Pedro Menezes   |   10/06/2026 09:56
Atualizada em 10/06/2026 10:29

Aéreas formalizam pedido para acessar crédito bilionário do Fnac e terão que ampliar voos

Recursos exigem contrapartidas como ampliação da malha aérea no Norte e Nordeste

Divulgação/Aena Brasil
Linha de R$ 5,5 bilhões representa um fôlego ao setor que enfrenta um cenário de forte pressão sobre seus custos operacionais
Linha de R$ 5,5 bilhões representa um fôlego ao setor que enfrenta um cenário de forte pressão sobre seus custos operacionais

Azul, Gol, Latam Brasil e Abaeté Linhas Aéreas formalizaram junto ao Ministério de Portos e Aeroportos os pedidos para acessar a nova linha de crédito com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac).

A etapa administrativa foi concluída nesta semana, com a aprovação das resoluções do Comitê Gestor do Fundo, definindo valores, critérios e contrapartidas para as empresas interessadas.

Operada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a linha contará com R$ 5,5 bilhões disponíveis em 2026 e representa um fôlego ao setor que enfrenta um cenário de forte pressão sobre custos operacionais, especialmente devido à alta do preço do querosene de aviação (QAV).

Pelas regras estabelecidas, empresas com participação superior a 5% no mercado doméstico poderão contratar até R$ 1,8 bilhão cada. As demais terão acesso a financiamentos de até R$ 166 milhões.

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a iniciativa busca oferecer suporte financeiro às companhias em um cenário de pressão sobre os custos operacionais. E como contrapartida para acessar os recursos, as empresas deverão ampliar sua atuação na Amazônia Legal e no Nordeste.

"A formalização dos procedimentos necessários para a operação das linhas de crédito demonstra o compromisso com a manutenção das operações. Trabalhamos de forma coordenada para construir uma solução responsável, segura e capaz de oferecer suporte às empresas em um momento de pressão sobre os custos do setor”, afirmou o ministro Tomé Franca.

O compromisso prevê aumentar em 15% a participação dessas regiões em frequências operadas em relação ao ano anterior ou assegurar que, pelo menos, 17,5% das decolagens anuais sejam realizadas nesses mercados. A meta deverá ser cumprida em até 24 meses e mantida por, no mínimo, um ano.

Divulgação
Recursos poderão ser utilizados para aquisição de combustível sustentável de aviação (SAF) produzido no Brasil
Recursos poderão ser utilizados para aquisição de combustível sustentável de aviação (SAF) produzido no Brasil

As exigências também incluem adesão ao Pacto pela Sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos, adoção de práticas de governança ambiental, social e corporativa (ESG), ampliação do uso de combustível sustentável de aviação (SAF) para redução das emissões de carbono e restrições à ampliação da distribuição de lucros aos acionistas durante o período de carência de determinadas operações de financiamento.

As taxas de juros, por sua vez, variam de acordo com a finalidade do financiamento: de 4% para capital de giro, 6,5% ao ano para as linhas voltadas ao SAF e à infraestrutura logística; 7% ao ano para manutenção de aeronaves e motores; e 7,5% ao ano para aquisição de aeronaves.

Recursos podem ser utilizados em 7 modalidades de financiamento:

  • Aquisição de combustível sustentável de aviação (SAF) produzido no Brasil;
  • Serviços de manutenção de aeronaves;
  • Serviços de manutenção de motores;
  • Pagamentos antecipados para aquisição de aeronaves;
  • Aquisição de aeronaves;
  • Investimentos em infraestrutura logística e equipamentos de apoio à aviação civil;
  • e Capital de Giro.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.