadier reconheceu que a utilização do Fnac para ajudar as companhias a atravessar a crise do combustível é "uma ideia muito boa" e disse torcer para que a implementação ocorra no curto prazo. Ele reforça queo preço do barril de querosene de aviação dobrou de um ano para outro. "A Latam continua crescendo em relação a 2025, mas crescendo um pouco menos, repensando frequências. Ainda não tiramos nenhuma rota, mas os preços vêm subindo para compensar parte desse efeito", alertou.

Contrapartidas do Fnac serão benvindas, diz CEO da Azul
Questionado sobre as contrapartidas exigidas pelo Fnac, que incluem ampliar em 15% a malha aérea na Amazônia Legal e no Nordeste, Rodgerson classificou as condições como justas e considerou que a Azul usará a sua operação de conexões regionais para cumpri-las.
"Sempre disse que o Brasil precisa ser mais conectado e o governo quer isso também. Eu sempre falo que todo mundo quer salvar a Amazônia. A primeira coisa que tem que fazer é conectar a Amazônia. Tem muito Turismo que pode existir dentro da Amazônia, conectar aquele povo e deixar a gente fazer mais negócios", afirmou o CEO da Azul.