Conflito no Oriente Médio: companhias iniciam retomada em meio a prejuízo bilionário
Companhias aéreas do Oriente Médio devem registrar prejuízo líquido de US$ 4,3 bilhões em 2026

As principais companhias aéreas do Golfo Pérsico já começaram a se aproximar dos níveis tradicionais de capacidade registrados antes da guerra envolvendo Estados Unidos e Irã, embora o conflito tenha deixado marcas que podem perdurar por muito mais tempo.
Mesmo com a expectativa de retomada, ainda há uma percepção de que estabilidade da região foi abalada. Tanto é que Emirates, Qatar Airways e Etihad Airways, conhecidas como as "Gulf 3", acabaram sendo muito impactadas pelo fechamento do espaço aéreo e pelas restrições operacionais impostas durante o conflito.
Ainda assim, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) acredita que o modelo de hubs da região continua sólido. "Minha visão é que não estamos diante de uma mudança estrutural. As companhias do Golfo recuperarão sua posição quando houver estabilidade", afirmou o diretor-geral da Iata, Willie Walsh.
Segundo projeção divulgada pela entidade, as companhias aéreas do Oriente Médio devem registrar prejuízo líquido de US$ 4,3 bilhões em 2026, com perdas médias de US$ 21,40 por passageiro transportado.
Isto porque a instabilidade continua sendo um fator de preocupação. Nos Emirados Árabes, o espaço aéreo chegou a ser totalmente reaberto em 2 de maio, mas novas restrições foram impostas dois dias depois, após ataques iranianos com mísseis e drones. Agora no começo de junho, um drone iraniano atingiu o Terminal 1 do aeroporto do Kuwait, provocando uma morte e deixando mais de 60 feridos.
Recuperação deve ser gradual

Apesar do cenário negativo, a Iata destaca fatores que sustentam a competitividade das aéreas da região, como reputação de serviço, malha aérea e infraestrutura dos aeroportos de Dubai, Doha e Abu Dhabi. A entidade, porém, alerta que as empresas poderão ser obrigadas a reduzir tarifas para estimular a demanda.
A avaliação é contestada pelas próprias companhias. Em entrevista ao Financial Times, o CEO da Etihad Airways, o brasileiro Antonoaldo Neves, afirmou que a companhia voltou aos níveis de capacidade anteriores ao conflito em meados de junho, mantendo as tarifas nos mesmos patamares de antes da guerra.
Emirates e a Qatar Airways avançam mais lentamente. Dados da consultoria OAG apontam que ambas ofertaram, em junho, 18,4% menos assentos em comparação ao mesmo período do ano passado.
O presidente da Emirates, Tim Clark, afirmou à Reuters, por exemplo, que a empresa lançará incentivos para reconquistar passageiros, mas sempre priorizando a percepção de segurança e a confiabilidade das conexões, sem recorrer a descontos generalizados.
Dubai tenta preservar imagem de destino seguro

A retomada do tráfego de conexões internacionais não será suficiente para garantir a recuperação completa das empresas. A demanda por viagens com origem e destino nos Emirados Árabes Unidos também será decisiva, especialmente para a Emirates.
Dubai recebeu 19,6 milhões de visitantes internacionais em 2025 e depende fortemente da temporada de inverno para sustentar o Turismo. Entretanto, a cidade também foi alvo de ataques iranianos durante a guerra, o que pode comprometer a imagem construída ao longo dos anos como um refúgio seguro na região.
Além do Turismo, Abu Dhabi e Doha também podem enfrentar uma recuperação mais lenta em eventos, congressos e convenções, áreas nas quais haviam se consolidado como destinos de destaque no Oriente Médio.
De acordo com a Moody’s Analytics, a indústria de hospitalidade nos Emirados Árabes sofreu um forte impacto desde o início da guerra no fim de fevereiro. Em Dubai, por exemplo, a taxa de ocupação hoteleira estaria despencando para apenas 10% no segundo trimestre, após operar próxima de 80% antes do conflito.
A consultoria Moody's Analytics classificou o cenário como “um desligamento efetivo de grande parte do setor de hospitalidade”. E o impacto vai além da hotelaria. Companhias aéreas reduziram frequências e amargam um prejuízo superior a US$ 50 bilhões, turistas cancelaram viagens e operadoras internacionais passaram a rever pacotes para o Oriente Médio diante das preocupações com segurança.
Com informações de Reuters, TravelWeekly, Financial Times e OAG.