Rodrigo Vieira   |   10/06/2026 12:12
Atualizada em 10/06/2026 16:34

Fôlego para a aviação crescer: CEOs de Latam e Azul comentam crédito do Fnac

Jerome Cadier e John Rodgerson comentam a formalização do pedido de R$ 5,5 bi e as contrapartidas exigidas


PANROTAS / Emerson Souza
John Rodgerson CEO da Azul, no Painel LIDE Turismo
John Rodgerson CEO da Azul, no Painel LIDE Turismo

Horas após Azul, Gol, Latam Brasil e Abaeté formalizarem o pedido para acessar a linha de crédito de R$ 5,5 bilhões do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), os CEOs da Azul e da Latam Brasil comentaram a medida durante o coletiva de imprensa no LIDE Turismo, nesta quarta-feira (10). O tom foi de otimismo, mas quando se trata de aviação no Brasil, é sempre cauteloso. John Rodgerson, da Azul, e Jerome Cadier, da Latam, concordam que o recurso é bem-vindo, mas não resolve os problemas estruturais do setor.

A linha de crédito do Fnac, operada pelo BNDES, permite que empresas com mais de 5% de participação no mercado doméstico contratem até R$ 1,8 bilhão cada, com taxas a partir de 4% ao ano para capital de giro. As metas de ampliação regional deverão ser cumpridas em até 24 meses e mantidas por, no mínimo, um ano.

Fôlego para continuar crescendo

O CEO da Azul, diz que está "muito animado" com a chegada do Fnac. Nem poderia ser diferente, visto que o americano, há 20 anos no Brasil, é, na aviação, o maior defensor da conectividade doméstica do País.

"Estamos trabalhando no Fnac há alguns anos e acredito que o processo está chegando ao fim. O grande problema do setor é falta de dívida de longo prazo e falta de capital de giro em momentos como esse. Isso vai dar um fôlego para o setor continuar crescendo, ainda com as turbulências que o mercado tem, como guerra, como as enchentes enfrentadas por Porto Alegre e essas coisas que sempre continuarão aparecendo. O fundo é uma maneira de termos confiança para continuar investindo"

John Rodgerson, CEO da Azul
PANROTAS / Emerson Souza
John Rodgerson, CEO da Azul
John Rodgerson, CEO da Azul

Rodgerson estimou que o impacto do aumento do combustível representa mais de R$ 3 bilhões em custos adicionais para a Azul neste ano. "O Brasil é um país abençoado porque tem combustível no chão e tem refinaria aqui. Isso deveria ter sido um ano de muito crescimento para a aviação, mas é um passo para trás por causa da guerra", lamentou.

Fnac nunca foi usado para o que foi criado, diz CEO da Latam

PANROTAS / Emerson Souza
Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil
Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil

Por sua vez, o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, também diz que a Latam está otimista com o Fnac, mas faz ressalvas em relação ao contexto histórico do fundo. "Quando o Fnac foi criado, há muitos anos, a intenção sempre foi que o fundo osse utilizado para o desenvolvimento da aviação. O fato é que ele nunca foi. Nem aeroportos, nem companhias aéreas, nem o setor de Turismo como um todo tiveram acesso", ponderou.

Cadier reconheceu que a utilização do Fnac para ajudar as companhias a atravessar a crise do combustível é "uma ideia muito boa" e disse torcer para que a implementação ocorra no curto prazo. Ele reforça queo preço do barril de querosene de aviação dobrou de um ano para outro. "A Latam continua crescendo em relação a 2025, mas crescendo um pouco menos, repensando frequências. Ainda não tiramos nenhuma rota, mas os preços vêm subindo para compensar parte desse efeito", alertou.

PANROTAS / Emerson Souza
Jerome Cadier e John Rodgerson, CEOs de Latam e Azul, se cumprimentam em painel do LIDE Turismo, na Faria Lima
Jerome Cadier e John Rodgerson, CEOs de Latam e Azul, se cumprimentam em painel do LIDE Turismo, na Faria Lima

Contrapartidas do Fnac serão benvindas, diz CEO da Azul

Questionado sobre as contrapartidas exigidas pelo Fnac, que incluem ampliar em 15% a malha aérea na Amazônia Legal e no Nordeste, Rodgerson classificou as condições como justas e considerou que a Azul usará a sua operação de conexões regionais para cumpri-las.

"Sempre disse que o Brasil precisa ser mais conectado e o governo quer isso também. Eu sempre falo que todo mundo quer salvar a Amazônia. A primeira coisa que tem que fazer é conectar a Amazônia. Tem muito Turismo que pode existir dentro da Amazônia, conectar aquele povo e deixar a gente fazer mais negócios", afirmou o CEO da Azul.

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Sobre o autor

Rodrigo Vieira é jornalista com 12 anos de especialização na indústria de Turismo, todo esse tempo orgulhosamente na PANROTAS. Sua maior satisfação profissional é quando, por meio de seu trabalho, ajuda um agente de viagens a obter êxito. Conhece 30 países e ama viajar para o Exterior, mas jamais moraria fora do melhor destino de todos, o Brasilzão.