Beatrice Teizen   |   27/08/2026 20:14
Atualizada em 27/08/2026 20:15

Frota, rotas e alianças: como Azul, Gol e Latam estão atuando no corporativo

Lideranças das três aéreas trouxeram os movimentos atuais em painel no 12º Fórum Corporativo Abracorp


PANROTAS / Filip Calixto
Aline Mafra (Latam Brasil), Danillo Barbizan (Gol), Ricardo Bezerra (Azul) e Artur Luiz Andrade (PANROTAS)
Aline Mafra (Latam Brasil), Danillo Barbizan (Gol), Ricardo Bezerra (Azul) e Artur Luiz Andrade (PANROTAS)

Aviação é sempre um tema quente de discussão nos eventos do setor e não poderia ser diferente no 12º Fórum Corporativo Abracorp, nesta quinta-feira (27). Hoje, o cenário de alta demanda e os movimentos de expansão de Azul, Gol e Latam estiveram no centro do painel “O futuro da aviação corporativa: como gerar mais valor em um cenário de alta demanda”.

Moderado pelo editor-chefe da PANROTAS, Artur Luiz Andrade, participaram a diretora de Marketing e Vendas da Latam Brasil, Aline Mafra; o diretor de Vendas da Gol, Danillo Barbizan; e o gerente comercial da Azul, Ricardo Bezerra.

A relevância do aéreo para o mercado corporativo foi destacada logo no início do painel: 60% dos R$ 8,4 bilhões movimentados pelas TMCs associadas à Abracorp entre janeiro e julho deste ano vieram da aviação. No período, a Latam concentrou 41% do share, seguida pela Gol, com 32%, e pela Azul, com 27%.

O desempenho acontece em um ambiente ainda desafiador para as aéreas. Aline Mafra afirmou que a Latam atravessou um período especialmente complexo em relação aos custos de combustível, mas conseguiu manter margem operacional de 5% e seguir com investimentos e expansão.

“A Latam está preparada, seja em estrutura financeira ou oferta operacional, para passar por soluços e ser rentável mesmo em cenário escandaloso. Não precisamos ir ao trade e dar notícias ruins, passamos por turbulências e continuamos crescendo, com as TMCs seguindo como essenciais”

Aline Mafra, diretora de Marketing e Vendas da Latam Brasil

Gol: transformação e novos aviões

Na Gol, o momento é marcado pela transformação da companhia após a reestruturação e a integração ao Grupo Abra. Segundo Danillo Barbizan, o processo envolveu mudanças de governança e processos, criando condições para que a empresa mantivesse projetos e investimentos mesmo durante a fase de transformação.

“Uma companhia que não estivesse com solidez estaria vendo onde cortar ou que teria de engavetar. Estar nesse momento de governança bem estabelecida, com projetos estabelecidos, traz confiança”, afirma.

A companhia também avança na internacionalização e na chegada de novos aviões. Para Barbizan, a operação com aeronaves maiores muda não apenas o produto oferecido ao cliente, mas também a cultura interna da companhia.

“Para o cliente ver a Gol voando com dois corredores é ter mais produto na prateleira. Para as equipes da Gol, é uma mudança de cultura. Tem de mover toda a empresa para pensar diferente, mas o que é muito bom”, diz

Questionado sobre a troca de comando anunciada recentemente, o executivo afirmou que o impacto comercial deve ser baixo. Celso Ferrer, que comandou a companhia durante o período de reestruturação, dará lugar a André Fehlauer como CEO, enquanto Albert Perez passa a ocupar o cargo de presidente, acumulando também a função de COO.

Segundo o diretor, a mudança não representa alteração de cultura, mas deve aprofundar o trabalho de digitalização e de melhoria da experiência do cliente.

Embraer amplia opções da Latam

Na Latam, a entrada de aeronaves Embraer na frota é vista como uma ferramenta adicional para sustentar a expansão doméstica. A companhia vem trabalhando, desde o período pós-pandemia, com crescimento de 8% a 10% em ASK e abriu novas rotas nos últimos dois anos.

Segundo Aline, a companhia abriu seis novas cidades em 2025 e outras quatro em 2026 antes da chegada dos primeiros Embraer. Com o anúncio dos 14 modelos iniciais da fabricante, foram acrescentadas mais quatro cidades.

A executiva destacou que os aviões menores não serão utilizados apenas para atender mercados de menor densidade. Eles também poderão permitir ligações diretas entre cidades que já fazem parte da malha da companhia, mas hoje exigem conexão em um hub.

Já no Grupo Abra, a possibilidade de utilização de aeronaves Embraer também está em estudo. Barbizan afirmou que o grupo, que já reúne diferentes tipos de aeronaves, está avaliando qual companhia e quais mercados teriam maior aderência ao modelo – com a Gol sendo uma possibilidade.

Capilaridade e internacional

A Azul, por sua vez, destacou a capilaridade como uma das principais ferramentas para o mercado corporativo. Ricardo Bezerra afirmou que a companhia tem mais de 137 destinos e vem reforçando seus hubs em Campinas, Confins e Recife.

Em Viracopos, segundo o executivo, a Azul detém 97% dos embarques. Em Confins, a participação da aérea chega a quase 70% das operações, enquanto os voos da Azul em Recife concentram mais da metade.

"A Azul sempre foi empresa com vocação para atender todo o Brasil. Sempre tivemos frota diversificada. São 230 rotas diretas que temos e que são muito importantes para o corporativo. O foco sempre foi a diversificação para atender um país tão grande"

Ricardo Bezerra, gerente comercial da Azul

No internacional, Gol e Azul revelam que querem ampliar a participação no corporativo, que é dominado por Latam, com 24,8% do market share nas vendas da Abracorp, seguida, com certa distância, por United, com 8,2%

A Gol aposta no fortalecimento das frequências e do Rio Galeão como alternativa para o passageiro corporativo. Segundo Barbizan, a companhia já opera três frequências semanais para Nova York e quatro para Lisboa e estuda avançar para voos diários, provavelmente começando por NY, quem sabe no início do ano que vem.

PANROTAS / Filip Calixto
Painel no 12º Fórum Corporativo Abracorp trouxe lideranças da Latam, Gol e Azul
Painel no 12º Fórum Corporativo Abracorp trouxe lideranças da Latam, Gol e Azul

“A nova oferta que estamos colocando vai mais para o lazer. O mercado corporativo exige qualidade do produto, não o avião em si, mas em relação a quantas frequências, para onde vai e de onde vem. Mas estamos avaliando”, explica.

A Azul também pretende aumentar sua participação corporativa internacional e citou Lisboa, Madri e Fort Lauderdale entre as principais rotas para este mercado.

Importância das alianças e parcerias

As alianças e parcerias também apareceram no debate. Barbizan destacou a relação da Gol com Air France-KLM, construída ao longo de 12 anos, e a parceria com a American Airlines.

Segundo ele, a complementaridade de malha é um dos principais ganhos para o corporativo. O executivo afirmou que cerca de 70% dos passageiros da American Airlines que não permanecem nos hubs onde a companhia pousa têm seus trechos complementares operados pela Gol.

Na Azul, Ricardo Bezerra reforça que o investimento da American na Azul (que tem a United como parceira) mostra como essas empresas acreditam na companhia e no futuro da Azul. "Não tem nada comercial sendo falado nesse momento, é uma demonstração de confiança no futuro da empresa. A Azul nunca pensou em uma aliança global. Trabalhamos muito mais apoiando esses parceiros, usando codeshare. A gente continua comercialmente com a United, inclusive aumentamos o codeshare com eles", pontua.

A Gol também passará a concentrar a representação comercial da Avianca no Brasil. De acordo com Barbizan, a operação segue um movimento que já ocorre em outros mercados e permitirá ampliar a equipe dedicada à companhia no País.

Quer receber notícias como essa, além das mais lidas da semana e a Revista PANROTAS gratuitamente?
Entre em nosso grupo de WhatsApp.

Tópicos relacionados

Foto de Beatrice Teizen

Conteúdos por

Beatrice Teizen

Beatrice Teizen tem 7146 conteúdos publicados no Portal PANROTAS. Confira!

Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação