CEO da Latam volta a criticar reforma tributária e cobra plano de longo prazo para aviação
País ainda está longe de atingir seu potencial no setor da aviação, segundo Jerome Cadier

O CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, aproveitou a apresentação dos resultados do segundo trimestre da companhia, nesta terça-feira (4), para fazer um alerta sobre desafios da aviação brasileira. Segundo Cadier, o Brasil não pode se contentar apenas com o crescimento anual da demanda.
"A gente não pode ficar satisfeito com crescer 5% ou 10% em relação ao ano passado. O Brasil pode duplicar o mercado em dez anos. Apesar do crescimento do mercado e os investimentos da empresa, o País ainda está longe de atingir seu potencial e precisa de uma agenda de longo prazo para o setor", disse Jerome.
Cadier lembra que as eleições de 2026 representam uma oportunidade para discutir políticas permanentes para a aviação. Entre as principais preocupações está a reforma tributária. O executivo afirmou que o texto aprovado deve aumentar a carga de impostos sobre as passagens aéreas.
"A reforma tributária vai aumentar significativamente os impostos nas passagens aéreas. E não estamos pedindo redução de imposto. Estamos pedindo manutenção da carga atual. Além disso, lembro aqui que 95% dos processos judiciais do mundo relacionados à aviação estão no Brasil, mesmo tendo menos de 3% dos passageiros globais. Tem alguma coisa errada no setor"
Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil
Segundo ele, as companhias brasileiras apresentam bons indicadores operacionais, mas seguem enfrentando um ambiente de "litigância predatória". O CEO também citou a necessidade de maior segurança jurídica e criticou o fato de temas como a cobrança de bagagem despachada ainda voltarem ao debate.
Cadier também reforçou que o mercado brasileiro ainda possui amplo espaço para crescer. Hoje, o País registra cerca de 0,5 viagem aérea por habitante ao ano, índice inferior ao do Chile e muito distante dos níveis observados na Europa e nos Estados Unidos. "Ainda existe muito espaço para crescer. Precisamos criar condições para reduzir custos, oferecer tarifas mais baixas e permitir que mais brasileiros voem", frisou ele.