Latam vê América do Sul longe de seu potencial e não descarta voos para novas regiões
Companhia segue avaliando novas oportunidades de expansão internacional, incluindo o Oriente Médio

RIO DE JANEIRO - A Latam acredita que a América do Sul ainda está longe de atingir seu potencial máximo de conectividade aérea e que há muito espaço para crescer nos próximos anos. É o que disse o CEO do Grupo Latam Airlines, Roberto Alvo, durante a Assembleia Geral da Iata no Rio de Janeiro.
O executivo ainda defendeu a ampliação da conectividade em cidades médias e reafirmou que a companhia segue avaliando novas oportunidades de expansão internacional, incluindo o Oriente Médio.
"Em 1999, quando o Brasil recebeu a primeira Reunião Geral da Iata, a região da América do Sul registrava 68 milhões de passageiros transportados, o equivalente a cerca de 4% do mercado mundial. Hoje, 27 anos depois, nesta segunda edição da AGM Iata no Brasil, esse número já chega a 447 milhões de passageiros, representando mais de 5% da demanda global"
Roberto Alvo, CEO do Grupo Latam
Apenas nos últimos 12 meses, a Latam transportou quase 90 milhões de passageiros, volume superior ao total movimentado por toda a América do Sul há pouco mais de duas décadas. "Isso mostra não apenas o desenvolvimento da indústria aérea, mas também o desenvolvimento da própria região", afirmou ele.
A companhia conta hoje com 161 destinos em 27 países, realiza cerca de 1,6 mil voos diários e conecta a América do Sul a quatro continentes. "Cerca de 30% de todo o tráfego aéreo que circula dentro da região ou entre a América do Sul e o restante do mundo passa pelas operações do grupo", revelou Alvo.
Novas rotas seguem em avaliação

Questionado sobre a possibilidade da Latam anunciar voos para o Oriente Médio, Alvo confirmou que o mercado está entre as alternativas analisadas pela companhia, mas ressaltou que não existe uma estratégia focada em uma região específica.
"A empresa avalia continuamente oportunidades capazes de ampliar sua rede e oferecer mais opções aos passageiros, sempre com base na viabilidade econômica de cada operação. Analisamos o Oriente Médio da mesma forma que avaliamos outros mercados. Nosso objetivo não é chegar a uma região específica, mas utilizar nossa frota da melhor maneira possível para ampliar as opções para os clientes"
Roberto Alvo, CEO do Grupo Latam
Alvo lembrou que a Latam abriu recentemente novos destinos na Europa, como Bruxelas, e está prestes a ampliar sua presença na África do Sul. Mercados na Ásia e até mesmo o retorno de operações para Tel Aviv também permanecem entre as possibilidades futuras.
O problema, no entanto, envolve a atrasada entrega de aeronaves pelos fabricantes que continua limitando a velocidade de expansão das companhias aéreas em todo o mundo. "Gostaria de ter mais aviões. Se os fabricantes estivessem entregando as aeronaves dentro dos prazos previstos, provavelmente já estaríamos anunciando mais destinos", afirmou.
Combustível deve seguir pressionando custos em 2026

Alvo não poderia deixar de citar o aumento recente dos preços dos combustíveis, impulsionado pelas tensões geopolíticas e pela necessidade de recomposição dos estoques globais. Para ele, os custos devem permanecer elevados ao longo dos próximos meses, criando desafios para todo o setor aéreo.
"Nossa expectativa é que os preços continuem altos pelo restante do ano. Ainda há um processo de recomposição dos estoques que foram consumidos para manter diferentes cadeias de transporte funcionando", disse o CEO do Grupo Latam Airlines.
Apesar da pressão sobre os custos, Alvo demonstrou confiança na capacidade de adaptação da indústria. Segundo ele, ajustes de oferta já estão ocorrendo em diferentes mercados e representam uma resposta natural ao cenário atual. E caso os preços permaneçam em alta também em 2027, ele acredita que haverá uma readequação adicional da capacidade do setor, mas sem comprometer a demanda por viagens.
"O setor aéreo é extremamente resiliente. Já enfrentamos diversas crises ao longo das últimas décadas e sempre encontramos formas de nos adaptar. E até o momento, não observamos redução na demanda. A procura por viagens continua forte, mesmo diante do atual cenário de custos"
Roberto Alvo, CEO do Grupo Latam
A PANROTAS viaja a convite da Iata, voando Latam Airlines.